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Impactos da Inteligência Artificial na Gestão de Pessoas

Em Seminário na Arena Trevisan, Alexandre Dietrich (Watson – IBM) e VanDyck Silveira (Corporate Learning Alliance – Financial Times/IE Business School) afirmam que a inteligência artificial já é um recurso disponível para aumentar a produtividade das empresas.

As novas tecnologias e plataformas chegaram para sanar necessidades nos mais diversos campos, com o desenvolvimento de produtos que saiam na frente na corrida pelo interesse dos clientes. Todo esse movimento gera informação em quantidade e qualidade maior do que qualquer ser humano seria capaz de tratar. Chamamos esses resultados de “big data”.

De acordo com o Dicionário de Cambridge, big data, ou “megadados”, quer dizer:
“Uma grande quantidade de dados que são produzidos por pessoas usando a internet, e que só podem ser armazenados, compreendidos e usados com o auxílio de ferramentas e métodos especiais”.

As possibilidades infinitas para o tratamento dessas bases de dados gerou interesse de empresas de tecnologia pelo desenvolvimento de engenharias que pudessem compreender e interpretar necessidades humanas, prevendo soluções para possíveis problemas antes que aconteçam. Surgem então plataformas cognitivas de Inteligência Artificial, como o Watson da IBM e a Sophia da Hanson Robotics.

 

 

A dinâmica veloz das inovações disruptivas, por outro lado, gera dúvidas às empresas e funcionários. Qual é o momento e a forma correta de investir em uma plataforma de inteligência artificial? Elas surgem para substituir o trabalho humano? Como garantir a operação correta e mais eficiente, à prova de danos ou erros?

Pensando nisso, os especialistas Alexandre Dietrich e VanDyck Silveira reuniram-se na Arena Trevisan para o seminário “Impactos da Inteligência Artificial na Gestão de Pessoas”, no dia 27 de novembro. A conversa, mediada por Fernando Trevisan, apresentou a lógica por trás das tendências de incorporação dessas novas tecnologias dentro das organizações. A partir de exemplos do Brasil e do mundo, Dietrich e Silveira mostraram como a análise e a adaptação à realidade, próprias da expertise humana, são capazes de extrair o trabalho mais eficiente das plataformas de Inteligência Artificial.

 

Alexandre, engenheiro-líder para a América Latina da Watson, defendeu que as empresas devem parar de esperar “o futuro”, pois a Inteligência Artificial já faz parte do hoje. A experiência de Alexandre dentro do Watson revelou a ele o universo da computação cognitiva, que utiliza algoritmos sofisticados para cruzar informações discrepantes e avançar em resultados. Assim, com a ajuda de feedbacks e monitoramento constantes, um software com a tecnologia implantada pode desenvolver habilidades de conversação e análises de comportamento para identificar sentimentos, emoções e soluções imediatas. Conheça seis casos de empresas brasileiras que incorporaram a tecnologia Watson para a agilidade de seu trabalho: abr.ai/2iA7ZqL.

 

 

Alexandre Dietrich, líder da plataforma Watson (IBM) em palestra na Arena da Trevisan Escola de Negócios.
VanDyck Silveira defendeu o uso de ferramentas de Inteligência Artificial para aumentar a produtividade nas empresas. O economista, CEO da Corporate Learning Alliance (desenvolvedora internacional de programas de ensino corporativo, ligada ao Financial Times e à IE Business School), usou dados para comprovar que a taxa de produtividade das empresas brasileiras não aumenta há 50 anos. Ao invés de “substituírem” os funcionários humanos, os softwares deverão atuar em parceria, transformando a dinâmica do trabalho e tornando a produção cada vez mais estratégica. Para dar esse “passo para o presente”, no entanto, é necessário investimento em formação que possa habituar o profissional à lógica da inovação, gradualmente encaminhando o universo corporativo para um caminho, ao mesmo tempo, dinâmico e desconhecido.
VanDyck Silveira, CEO da CLA, fala sobre a relação entre big data e produtividade.
Líderes dos segmentos em que trabalham, com o olhar voltado para a evolução digital, Alexandre e VanDyck estão na linha de frente dos times que a cada dia avançam no desenvolvimento e na difusão de programas focados no desenvolvimento das empresas. Conhecer e pensar em rede logo serão requisitos para os profissionais do mundo corporativo, mas compreender a lógica e acompanhar essa mudança hoje pode ser o diferencial para impulsionar o sucesso em sua carreira. Faça parte da turma de Inovações Disruptivas da Trevisan Escola de Negócios, esteja preparado para o desconhecido.
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9 Problemas Gerados por Falta de Organização na Empresa

4Seis em cada dez empresas que fecham as portas enfrentaram problemas com o planejamento inicial ou com a gestão da operação. O dado faz parte do último levantamento realizado pelo Sebrae-SP para explicar os motivos da alta taxa de mortalidade dos pequenos e médios empreendimentos.

Segundo o estudo, realizado em 2009, 58% das empresas paulistas não sobrevivem aos primeiros cinco anos de atividade – 37% delas sequer passam do primeiro ano de vida. E a organização – ou melhor, a falta dela – é de longe a maior vilã dos empresários. Problema que piora quando se leva em consideração a competitividade cada vez maior do mercado.

“Quando o momento econômico é de crescimento, o planejamento incorreto pode até mesmo ser encoberto pelas condições favoráveis. Entretanto, quando os mercados se tornam mais competitivos e restritivos, um planejamento equivocado pode colocar em risco recursos financeiros preciosos que não conseguem ser repostos”, afirma Reinaldo Messias, consultor do Sebrae-SP.

Segundo ele, o que está por trás da desorganização de parte dos empreendedores brasileiros é a falta de conhecimento sobre estratégias de administração e ferramentas de marketing. Exemplo disso é que 45% das empresas de pequeno porte afirmam que não têm informações sobre o tamanho do público que pretendem atingir ou sabem a respeito dos hábitos de consumo de seus clientes. Pior: entre 26% e 30% desconhecem dados sobre seus concorrentes, fornecedores ou sequer têm ideia do investimento necessário para tocar a operação.

Apesar disso, quando o assunto é planejar, o principal desafio do empreendedor está no bolso. “Sua maior dificuldade é com relação aos custos”, afirma Marcos Assi, professor da Trevisan Escola de Negócios. Para ele, basta entrar no campo contábil que o negócio descamba. “Fico temeroso quando converso com as pessoas e vejo que elas têm ideias muito boas, mas se esquecem de que tudo tem um preço, de que as ideias têm um valor. Muitos empresários com ótimos projetos começam a gastar demais e às vezes nem conseguem colocar o produto para funcionar”.

Com o passar do tempo, o mercado tende a se tornar mais competitivo. Surgem novos concorrentes, produtos, serviços, tecnologias, canais e todos eles tem o potencial de impactar profundamente o contexto da sua empresa. Pensando nisso, uma grande vantagem competitiva é a capacidade da sua empresa de criar e executar planos em um curto espaço de tempo.

É muito comum que as empresas, principalmente as que estão iniciando, não deem tanta importância para o planejamento estratégico. Para que sua empresa não se torne mais uma estatística de mortalidade empresarial, recomendamos o uso de de práticas como, análise benchmarking, SWOT, OKR, entre outras, para garantir o sucesso de seus negócios e manter sua empresa sempre em uma posição competitiva.

9 problemas que as empresas brasileiras sofrem por falta de planejamento e organização:

  • Possuem problemas financeiros;
  • Necessitam de empréstimos bancários com altas taxas de juros;
  • Têm custos mais altos que o necessário
  • Não conseguem crescer;
  • Vão à falência sem saber o real motivo;
  • Percebem problemas apenas quando já é tarde para resolver;
  • Há falta de competitividade;
  • Disputa com o concorrente através preços baixos, descontos e promoções;
  • Possui baixa margem de lucro;

Organização, planejamento e controle de custos são as responsabilidades principais que todo empresário precisa considerar para o sucesso do seu negócio.

Fonte: eQ!

Elevação do Juro nos EUA e Reforma de Trump Deverão Impactar o Brasil

Se mudança tributária proposta pelo presidente dos Estados Unidos for aprovada, redução de impostos para indústria norte-americana afetará competitividade dos manufaturados brasileiros

Se mudança tributária proposta pelo presidente dos Estados Unidos for aprovada, redução de impostos para indústria norte-americana afetará competitividade dos manufaturados brasileiros

Federal Reserve: juro básico americano só alcançará a normalidade quando alcançar faixa de 4% ao ano

São Paulo – Mesmo que realizada de forma muito gradual pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), a elevação dos juros nos Estados Unidos – aliada a uma possível reforma tributária proposta por Donald Trump – deverão impactar o Brasil no médio prazo.

Atualmente, os juros básicos nos Estados Unidos estão entre 1% e 1,25% ao ano, para uma inflação de 1,94% em 12 meses, bem próxima da meta de 2% do Fed. As taxas dos títulos do Tesouro dos EUA para 10 anos eram cotados ontem na faixa de 2,3% ao ano.

“O impacto mais significativo para emergentes como o Brasil virá da elevação dos juros nos EUA. Será gradual e deve ser um processo longo, por todo o governo de Donald Trump (2017 a 2020) e provavelmente mais um mandato. Os investidores [globais] vão migrar seus recursos para uma economia dinâmica e em crescimento”, aponta a professora de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Juliana Inhanz.

No mercado é consenso, que quando as taxas americanas voltarem à normalidade – entre 4% e 4,5% ao ano – os grandes investidores não vão hesitar em obter bons ganhos investindo nos EUA, a maior economia do mundo e considerada a mais segura.

Ao mesmo tempo, se a reforma tributária proposta pelo presidente Donald Trump for aprovada, haverá uma redução significativa da carga de impostos da indústria. “As empresas podem voltar a produzir lá”, argumenta a professora da Trevisan Escola de Negócios e especialista em direito tributário, Elisabeth Martos.

Neste cenário, de fortalecimento do dólar (efeito juros) e da indústria americana, o Brasil se beneficiaria com a exportação de produtos primários (commodities) para os EUA, mas a competitividade da nossa indústria de manufaturados – já bastante frágil – pode ser ainda mais prejudicada.

“Isso para nós será problemático. Por causa da debilidade das contas públicas estamos num momento de revisão das isenções e benefícios fiscais à indústria nacional. Nossa pauta de exportação de industrializados é muito baixa, de qualidade igual ou inferior. Talvez iremos ver substituições maciças por produtos de uma indústria americana mais competitiva”, afirma Juliana.

Elisabeth Martos lembra que atualmente temos uma balança comercial positiva. “O cenário para nossas exportações é favorável, mas provavelmente teremos um aumento dos custos com a importação de produtos elaborados e de material intermediário”, diz.

Ela também cita nossas dificuldades em conceder incentivos à indústria local diante de déficits elevados nas contas públicas. “É necessário fazer estudos sobre a eficácia dos incentivos fiscais [à indústria], verificar se essa política está retornando em distribuição de renda e geração de empregos, ou qual é beneficiário final dessa prática, se o benefício acaba apenas como lucro nos balanços”, sugere Martos.

Num período muito recente – entre 2009 até 2015 – em alguns casos, as isenções ou benefícios fiscais concedidos para determinados setores como construção civil, automóveis e linha branca – custaram mais caro que a soma da massa salarial dos empregos gerados.

“Essa política industrial custou muito caro, surtiu efeito por um tempo, mas estamos pagando até hoje”, observou a especialista da Trevisan.

Quando aos desafios do Brasil para enfrentar esse processo de aumento dos juros nos EUA, a professora de economia Juliana Inhasz recomenda que se deve reduzir os riscos domésticos. “A crise política prejudica a aprovação de reformas. Mas é possível tornar o País mais sólido, sem ter que pagar mais por isso”, afirma.

Em outras palavras, se o Brasil conseguir aprovar reformas como a da previdência e a tributária, fazer privatizações e cumprir o teto das despesas do governo poderá transmitir confiança aos investidores. “Isso sinalizará que somos uma economia forte que voltará a crescer”, argumenta Juliana.

Para competir com a elevação das taxas do Tesouro americano, outro caminho – sem subir os juros nominais no Brasil – é manter a inflação controlada. “Se eleva os juros reais para atrair capital internacional”, diz a professora.

Em geral, ela avisa que os efeitos do aperto da política monetária do Fed serão mais negativos, do que positivos para emergentes. “O crédito para captações [em bônus para empresas] ficará mais caro, e veremos um encarecimento das importações”, resumiu Juliana.

Final de um ciclo

Em números, o mundo em crescimento marcará o fim da era dos juros baixos nas principais economias. Na Europa, a taxa está próxima de zero; no Japão está negativa em 0,10% ante inflação anual de 0,60%.

Na Grã-Bretanha, a taxa está em 0,25% para preços girando em 2,87% em 12 meses. No Canadá, a inflação está na casa de 1,40% para uma taxa de 1%. Enquanto entre os emergentes, a Rússia paga 8,5% ao ano, e a África do Sul, 6,75% ao ano.

Ernani Fagundes

Fonte: GS Notícias

Economia do Brasil tem Potencial de Avançar 3,2% em Média até 2022

Projeção contempla crescimento dos investimentos na área de infraestrutura, estimulados por uma situação fiscal equilibrada e continuidade da atual política econômica após eleições de 2018

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pode registrar um crescimento médio anual de até 3,2% nos próximos cinco anos, patamar semelhante à expansão média verificada entre 2010 e 2014 (3,38%).

O economista da Pezco Microanalysis, Helcio Shiguenori Takeda, explica que o principal motor desta expectativa está na projeção de alta dos investimentos em infraestrutura, em um cenário de continuidade da atual política econômica, após as eleições gerais de 2018. “Uma mudança de perfil na condução da economia poderia reduzir o potencial de crescimento para os próximos anos. Eu até não descartaria a possibilidade de voltarmos para patamares negativos, tendo em vista que a recuperação da atividade ainda não está totalmente consolidada”, comenta Takeda.

A pesquisa Ibope chegou a apontar nesta semana que, se as eleições presidenciais fossem hoje, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), conseguiriam ir para o segundo turno.

Takeda pontua, por outro lado, que a Pezco trabalha com um cenário de continuidade da atual política econômica. “A recuperação da atividade econômica contribui para esta expectativa”, diz. “Se tivermos um governo mais intervencionista, por exemplo, por mais que ele abrace um programa de infraestrutura, a probabilidade de os investidores colocarem recursos nos projetos é muito pequena”, diz Takeda.

O professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Thiago Novaes, explica que o que está no centro dessa desconfiança é a trajetória da dívida bruta brasileira. “A condição para se elevar os investimentos, a formação bruta de capital fixo (FBCF), é o controle das despesas públicas”, ressalta Novaes. Segundo ele, um afrouxamento fiscal após 2018 prejudicaria muito a trajetória de um crescimento mais sustentável. Esta seria uma tendência mais de um eventual governo Lula, enquanto o Bolsonaro segue sendo uma incógnita para os especialistas em termos de política econômica.

Já com equilíbrio fiscal, é possível garantir credibilidade perante os investidores e reduzir a pressão do endividamento no orçamento federal. “A dívida bruta já está em uma trajetória explosiva. O Ministério da Fazenda prevê que ela deve parar de crescer só em 2020, isso já considerando a reforma da Previdência, que está bem difícil de ser aprovada”, complementa Novaes.

Instabilidade

Novaes afirma ainda que, tanto Lula como Bolsonaro, provocariam uma instabilidade institucional muito grande, o que afugenta os investidores e eleva o prêmio de risco da dívida. Aumentar o prêmio de risco significa que os agentes passam a exigir um juro maior na compra de um título público, por exemplo, o que pressiona, por sua vez, o estoque do endividamento público.

Já no caso de uma continuidade de um governo liberal – que, segundo a economista da Tendências Consultoria Alessandra Ribeiro, tem 70% de chance de acontecer – a expectativa é de que o PIB seja impulsionado pela via dos investimentos. Em uma palestra no mês de outubro, a economista mencionou que o crescimento médio do País deve ser de 2,8% nos próximos anos.

“Com a taxa de juros está em processo de queda, o custo do financiamento também reduz”, lembra Novaes, da Trevisan. Já Takeda, da Pezco, destaca que o consumo das famílias não terá o mesmo impulso registrado na última década. Ele pontua, por exemplo, que a taxa de desemprego deve retornar para o percentual de um dígito só em 2021. No terceiro trimestre de 2017, a taxa de desocupação chegou a 12,4%, recuo de 0,6 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre (13%), segundo o IBGE.

Paula Salati

Fonte: GS Notícias

Proteção de Dados em TI Exige Compliance

Especialistas acreditam que por conta da sensibilidade das informações processadas, setor de tecnologia será mais cobrado em relação a melhores práticas de gestão

A proteção de dados pessoais vem ganhando importância na agenda das empresas e aumentará ainda mais a exigência por um bom programa de compliance nas companhias do setor de Tecnologia da Informação (TI), dizem especialistas ouvidos pelo DCI.

Segundo o diretor jurídico e de compliance para América Latina da Softline e fundador do Instituto Compliance Brasil, Rodrigo Carril, por conta da sensibilidade que envolve esse tema de proteção de dados, as empresas focadas no mercado de TI serão ainda mais cobradas em questões de compliance do que firmas de outros setores.

“Quem não está preparado vai acabar correndo contra o tempo. Esse é um dos próximos desafios do setor, sem dúvida alguma”, afirma ele.

O coordenador do curso de compliance na Trevisan Escola de Negócios, Renato Almeida Santos, entende que como big data – termo utilizado no TI para se referir ao armazenamento de um grande conjunto de dados – e outros tipos de informações são bens preciosos, acabam chamando a atenção de todo o tipo de pessoas e empresas bem ou mal intencionadas.

“Essas informações cada vez mais viram um alvo por quem quer vender ou ganhar status. Então é uma preocupação crescente proteger esses dados, inclusive contra fraudes cometidas por seus próprios funcionários”, acrescenta o professor.

Para Almeida Santos, é essencial que as companhias cobrem uma boa estrutura de compliance quando forem terceirizar serviços de TI para que não sofram com uma eventual responsabilização pelo tratamento inadequado dispensado aos dados pessoais de clientes pela prestadora de serviços que foi contratada.

“Ao fazer um contrato com uma empresa que não se preocupa com compliance, não investe em treinamento etc., o empresário terceiriza junto a vulnerabilidade da prestadora de serviços. Todos os elos da cadeia são punidos nesses casos. Muitas vezes, o nome que vai aparecer depois nas notícias é o da contratante”, opina o especialista.

Santos acrescenta que em termos de tecnologia de compliance o Brasil está no mesmo patamar dos principais países do mundo, mas que ainda falta uma mudança cultural para que essas ideias peguem no dia-a-dia das empresas. “A cultura do brasileiro é ser cordial e citar em uma roda de amigos o que está sendo desenvolvido na sua empresa. Até mesmo com a divulgação de dados confidenciais. Isso gera consequências”, destaca.

Ritmo de mudanças

Para o especialista, a solução seria identificar desde o processo seletivo qual empregado tem mais chance de descumprir as regras de compliance por meio de testes de integridade. Além disso, seria necessário fazer um treinamento constante dos colaboradores.

Rodrigo Carril lembra que uma dificuldade do compliance no setor de TI é que as empresas são muito inovadoras e seus produtos nem sempre são totalmente abarcados pela legislação. “A velocidade do mercado de TI é muito grande e o compliance às vezes não consegue acompanhar. O principal desafio atualmente é ter um mercado inovando sem perder o controle”, observa.

Carril comenta que as associações de empresas de TI devem participar desse processo.

Ricardo Bomfim

Fonte: GS Notícias

O Compliance e sua Dimensão Humana

Renato Almeida dos Santos

Desenvolver compliance sob a ótica de sua dimensão humana e mitigar riscos relacionados às condutas antiéticas dos profissionais é uma necessidade em si e, adicionalmente, tem impactos positivos na imagem organizacional, no ambiente de trabalho, na motivação dos profissionais e na perenidade das organizações.

Por esse prisma, discutir “integridade” considerando-a como a intensidade de manifestação de comportamentos dignos e honestos, isto é, o quanto o indivíduo compreende o contexto e pauta suas atitudes na perspectiva moral, é compreender a conduta de acordo com a regra (compliance) ou com o seu desvio (fraude e assédio).

O contexto organizacional criado e compartilhado pelos membros da organização é a amálgama entre o nível micro e o nível macro para a análise da dimensão humana do compliance, e sua compreensão pode apontar fatores influenciadores de comportamentos de seus indivíduos.

Então, temos no nível meso a cultura organizacional, com seus valores e pressupostos sobre o que é certo e errado, apresentando diretrizes para os seus membros, e estes influenciando também na constituição, mudança e reforço da cultura. As contingências impostas pela cultura podem coibir ou reforçar ações fraudulentas. E a organização pode influenciar sobremaneira na manutenção ou revisão da sua cultura, influenciando na percepção ética dos seus membros.

O comportamento humano, na perspectiva da implantação de um programa de Compliance, não pode ser considerado isoladamente, mas precisa da perspectiva interacionista para analisar o micro (indivíduo), o meso (cultura) e o macro (organização). “Demonizar” o colaborador que se tornou um fraudador, considerando-o um ser anômalo em essência, é uma trilha estéril, mas a compreensão das circunstâncias que influem na decisão do indivíduo mostra possibilidades de intervenção.

Se indivíduos cometem fraudes por influência das contingências, por mais variadas que estas sejam, há um prenúncio alentador: é possível não só prevenir, no sentido de aumentar a eficácia dos procedimentos para lidar com a fraude, mas também há a possibilidade de relativa predição quanto à formação do agente.

Segundo o modelo preditivo “Pentágono da Fraude”, para que uma fraude ocorra são necessários cinco fatores: racionalização, pressão, oportunidade, capacidade e disposição ao risco. A racionalização diz respeito ao discernimento do indivíduo sobre o certo e errado, a percepção moral que tem quando se depara com dilemas éticos que pautarão suas atitudes.

O fraudador precisa racionalizar seus atos; ele necessita justificar para si e para os outros que determinada ação não é errada ou, caso o seja, amenizar a situação flexibilizando os padrões éticos. A pressão é aquela a qual o indivíduo esteja submetido, considerando o contexto em que o potencial fraudador esteja vivendo em um determinado momento de sua carreira.

Oportunidade é a ideia que o potencial fraudador faz do quão vulnerável o objeto desejado está, bem como a visualização que tem dos meios para a execução dessa fraude. Ao tratar de capacidade, refere-se à habilidade do indivíduo que, com má intenção, consegue operar o sistema de forma ardilosa objetivando o cometimento da fraude. De nada adianta o pretenso fraudador possuir acesso ao sistema que pretende fraudar se ele não tem a competência para executar seu plano.

Disposição ao risco é a análise dos custos versus benefícios para decidir pelo cometimento ou não da fraude. Antes de se tornar um fraudador, o colaborador mensurará se os benefícios que a fraude trará cobrem os custos, na hipótese de ser descoberto e punido.

Sócio da S2 Consultoria e Coordenador do MBA em Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios

Fonte: Jornal do Comércio

Custo Tributário do Brasil

Atual estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) demonstra que o Brasil é o país com a maior carga tributária toda América Latina e Caribe. No entanto, o que nem sempre aparece é o chamado “custo tributário do país” que é representado pelos altos gastos das empresas com tecnologia, pessoal, contingências fiscais e etc.

Os gastos com tecnologia são diretamente proporcionados pelo desenvolvimento de diversos sistemas para atender as exigências FISCAIS, principalmente, dos SPEDs – Sistema Público de Escrituração Digital-, que são basicamente sistemas para o cumprimento das obrigações acessórias criados pelos Fiscos de todas as esferas. É o fisco empurrando para o contribuinte o dever de fiscalização que é dele. Sistemas complexos que tem demandado das empresas grandes esforços de capital, com a justificativa de combate à sonegação de tributos.

Além disso, as alterações da legislação, que para buscar atender a divisão de recursos ente os entes da federação, exigem do contribuinte novos investimentos em contratação de pessoal, treinamento, e principalmente, assunção de novos riscos de pagamento de multas por descumprimento de tantas obrigações acessórias impostas.

Exemplo disso foi a comentada Emenda Constitucional 87/2015, também conhecida como a Emenda do Comércio Eletrônico, deixando de lado a questão se é justa ou não, ela na prática gera para as empresas um maior custo tributário, pois além de ter que ajustar os sistemas para as novas exigências faz com que as empresas tenham que lidar com a legislação de todos os estados da federação o qual ela vende, o que antes não era necessário pois a lógica do ICMS é que o tributo seja devido ao estado de origem.

Todos esses custos, “invisíveis” a população, impactam diretamente a economia, canalizando recursos que poderiam ser aplicados no desenvolvimento de novos negócios ou simplesmente redução de custos. O que poderia gerar um ciclo virtuoso na economia, de redução de preços, aumento de vendas e geração de empregos.

 

Autor: Joelson Fagundes Jr.

Contador, com Mestrado em Ciências Contábeis especialista em Contabilidade Tributária, Finanças e Controladoria. Professor e palestrante nos cursos de Graduação e Pós-Graduação nas áreas Tributária-Fiscal, Controladoria e Finanças na Trevisan Escola de Negócios. Contador na Petrobras Distribuidora S.A na área de Planejamento Tributário.

Terceiros: Melhores Práticas de Gestão para o Ambiente de Negócios

As relações das empresas com os seus terceiros no dia a dia do ambiente de negócios sempre foram e serão norteadas por desafios, especialmente após a edição da Lei 12.846/13 – Anticorrupção, a qual responsabiliza as pessoas jurídicas nas esferas administrativa e civil pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira.

Temos por terceiros todos os atores que atuam em parceria para que os objetivos das organizações e das empresas sejam alcançados, ou seja, alguém que fala e age em nome da organização. Nesse universo, temos fornecedores de insumos, prestadores de serviços, parceiros de negócios, associados, representantes comerciais ou de vendas, subcontratados, distribuidores, procuradores, despachantes e até clientes. Sim, os clientes! Estes são e devem ser considerados também como terceiros.

Expressões como transferência, repasse, atribuição, acesso, entrega e delegação estão diretamente associadas às atividades terceirizadas.

Mas as organizações e as empresas contratam terceiros por quais razões? Realizam diligências adequadas? Confiam, conhecem e monitoram? Sabem de quem é a responsabilidade pela gestão das atividades e serviços prestados? Como detectar que o serviço de um terceiro está sendo ineficaz? E por fim, sabem quanto o seu terceiro se utiliza de serviços de outros terceiros?

Pois bem, estas e outras questões devem estar no “radar” dos gestores empresariais, de modo a aperfeiçoarmos o ambiente de negócios e “trazermos para o jogo” todos os terceiros que compõem a cadeia produtiva, independentemente do seu porte e do segmento de atuação.

Vale lembrar que a terceirização não é apenas um fenômeno jurídico, mas sobretudo um fenômeno de gestão e de administração. Com a evolução da dinâmica do mundo dos negócios e a descentralização de muitas das atividades, a terceirização passou a ter atuação quase que ilimitada, desde a diversificação dos processos de produção, passando pela desburocratização da estrutura administrativa, até as questões econômicas de custo versus benefício. Ou seja, ao final, a terceirização deve agregar valor e saber ao negócio.

A legislação sobre a flexibilização das regras trabalhistas vem evoluindo desde a década de 60 – livre iniciativa, trabalho temporário, contrato por prazo determinado, banco de horas etc. – e a terceirização não foge a essa evolução. E exemplo disso, temos a Súmula 331, do Superior Tribunal do Trabalho, a qual impõe limites jurídicos à terceirização, e o Projeto de Lei da Câmara dos Deputados 30/15, o qual deve ser acompanhado com atenção, considerando os diversos temas tratados em seu conteúdo, tais como o próprio conceito de terceirização no âmbito das empresas privadas (“transferência feita pela contratante da execução de parcela de qualquer de suas atividades à contratada”), requisitos, responsabilidade solidária, deveres do contratante e da contratada, multas, dentre outros.

Por falar em legislação, não podemos deixar de considerar, além da Lei 12.846 – Anticorrupção, a Lei 12.850/13 – Crime Organizado e a Lei 9.613/98 – Prevenção ao Crime de Lavagem de Dinheiro, no âmbito de gestão dos terceiros. Basta vermos o estrago que a Operação “Lava Jato” vem fazendo em diversas organizações e empresas, muitas delas terceiras, envolvidas em algum tipo de ilícito contra a administração pública.

Diante deste cenário, é fundamental gerenciar os riscos envolvidos nas relações com terceiros, sejam eles quais forem, trabalhistas, tributários, previdenciários, de logística, de gestão e até de prevenção ao cometimento de ilícitos.

Conhecer os terceiros e as suas práticas de gestão e condução de negócios, bem como conscientizá-los da necessidade de adoção das melhores práticas de governança é imperativo, sobretudo se considerarmos o cenário macroeconômico atual e futuro, onde não haverá espaço para organizações e empresas despreparadas.

As organizações e as empresas têm, neste momento, uma ótima oportunidade para “fazerem a lição de casa”, reunir os seus terceiros e chama-los a aderir às regras do jogo.

Os terceiros, pequenas, médios e grandes, que desenvolverem ou aperfeiçoarem as suas estruturas de governança certamente terão um diferencial de concorrência e maior perspectiva de oportunidades de negócios.

Para ajudar as pessoas jurídicas a se prepararem para esta nova realidade, é fundamental contar com uma assessoria de compliance e gerenciamento de riscos corporativos, considerando os diversos tipos de relacionamento e interfaces, seja com o Poder Público, seja com parceiros de negócios, prestadores de serviços e mão-de-obra terceirizada, de acordo com o segmento de atuação.

Melhorar a gestão, adotar critérios de sustentabilidade e de conduta, ter políticas e procedimentos transparentes sobre potenciais conflitos de interesse e prevenção a atos ilícitos, aperfeiçoar canais de comunicação e atendimento, oferecer treinamento e capacitação adequada aos funcionários e colaboradores, estão entre os critérios que devem ser observados pelos terceiros para o sucesso e a continuidade das suas atividades.

Autor: Emerson Siécola

Advogado, professor, palestrante e colunista. Experiência profissional de mais de 25 anos, 15 dos quais dedicados à implantação de programas de compliance e gerenciamento de riscos corporativos.

Membro do ICB – Instituto Compliance Brasil, Comissão de Estudos de Compliance do IASP -Instituto dos Advogados de São Paulo, Comissão de Compliance e Anticorrupção da OAB/SP e Grupo de Trabalho de Ética e Governança Corporativa da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, São Paulo.

A Trevisan está oferecendo o curso de extensão Educação Executiva Gestão de Terceiros na Prática : Riscos , Controles e Compliance ministrado pelo Prof. Emerson Siecola para maiores informações entrar em contato edexecutiva@trevisan.edu.br ou (011) 3138-5204 /5231.

A sua empresa está preparada para o novo ambiente legal e regulatório em matéria de governança e anticorrupção?

Desde a promulgação da Lei 12.846/13 – Lei Anticorrupção, muito se leu e ouviu a respeito sobre os impactos desse novo normativo legal face a atividade empresarial. Paralelamente, há mais de um ano, os jornais nos inundam com manchetes sobre escândalos corporativos envolvendo empresas brasileiras dos mais variados segmentos.

A necessidade de uma gestão profissional e atualizada, de acordo com as melhores práticas em matéria de governança, gestão de riscos e compliance não é uma novidade no ambiente de negócios. As empresas e as organizações já operam tendo em vista o cumprimento de leis e regulamentos específicos, de acordo com o ramo de atuação. Isso é fato. Entretanto, estamos diante de uma nova realidade que conduz as empresas e as organizações a um caminho sem volta: a urgente necessidade de conhecer e aperfeiçoar, sem exceções, as suas estruturas de governança por meio das práticas internas de gestão de riscos, controles internos e compliance.

O Decreto 8.420, em seus artigos 41 e 42, definiu o que é o Programa de Compliance (ou de Integridade), sua estrutura e aplicação, bem como os parâmetros de avaliação por parte da autoridade fiscalizadora, respectivamente.

Nesse sentido, de forma complementar aos dispositivos do citado Decreto, a CGU – Controladoria Geral da União, atual Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, emitiu, dentre outros normativos, a Portaria nº 909, a qual dispõe sobre a avaliação dos Programas de Compliance das pessoas jurídicas, observada a apresentação dos relatórios de perfil e de conformidade do programa, conforme detalhamento contido nos artigos 3º e 4º.

Vale ressaltar que, para que a empresa ou organização possa se beneficiar da redução de multas ou mesmo para a celebração de um acordo de leniência, nos termos do Decreto 8.420, a pessoa jurídica deverá informar, a respeito da estrutura do Programa de Compliance, quais são e como os parâmetros foram implementados, bem como qual a importância da implementação. Deverá demonstrar, ainda, o funcionamento do Programa de Compliance por meio do histórico de dados, estatísticas e casos concretos, considerando as premissas de prevenção, detecção e remediação, dentro de um sistema de compliance.

Em síntese, os Programas de Compliance devem ser estruturados de acordo com as atividades, características e riscos atuais da pessoa jurídica, independentemente do tamanho e setor de atuação da empresa ou organização. Não nos esqueçamos das ações voltadas aos terceiros, assim definidos como fornecedores, prestadores de serviço, agentes intermediários e associados, segundo previsão contida no Art. 42, III, do Decreto 8.420.

Enfim, quando pensamos em compliance, de modo geral, devemos refletir sobre algo muito mais amplo do que conformidade legal ou normativa, diretrizes de conduta ética ou mesmo canal de denúncias. Devemos pensar também em como gerenciar riscos, controles internos, planos de contingência e continuidade, relação com terceiros, identificação de perdas, treinamento de colaboradores etc., cuja inadequação de processos e procedimentos possam vir comprometer a continuidade da empresa ou organização.

Adequar e fortalecer o funcionamento do sistema de governança, gestão de riscos, controles internos e compliance de qualquer organização é tarefa profissional, árdua e contínua.

Lembremos: tudo que tem de ser feito, deve ser bem feito.

 

Autor: Emerson Siécola

Advogado, professor, palestrante e colunista. Experiência profissional de mais de 25 anos, 15 dos quais dedicados à implantação de programas de compliance e gerenciamento de riscos corporativos. Membro do ICB – Instituto Compliance Brasil, Comissão de Estudos de Compliance do IASP – Instituto dos Advogados de São Paulo, Comissão de Compliance e Anticorrupção da OAB/SP e Grupo de Trabalho de Ética e Governança Corporativa da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, São Paulo.

A Trevisan está oferecendo o curso de extensão Educação Executiva Lei da Anticorrupção: Da teoria á Prática e Tendências pós Operação Lava Jato, ministrado pelo Prof. Emerson Siécola nos dias 07 à 10 de novembro de 2016, para mais informações entre em contato edexecutiva@trevisan.edu.br ou (011) 3138-5204 /5231.

Predizer é mais eficaz que prevenir fraude nas organizações

Mitigar fraudes praticadas por seus profissionais é uma necessidade em si e adicionalmente, tem impactos positivos na imagem organizacional, no ambiente de trabalho, na motivação dos demais colaboradores e na perenidade das organizações.

A fraude atinge o desenvolvimento econômico da organização ao provocar ineficiência e incentivos errados, desestimulando seus colaboradores na busca pelo bem comum e gerando altos custos na organização.

As organizações buscam formas de prevenir as fraudes internas com políticas e ferramentas de controle, tais como Código de Ética, Canais de Denúncias, Monitoramento Contínuo, Treinamento e Desenvolvimento entre outros mecanismos de um Programa ‘tradicional’ de Compliance.

Ao estruturar um Programa de Compliance é fundamental considerar que há diferença substancial entre fraude e crime comum. Pois este se origina em ambiente não (ou pouco) controlado pela organização, já a fraude interna nasce do comportamento do colaborador no contexto organizacional. Daí é possível observar e compreender os componentes repetitivos das fraudes nas organizações, buscando responder questões como: “Por que a fraude ocorreu?”; “Como minha organização pode mitigar sua ocorrência?”.

Se indivíduos cometem fraudes por influência do contexto da organização em que trabalha, há um prenúncio alentador: é possível não só prevenir, no sentido de aumentar a eficácia dos procedimentos para lidar com a fraude, mas também há a possibilidade de relativa predição quanto à formação do fraudador. É possível buscar estratégias além da prevenção das consequências dos atos do fraudador e avançar nessa peleja inglória de combater a fraude depois que ela já ocorreu.

Há mais de meio século, foi elaborado o primeiro modelo preditivo denominado “Triângulo da Fraude”, o qual explica que para que uma fraude ocorra são necessários três fatores: racionalização, pressão e oportunidade. Porém, assim como o tempo a dinâmica da fraude também avançou, tornando-se mais sofisticada e de difícil identificação. Surge assim modelo “Pentágono da Fraude”, que em alusão ao modelo anterior, contempla os seguintes elementos essenciais para a ocorrência da fraude nas organizações:

  • Racionalização: discernimento do indivíduo sobre o certo e errado, é a percepção moral que tem quando se depara com dilemas éticos que pautarão suas atitudes. O fraudador precisa racionalizar seus atos; ele necessita justificar para si e para os outros que determinada ação não é errada ou, caso o seja, amenizar a situação flexibilizando os padrões éticos.
  • Pressão: à qual o indivíduo esteja submetido, considerando o contexto em que o potencial fraudador esteja vivendo em um determinado momento de sua carreira.
  • Oportunidade: é a ideia que o potencial fraudador faz do quão vulnerável o objeto desejado está, bem como a visualização que tem dos meios para a execução dessa fraude.
  • Capacidade: se refere à habilidade do indivíduo que, com má intenção, consegue operar o sistema de forma ardilosa objetivando o cometimento da fraude. De nada adianta o pretenso fraudador possuir acesso ao sistema que pretende fraudar se ele não tem a competência para executar seu plano.
  • Disposição ao Risco: é a análise dos custos versus benefícios para decidir pelo cometimento ou não da fraude ocupacional. O colaborador antes de se tornar um fraudador mensurará se os benefícios que a fraude trará cobrem os custos, na hipótese de ser descoberto e punido.

Essa última causa da fraude é cada mais fomentada pela própria organização quando incentiva que seus profissionais “assumam os riscos” e tenham “coragem para enfrentar os desafios” ou mesmo “tentar a sorte”, pois a passividade tende a ser considerada sinônimo de fracasso.

E, esta lógica é inerente à cultura da organização, na busca por ganho a qualquer custo, a sua dissociação com a perspectiva de ganhos pessoais, pode se tornar uma relação esquizofrênica entre o indivíduo e a organização.

 

Autor: Renato Almeida dos Santos

Formado em Direito, MBA em Gestão de Pessoas, Mestre e Doutor em Administração pela PUC-SP. Foi executivo da área de Compliance e Prevenção a Fraudes Organizacionais em consultoria internacional de Gestão de por 12 anos. Premiado pela CGU e Instituto Ethos e autor do livro “Compliance Mitigando Fraudes Corporativas”.Coordenador do MBA em Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios.

 

No dia 29 de outubro a Trevisan oferece o curso de Identificação e Tratamento de Fraudes, para mais informações entre em contato 3138-5231/5204 ou edexecutiva@trevisan.edu.br.