Arquivos mensais: Março 2017

Arenas Arrumadas, Penteadas e Maquiadas

Acompanhei os bastidores de algumas partidas da Champions, do English Team nas Eliminatórias em Wembley, várias da Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas aqui no Brasil e uma das coisas que mais me impressionou foi a atratividade das arenas.
Elas estavam vestidas para a festa!
De longe, fora até do raio de influência das arenas, às vezes em boa parte da cidade, encontrávamos sinalização, indicação de como chegar e até orientadores que realmente orientavam.

Ao nos aproximarmos, essa presença se fazia ainda mais forte e efetiva.

As arenas surgiam imponentes e muito bem vestidas.

Já à distância, notavam-se os cuidados que tomaram para prepará-las. Orientadores ao redor do estádio com placas, pirulitos e alguns com megafones sentados no alto de uma cadeira tipo salva vidas; alguns outros andando ao redor ajudando às pessoas com ar de perdidas, o qual bem conhecemos pois em algum momento de nossas vidas estivemos perdidos em algum lugar, e todos portando mapas completos indicando acessos, setores, bilheterias e tudo o mais que pudesse ser útil.
As arenas estavam vestidas para um evento importante, uma partida de futebol de algum torneio ou campeonato o qual podíamos facilmente identificar por conta do tipo de envelopamento que havia sido aplicado. Você se sente bem recebido, incluído naquela festa. Ao se aproximar das catracas as indicações estavam ali. Após entrar, facilmente encontrava-se o caminho para o setor desejado e, ao adentrar o setor, em segundos tomávamos o assento previamente escolhido. Olhávamos em volta e tudo identificava o evento o qual escolhemos, do qual seríamos parte ativa pelas próximas horas. Sim, porque ali, dentro do estádio, nós torcedores fazemos parte da festa e era assim que faziam nos sentir.
Aí está a receita. Simples. Quando recebemos convidados na nossa casa, a decoramos e arrumamos da melhor maneira possível para fazer com que todos se sintam bem.
Então, porque não ter o mesmo pessoal bem treinado, sinalização clara e visível, bilheterias espalhadas em locais estratégicos e toda a mesma estrutura montada nos estádios brasileiros na Copa e Olimpíadas, para os jogos dos nossos campeonatos? Isso não é gasto. É investimento. É relacionamento.
Não há quem pague? Ceda. O resultado aparecerá e surgirão patrocinadores

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Convencendo os Torcedores a Entrar Mais Cedo

Um dos mais sérios problemas do match day é o acesso ao interior do estádio. Não pela falta de catracas, mas porque a grande maioria dos torcedores resolve entrar faltando de 10 a 15 minutos para o início da partida. O motivo varia entre o hábito de deixar tudo para o último momento e o desejo de aproveitar um pouco mais as liberdades e facilidades que existem do lado de fora, causando então um efeito funil, tumultuando os acessos, gerando empurra-empurra, insegurança no público e contribuindo para que aproveitadores, sem ingresso, se comprimam à entrada na tentativa de fazer com que o organizador ou a PM abram os portões para esvaziar esse “coágulo”.

 

Nos últimos quatro anos, acompanhando match days, no Brasil e na Europa, testemunhei vários tipos de ações que mitigavam esse problema, mas nunca encontrei nenhuma solução isolada que o resolvesse, o que me faz concluir que, como muitas das vezes quando enfrentamos uma dificuldade, não há uma solução mágica que resolva de pronto, mas sim um conjunto de soluções que diminuem ou solucionam a questão.

 

No caso do acesso ao estádio observei algumas excelentes ideias que funcionaram pontualmente; criei e implantei outras várias quando no Flamengo, e pensei em algumas que ainda não foram testadas, mas creio que se combinarmos todas essas possibilidades, teremos um acesso muito mais organizado.
Se os torcedores se sentem confortáveis e atraídos pelo que há do lado externo do estádio, precisamos mimetizar essa estrutura internamente em todos os graus.

 

Eles ficam nos bares ao redor, tocando, cantando e bebendo. Então se faz necessário ter bares e restaurantes simples, ou até botecos, no perímetro interno, com preços iguais ou até menores aos que encontramos do lado de fora, preços esses que podem ser majorados faltando cerca de 15 minutos para começar a partida principal.

 

Sim, digo partida principal pois um outro atrativo que precisamos voltar a ter é a preliminar, que pode ser um jogo do mesmo campeonato entre times de menor orçamento, das categorias de base, ou ainda partidas de másters, combinados ou entre sócios torcedores, com duração menor.

 

Além disso, os torcedores que entrarem até 30 minutos antes da partida principal podem receber um voucher, pessoal e intransferível, com desconto para algum jogo que o mandante queira promover, para produtos licenciados do clube ou mesmo para bebida ou lanches durante o jogo.
Já no anel interno, aconteceriam eventos pré-jogo com a presença de ídolos, ações de patrocinadores e sorteio de brindes, que envolveriam desde a bola do jogo, uniforme do jogador, até ir a saída do vestiário pós jogo e tirar foto com ídolo entre uma série de outras possibilidades.

 

Na parte externa, como já citado em outro texto, liberar o acesso ao raio de influência do estádio somente a torcedores com ingressos, sendo que as bilheterias devem ser colocadas em containers blindados e climatizados fora desse raio, e também a implantação de certas “dificuldades” para quem postergar sua entrada para os últimos 15 minutos, como delimitação por grades mais distante, maior zig zag e afunilamento do gradeado (curral).

 

Tudo isso deve ser amplamente comunicado, deixando claro como será o funcionamento dos acessos, evitando surpresas

Creio que se focarmos nas atrações, facilidades e semelhança entre ambiente e preços de bares e restaurantes interno e externo, teremos um ótimo fluxo pré-jogo. Minimizando os problemas de acesso dos últimos 15 minutos.

http://m.extra.globo.com/esporte/flamengo/flamengo-aprova-volta-ao-maracana-mas-quer-convencer-torcedor-entrar-mais-cedo-20350485.html

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Solução para a Falta de Segurança nos Estádios

É preciso encontrar soluções para a segurança nos estádios mas focar apenas nessa parte do evento é não entender a amplitude do problema.
Um grande jogo ou um clássico, começa bem mais cedo e longe do estádio. São as torcidas se preparando, torcedores decidindo qual a melhor maneira de chegar, conversas nos botecos, encontros pelas ruas. Os responsáveis pela segurança pública precisam estar à postos em todas as vias de acesso, em todos os sistemas de transporte que servem àquele evento, nas principais avenidas, estações de trem e metrô, locais de concentração de torcedores como bares e praças além das principais rotas de ônibus, garantindo ao cidadão a tranquilidade no deslocamento até o evento.
Na região ao redor do estádio, nos acessos mais próximos, o ideal seria fazer o que foi feito durante a Copa do Mundo, deixando passar somente quem puder comprovar a posse de um ingresso e, caso haja ainda ingressos à venda, ter venda fora desse raio. Ter um acesso somente para família – no caso do Maracanã existe inclusive um acesso F, de Família , onde entrariam somente pessoas com mais de 60 anos, mulheres e jovens de até 15 anos acompanhados de seus responsáveis e, todos os outros homens que não encaixassem nesse padrão obrigatoriamente teriam que entrar pelo acesso E. Assim, já solucionaríamos o problema de segurança nos arredores do estádio e nos acessos – usando o Maracanã como exemplo – mas não esquecendo de implantar catracas com leitura biométrica em todas as entradas para barrar o acesso às personae non grataemesmo que porte um ingresso.
Alguns argumentam que essa implantação seria custosa, mas cada catraca biométrica vale cerca de 17 mil reais, e implantá-las em todo um estádio como o Maracanã com cerca de 100 acessos, incluindo o custo da obra de alvenaria, chegaria a um valor próximo de 2,5 milhões de reais. Levando-se em conta que apenas um jogo de portões fechados, por conta de uma penalidade por ter deixado acessar ao estádio torcedores violentos, poderia custar um valor semelhante, creio que essa implantação compensaria.
Já na parte interna do estádio….
Todo o estádio precisa ser setorizado e precificado com valores específicos.
Duas áreas sem cadeiras, no modelo das antigas arquibancadas do Mineirão, do Maracanã e que ainda existem no Morumbi e foram inteligentemente implantadas na Arena do Grêmio, na Arena da Baixada e no estádio do Bayern München, para que as Torcidas tenham seu espaço para festar.
Um espaço exclusivamente familiar, onde seria restrito às pessoas citadas no segundo parágrafo, com acesso pelo setor F (no modelo Maracanã). Uma área e acesso exclusivo para a torcida visitante, compatível com o tamanho dessa torcida.
Área central com valores maiores por conta da localização.
Setores nobres com todo serviço de bebida, comida e estacionamento incluídos.
Toda a segurança deve ser feita por empresas particulares, contratadas pelo organizador do evento, assumindo toda a responsabilidade por tudo que possa acontecer nas áreas de acesso e no interior do estádio, sendo que toda a operação deve ser supervisionada pela Polícia Militar, que deve ser devidamente remunerada para esse trabalho na área do estádio.
E dentro do campo, para facilitar o trabalho dos stewards, uma rede, estirada entre cada um deles, deve ser providenciada, evitando-se assim as correrias pelo campo atrás de algum invasor. Já para onde for possível, um sistema de grades semelhante a Wembley, pode ser aplicável, mas cada estádio deve buscar a melhor solução para evitar invasões a campo pois a invasão esporádica é controlável, mas… e uma invasão em massa?
Em toda a área do evento, caso qualquer tipo de violência aflore, todos os envolvidos devem ser detidos e levados imediatamente ao Jecrim e, se necessário for, imobilizados com abraçadeiras de nylon.
Aplicando-se todos esses itens de segurança, o Jecrim e o Ministério Público informando à Polícia Militar e aos organizadores do evento quem são os torcedores banidos ou suspensos por determinado período de acessar aos estádios e esses dados sendo implantados nas catracas biométricas, teremos então a garantia de que a violência nos estádios irá diminuir para pequenas escaramuças entre cidadãos como as que acontecem no dia a dia em qualquer setor da sociedade.

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

A Farra da Gratuidade e da Meia Entrada

A discussão sobre preço do ingresso continua acirrada. Acusam clubes de elitizarem o futebol cobrando caro por um jogo. Sugerem até que abram mão do lucro nas Arenas para atrair mais torcedores. Claro que, algumas vezes para atrair o torcedor num momento onde o clube vai mal, precisa de apoio e não há interesse pelos seus jogos ou por puro populismo, baixam o preço. Em outros momentos, quando estão bem ou disputando título, elevam o preço, mas isso faz parte da economia de mercado, a tão falada lei da oferta e procura.

 

A montagem do preço envolve vários fatores como a capacidade do estádio, o dia e horário do jogo, o clima, a concorrência de outros eventos e atrações como shows, praia, o acesso ao estádio, a segurança, a credibilidade quanto à construção e manutenção do resultado do jogo, a qualidade do espetáculo, a falta de controle da meia-entrada e a gratuidade em geral.

 

A farra da meia-entrada e das gratuidades ao invés de baratear e/ou facilitar o acesso aos jogos, age no sentido oposto, como tudo onde o Estado quer “proteger” o cidadão fazendo benesses com o bolso alheio. Afinal, como o custo de operação continua o mesmo, esses valores precisam ser repassados a quem compra o ingresso.

 

No caso, não só os clubes de futebol, como organizadores de eventos, cinemas, teatros, fazem o cálculo do preço do ingresso levando em conta o percentual de público que vai se beneficiar dessas “vantagens”. Não há almoço grátis.
Quando idosos e menores entram gratuitamente, ocupam um lugar que poderia ser vendido. Logo esse valor terá que ser diluído entre todos os que pagam ingressos. Em alguns casos, o preço da meia é bem próximo ou é exatamente o preço do que deveria ser a inteira e, os que pagam inteira, acabam gerando uma margem maior para a operação do evento.

 

Em alguns jogos no Maracanã – estádio onde há a maior farra da gratuidade no Brasil – cerca de 60 a 70% dos ingressos são meia entrada e 10 a 20% são gratuidades.

Esse valor varia de estado para estado, às vezes até em municípios, mas em todos onde pesquisei há gratuidade apenas para menores de 12 anos, já idosos e estudantes pagam meia.

 

O caráter social que esses descontos deveriam ter, não existe. Primeiro porque é muito fácil tirar, comprar e até falsificar uma carteira de estudante. Além disso, um idoso de classe média alta, ou rico, pode ir ao estádio levando seus 4 netos, ocupando 5 lugares e não pagarão nada.

 

O que fica claro é que não é o poder público que deve definir os preços ou descontos dos eventos. O organizador é que deve ter essa responsabilidade, até porque, se ele precificar errado, muito acima, o evento será um fracasso. Se ele cobrar barato demais, levará prejuízo. Dessa forma, a ingerência do estado, mais uma vez, mesmo cheia de boas intenções, é maléfica.

 

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Contabilidade e Tributação

Enquanto aguardamos a publicação do Plano Anual de Fiscalização para 2017, documento que a Receita Federal do Brasil divulga, no início de cada ano, suas principais operações fiscais, estabelecendo as “prioridades” para a gestão de riscos fiscais nas empresas, é possível notar que o ano que se inicia está repleto de novidades, com várias iniciativas fiscais que exigem maior transparência das informações contábeis das empresas.

Se em 2016, as principais prioridades de fiscalização da RFB foram relacionadas com o tratamento tributário das práticas contábeis das empresas (planejamentos tributários vinculados a eventos de reorganização Societária, fundos de investimentos em participações, resultados auferidos no exterior, sonegação envolvendo distribuição isenta de lucros, omissão de receitas com base em notas fiscais eletrônicas e omissão de receitas ou rendimentos a partir de indícios de movimentação financeira incompatível), algumas novidades no contexto do SPED, por exemplo, indicam que 2017 a qualidade das informações contábeis permanecerão como objeto de prioridade para o Fisco:

 

1)  Obrigatoriedade do SPED Contábil para 2017:

  1. a)   Lucro Presumido: Todas que mantem Escrituração Contábil
  2. b)  Isentas e Imunes: Todas com Contribuições acima de R$ 10 mil por mês ou Receita Total anual acima R$ 1.2 milhões
  3. c)   Simples Nacional: Todas que receberem aporte de Investidor Anjo (nova Lei do SIMPLES)

 

2) Substituição do SPED Contábil:

  1. a) Para substituir arquivo já transmitido ao SPED o contribuinte deverá preparar um Termo de Verificação para fins de substituição (uma espécie de Relatório de Auditoria que contém a descrição pormenorizada dos erros)
  2. b) O Termo deverá ser assinado por outros 2 profissionais contábeis, sendo 1 deles contador ou auditor externo. Ou seja, empresas de grande porte deverão contratar auditorias para substituir os arquivos do SPED.

3) Demonstrações e relatórios no SPED Contábil (J800): desde a primeira versão do leiaute, era exigida a inserção no arquivo do SPED, além das demonstrações obrigatórias previstas no Código Civil (BP e DRE), as demais demonstrações contábeis previstas na legislação contábil (DMPL, DLPA, DRA, DFC, NE, RA, Parecer Auditoras, etc). Agora, o Registro J800 será modificado para identificar o tipo de documento anexo ao SPED, dando mais transparência e evidenciando a necessidade destas demonstrações no arquivo.

4) Demonstrações Consolidadas no SPED Contábil (Bloco K): facultativo para 2017 e obrigatório em 2018, este novo bloco de informações será preenchido pelas empresas que fazem consolidação das suas demonstrações contábeis. Basicamente, será necessário detalhar o processo de consolidação (empresas consolidadas, contas aglutinadas e ajustes contábeis de consolidação).

5) Livro Caixa na Escrituração Contábil Fiscal (SPED IRPJ): Empresas do Lucro Presumido que não apresentarem o SPED Contábil e, portanto, mantem o Livro Caixa (art. 45 da Lei nº 8.981/95), cuja receita em 2016 seja superior a R$ 1.200.000,00, deverão apresentar este livro (analítico) na ECF em 2017. Sabe-se que a legislação comercial, profissional e previdenciária, entre outras, obriga que todas as empresas devem manter a escrituração contábil. A novidade é que aquelas que deixam de fazer a escrituração contábil para evitar entregar o “detalhe” para o Fisco, deverão fazê-lo do mesmo modo, com o Livro Caixa.

6) Declaração País-a-País na Escrituração Contábil Fiscal (SPED IRPJ): Voltada para grupos multinacionais, apresentada se a declarante for a empresa estabelecida no Brasil ou caso o controlador final do grupo seja brasileiro, com receita consolidada de R$ 2.2 bi, por exemplo. Consiste em informações agregadas de receitas, resultado, IR (pago e devido), capital, número de empregados e ativos tangíveis, entre outros.

7) Bloco K no SPED Fiscal: Embora adiada a entrega analítica dos processos produtivos (estrutura e apontamentos de produção), industrias CNAE 10 a 32 e faturamento acima de R$ 300 milhões deverão apresentar, mensalmente, o Inventário (Físico). A informação não demonstra saldo contábil, mas entende-se que a tempestividade desta informação reflete diretamente sistemas de contabilidade de custos das empresas, que precisarão ser mais “precisos” pelo detalhamento apresentado ao fisco.

Além das novidades no SPED que afetam diretamente a contabilidade, destaca-se que em 2017 começa a vigorar as alterações do CPC PME (R1), voltado para empresas com faturamento até R$ 300 milhões e ativos até R$ 240 milhões. Dentre as alterações desta norma, destacam-se:

1)  Adoção Inicial: PMEs que não adotaram integralmente o CPC PME no passado, devem fazê-lo em 2017, observando as exceções previstas na norma (por exemplo, no que se refere ao Custo Atribuído dos ativos). Ou seja, é mais uma chance para “regularizar” a contabilidade das PMEs.

2)  Consolidação: Controladora avalia se utiliza o CPC PME nas DC separadas sem considerar se outras entidades do grupo têm obrigatoriedade de full IFRS.

3)  Conceito de Custo ou Esforço Excessivo: julgamento sobre adoção de políticas contábeis (por exemplo, Valor Justo). Afeta vários itens da norma.

4)  Propriedade para Investimento: Se mensurado ao Custo, classificado e evidenciado no Imobilizado. Este ajuste é relevante, sendo inclusive utilizado como exemplo do Ajuste de Valor Justo na IN RFB 1515/14.

5)  Imobilizado: alinhamento com full IFRS (CPC 27). Como exemplo, peças de reposição no estoque e baixa de peças substituídas no caso de manutenção. Imobilizado é um item bastante comuns nas demonstrações contábeis das empresas, portanto as alterações merecem atenção.

6)  Impostos sobre o Lucro: alinhamento com full IFRS (CPC 32). Como exemplo, adota a mesma terminologia para base fiscal e base contábil para identificar os efeitos temporários e permanentes objeto de reconhecimento do IR/CS Diferido.

Além das alterações do CPC PME, em 2017 os profissionais contábeis estarão analisando os ajustes necessários para adoção do CPC 47 Receitas de Contratos com Clientes e CPC 48 Instrumentos Financeiros, cujo início da vigência é 01/01/2018. Também devem estar atentos às recentes revisões dos CPCs já em vigor (CPC 02, 03, 26, 32, 39).

Finalmente, observa-se que em 2016 as empresas apresentaram, pela primeira vez, os ajustes da adoção inicial da Lei 12.973/14 (em 01/01/15), demonstrando os efeitos do IFRS na apuração dos tributos. Contudo, percebe-se que muitas empresas, mesmo após entregar no ano passado os arquivos do SPED Contábil e SPED IRPJ, ainda estão inseguras sobre o que deveria ser ajustado e informado nestes arquivos (por exemplo, o Registro I053 – Subcontas Correlatas, o Registro Y665 Demonstrativo da Adoção Inicial e o Livro Z – Razão Auxiliar). Assim, uma vez que em 2017 as empresas vão apresentar a “continuidade” dos ajustes realizados em 2016, para evitar acumular “erros” é oportuno que os requisitos para adoção correta da Lei 12.973/14 seja revisado.

Novidades no SPED, mudanças nas Normas Contábeis, alterações passadas que ainda precisam ser revisadas … 2017 será mais um ano de muito trabalho para os profissionais da Contabilidade.

 

Esse conteúdo faz parte do curso de Contabilidade Tributária que acontece no dia 22 e 23 de março na Trevisan Escola de Negócios, na unidade Tiradentes.

 

Autor: Tiago Nascimento Borges Slovav

Doutor em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (2013). Atualmente é professor  e pesquisador,conferencista e consultor de empresas na área de Administração, com ênfase em Controladoria, atuando principalmente nos seguintes temas: Controladoria, SPED e IFRS. Foi Professor e Coordenador do Curso de Graduação em Ciências Contábeis da UNISO por 7 anos. Consultor há 15 anos em organizações como: Kyocera Yashica, Promon Engenharia, PST do Brasil, Ellenco, Dynapac (Atlas Copco), Roma Jensen, Nilfisk do Brasil, CAS Tecnologia.

O Maracanã morreu!

Não é o mesmo estádio. O mesmo ambiente. O mesmo espírito. Apenas um novo estádio – estádio não, arena. Arena esta construída no mesmo lugar e, para disfarçar a radical mudança, com a mesma estrutura externa e o nome, mas… o velho Maracanã está morto e seu espírito com ele se foi.

Vivi as três fases do Maraca:

Quando, oficialmente, 200.000 pessoas se espremiam em qualquer espaço.

Testemunhei as folclóricas comemorações que Geraldinos faziam à beira do campo, e a festa dos Arquibaldos ocupando quase todo o anel.

Quando em 2005 acabaram com a geral.

Mantiveram a estrutura das arquibancadas e alguns Geraldinos tentaram se transformar em Arquibaldos. Alguns conseguiram, mas a essência dos Geraldinos havia acabado.

Quando em 2014 acabaram com a arquibancada.

É, acabaram. Porque essa estrutura, em rampa descendo até o campo com cadeiras dobráveis, não lembra nem de perto a nossa velha e querida arquibancada.

 

Nós, torcedores, ainda buscamos nosso espaço, tentando nos adaptar aos novos setores e às novas regras para torcer impostas pela PM e pela FIFA.

Alguns vão dizer que estou sendo saudosista, que isso é a evolução do futebol. Entendo. Mas…

É preciso fazer algo para que o estádio, desculpe, arena, recupere ao menos um pouco da alma do antigo Maracanã que está perdida no limbo, talvez vagando pelo Umbral. Essa alma precisa reencarnar nessa fria, insípida, incolor, inodora, inacústica arena, trazendo de volta ao menos um pouco do que havia no passado recente, do calor das festas das torcidas, da interação com os jogadores.

Voltar a torcer sem limites de bandeiras ou instrumentos musicais; atirar papel higiênico no momento que os times entrarem em campo em separado; retirar as cadeiras dos setores superiores (norte e sul), para que nós, Arquibaldos, voltemos a nos sentir como no antigo estádio; autorizar jogadores a comemorar junto da torcida subindo os degraus e abraçando a galera e claro, precisamos trazer os Geraldinos de volta, com uma espaço específico, ao qual eles teriam acesso por um valor que qualquer torcedor apaixonado, mas sem muita grana, poderia pagar.
O Estádio do Maracanã morreu! Vida longa à Arena Maracanã!

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Torcidas Organizadas ou Torcidas Profissionalizadas?

Qual a diferença entre assistir a uma partida de futebol na Tv em casa, no bar, sozinho, com amigos, ou estar no estádio?

Qual a diferença, em emoção, de assistir pela Tv um jogo do campeonato brasileiro, alemão, inglês, americano ou chinês?

Sem festa, sem torcida, não há diferença. Ou melhor, há diferença sim. Começa a ser melhor assistir em casa, pois não preciso me deslocar, tem tudo na geladeira, o conforto do meu sofá….

Ir ao estádio assistir a uma partida de futebol precisa continuar sendo uma experiência única.

O clima da partida está no ar ainda fora do estádio. A energia flui. Os gritos. As músicas. A festa. O momento onde o nome de cada jogador é citado pelo locutor do estádio e repetido pela torcida. A entrada em campo. O foguetório. Os rolos de papel higiênico sendo atirados. As bexigas coloridas. As bandeiras tremulando. A batucada ditando o ritmo. O hino sendo entoado. As palmas ritmadas. Os braços erguidos. A comemoração do gol. A festa da vitória.

Visualizou?

Então, agora, retire tudo isso.

O estádio se transforma num teatro. A emoção existe, mas não é extravasada. Fica contida. Acontece somente no momento do gol, com palmas.

 

Proibindo as Torcidas de entrar no estádio, com todo ou parte do seu material, a Policia Militar, o Ministério Público e o STJD – Superior Tribunal de Justiça Desportiva – estão prestando um desserviço ao futebol brasileiro. Até porque esse tipo de generalização enfraquece as Torcidas do bem.

Uma solução para quando algum ato de violência acontecer no estádio, e seu executor for identificado, é o que fez recentemente a Comissão Antiviolência na Espanha quando multou em R$10 mil e proibiu de acessar o estádio por seis meses um torcedor de 17 anos que arremessou uma garrafa no Neymar durante uma partida, solução que pode ter a pena agravada de acordo com a gravidade do ato ilícito.

Aqui, o estado é incompetente, não consegue punir o verdadeiro culpado, não consegue fazer com que cumpra a pena de não acessar estádios, e o que faz? Penaliza toda a Torcida pelo comportamento de uma pessoa ou de um grupo. É como um morador assaltar um apartamento no prédio onde mora e a justiça condenar os moradores a não usarem o elevador e a garagem por alguns meses.

 

A Torcida é um BEM necessário. Eles se reúnem muito antes de cada partida para organizar a festa que vamos desfrutar no estádio, separar os instrumentos, costurar, pintar ou recuperar as bandeiras que vão bailar no ar durante a partida, preparar as faixas, mosaico, comprar rolos, encher as bexigas.

Essas pessoas, dedicadas, apaixonadas pelos seus clubes, são essenciais para a festa.

 

O que precisa ficar claro é que, se buscamos a profissionalização dos clubes, dos juízes, da administração dos estádios, devemos também buscar a profissionalização das Torcidas como entidades sem fins lucrativos e com sua prestação de contas aberta.

A saída ideal seriam os clubes trabalharem com elas, em conjunto, de uma maneira profissional, não as financiando com dinheiro do clube ou de patrocinadores, mas ajudando-as a obter todo o material necessário para a festa, a entender que a festa que fazem tem um valor e é preciso capitalizar esse valor. São bandeirões, camisões, mosaicos, faixas, bexigas, que podem vir com a marca de um apoiador ou um patrocinador que faria a compra dos materiais e aluguel do transporte para viagens pagando direto ao fornecedor, ou seja, patrocinariam determinadas Torcidas comprometidas, antes de tudo, com a paz nos estádios.
O clube poderia ajudar nessa profissionalização com o know how em negociações com patrocinadores, na estruturação e transparência de contas e até desenvolver um plano de Sócio Torcedor específico para Torcidas.

Obs.: Na verdade, no Flamengo, tivemos um diálogo aberto e contínuo com as principais torcidas, conseguindo em alguns momentos pontuais apoio de patrocinadores e lançando um plano específico de Sócio Torcedor.

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Resgatando a nova geração de torcedores brasileiros do canto de sereia do futebol europeu

Andando pelas ruas de qualquer cidade brasileira, cruzamos com crianças e adolescentes vestindo a camisa de algum clube de futebol europeu.

Famílias inteiras, mulheres, crianças e adolescentes, cada vez se sentem mais atraídos por times do “velho” continente repetindo, de certa forma, o comportamento que ainda existe em vários estados do Norte, Nordeste, Centro Oeste e até do Sul do país, onde até hoje torcedores se envolvem mais com equipes do Sudeste do que com os clubes de sua cidade ou estado.
As transmissões pela Tv, por conta do fuso horário europeu, acontecem durante a semana no horário da tarde, no qual crianças e adolescentes estão disponíveis em casa, nas ruas ou no clube, enquanto isso, os jogos de meio de semana, de maior apelo dos campeonatos no Brasil, são transmitidos às 22 horas terminando próximo à meia noite, o que inviabiliza às crianças de acompanhá-los e de desenvolver o hábito de ver nosso futebol.

No fim de semana, enquanto os jogos europeus continuam sem praticamente nenhuma concorrência no mercado nacional, acontecendo a partir das nove da manhã e seguindo até o fim da tarde, os jogos locais são transmitidos na noite de sábado, quando as crianças estão com suas famílias e os jovens com os amigos, ou no fim da tarde de domingo, único horário em que realmente todos estão disponíveis.

Vemos claramente que o futebol europeu está seduzindo os jovens fãs brasileiros da mesma forma que os times do Rio de Janeiro, quando capital do Brasil, seduziam os torcedores de quase todo o país por conta da Rádio Nacional.
Além de gradativamente buscarmos um reencaixe da programação da Tv para não continuarmos perdendo a nova geração para os europeus, transmitindo os jogos de quarta às 21h, tendo alguma partida relevante na tarde de quarta e/ou quinta no lugar da Sessão da Tarde, ampliando um pouco mais os horários de sábado e domingo para, literalmente, batermos de frente com as transmissões de fora, precisamos também atrair essas crianças e jovens de volta ao estádio onde, ali sim, somos imbatíveis.
A atmosfera do estádio, a festa nas arquibancadas, as bandeiras, os cânticos, a batucada, a entrada do time em campo, a energia durante a partida, a comemoração dos gols, ou seja, tudo que envolve uma partida de futebol dentro do estádio fazem aquelas duas horas únicas, sedutoras. Ali sim, no estádio eles sentem a presença e a energia do time.
Os adolescentes e crianças assistem e interagem com a festa, com seus times e seus ídolos, se sentindo parte do clube do coração e, somente assim deixarão de lado os times europeus os quais eles só podem, na grandessíssima maioria das vezes, assistir pela Tv.
Claro que precisamos melhorar os acessos, facilitar o transporte, cuidar da segurança fora e dentro do estádio para que os pais se sintam seguros em trazer seus filhos para as partidas.
Além de tudo isso, temos que criar pacotes com preços família, com espaço de estacionamento e áreas específicas no estádio, exatamente como faz o Tottenham Hotspurs, um dos clubes europeus que visitei em 2013.
Com todos esses cuidados, e a repetição ad nauseum desse padrão, em pouco tempo os pais se sentirão confortáveis e seguros em trazer seus filhos e filhas, e esses se engajariam cada vez mais no espírito de torcedor do seu clube de coração.
É uma guerra de mercado, e precisamos cuidar do nosso.

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Acesso aos torcedores de baixa renda

O futebol não é mais aquele futebol romântico que existia até o fim dos anos 80, quando os jogadores muitas vezes dedicavam toda sua carreira a apenas um clube. O futebol se transformou, se profissionalizou e agora envolve somas milionárias, com compra de direitos econômicos de jogadores, direitos de imagem, altos salários, investimentos em formação, em estrutura, acompanhamento médico e psicológico, mídia training, entre vários outros fatores que buscam desenvolver todo o potencial de cada atleta.
Para cumprir esses requisitos é preciso arrecadar, e todas as fontes precisam ser maximizadas. As cotas de televisionamento, a fornecedora de material esportivo, o espaço no uniforme, licenciamento de produtos, programa de sócio torcedor e, naturalmente, a renda de bilheteria. Não há como abrir mão de nenhuma receita.
É preciso administrar para todos sem perder receita e sem ser populista. Então, como conciliar a necessidade de arrecadar, mantendo as contas em dia, tendo um orçamento equilibrado para investir em novas contratações de peso, na formação de novos atletas na base, manter um time competitivo e trazer os apaixonados torcedores de menor poder aquisitivo novamente para o estádio?
Como manter o equilíbrio das receitas da partida cobrando mais barato por esses ingressos?

Como garantir que esse torcedor comprará o ingresso e entrará no estádio?

O que o impediria de revendê-lo por um preço maior?

E mais, como ele comprovaria sua situação econômica?
Antes de mais nada é essencial buscar o equilíbrio da receita, subsidiando esse ingresso através do aporte de algum patrocinador e/ou repassando o valor descontado para os ingressos de outros setores.

O passo seguinte é a venda e garantia de acesso a esse público.

Vender ingresso na entrada no estádio, com o torcedor comprando e entrando, sem a possibilidade de revender, garantiria o funcionamento do projeto, mas poderia causar tumulto nesse acesso com centenas de torcedores tentando comprar e entrar.

Então, para evitar esse possível tumulto na entrada, vender ingresso antecipado, nominal e intransferível, com acesso em separado seria uma solução.
E para garantir que somente o torcedor de menor poder aquisitivo tenha acesso a esse ingresso subsidiado, a melhor saída seria desenvolver um cadastro desses torcedores.
Já para os torcedores que não participam do projeto sócio torcedor, frequentam os estádios e gostariam de garantir seu acesso aos jogos mais importantes, onde provavelmente as vendas esgotariam ainda online, estes deveriam comprovar frequência em um determinado número de partidas, guardando os canhotos dos ingressos, e garantindo assim um desconto para compra em alguma partida mais concorrida. Dessa forma, os torcedores fieis, mas que não participam do projeto sócio torcedor, teriam a possibilidade de estar no estádio em jogos de grande demanda.
Ou seja, são soluções para os que frequentam todos os tipos de jogos sem serem sócios torcedores e gostariam de poder comprar uma semi ou final, e para os de menor poder aquisitivo terem a oportunidade de estar presentes acompanhando seu time do coração.

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro