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Marketing no futebol, uma parceria ganha-ganha

A busca da conciliação

A melhor maneira de gerar benefícios aos stakeholders*, onde todos saiam ganhando, é escutar todas as partes envolvidas, suas necessidades, seus interesses, entender suas limitações e particularidades e buscar, através do diálogo, uma solução que satisfaça a todos e funcione positivamente, criando um ciclo virtuoso. Não adianta simplesmente um lado querer se dar muito bem sobre outro pois, para compensar, esse outro terá que se aproveitar de um terceiro, este de um quarto, continuando assim até que o elo mais fraco se rompa, destruindo todo o processo, destruindo valor, ou ainda se fechando onde iniciou, criando um ciclo vicioso, onde no fim, ninguém ganha.

A busca de um consenso entre todas as partes interessadas no mundo do futebol é um dos fatores primordiais da Diretoria de Marketing, se não for O fator primordial.

A lista de stakeholders em um clube de futebol é enorme, não só os diretos, mas também os indiretos. A cadeia geradora de valor envolve desde a mídia, passando pelos órgãos públicos, seguindo pelas federações e confederações, jogadores, comissão técnica, corpo diretivo, sócios do clube, comunidade, outros clubes, patrocinadores, torcedores, torcidas organizadas, sócios torcedores e simpatizantes.

No caso da Mídia por exemplo, é preciso atendê-la com atenção e ajudá-la a divulgar ao máximo o produto, sem ser invasiva, mas sem afastá-la da espontaneidade necessária para transmitir a emoção da partida, dos jogadores, de tudo que envolve o evento em si.

As entrevistas coletivas se tornaram encontros pasteurizados, onde as perguntas são basicamente as mesmas e as respostas muitas vezes monotônicas e sonolentas – talvez uma zona mista no fim dos treinos possa dar vida a esse momento – mas o ideal é sentar com os profissionais do meio e buscar caminhos para atender suas demandas, e suprir suas necessidades, criando uma parceria entre o clube e a mídia especializada.

Os patrocinadores, que são responsáveis por boa parte da receita que mantém o time funcionando, ajuda a pagar salários, a contratar jogadores, tem interesses bem particulares e distintos.

É preciso entender se os objetivos do patrocinador casam com os objetivos do clube, se existe como construir uma história em comum, onde querem chegar e se esse casamento pode ser construído sobre uma base sólida e de confiança mútua, onde o clube busque atender, surpreender e até superar as expectativas dos patrocinadores com ideias para ativações positivas para ambos.

É importante se envolver por inteiro com os patrocinadores, como se clube e empresa fossem uma só. E por fim, estruturar uma relação tão positiva que outros patrocinadores tenham interesse em juntar-se ao clube e fazer parte do seu dia a dia.

Os grupos de fãs, aí envolvendo torcedores, torcidas organizadas, sócios torcedores e simpatizantes, apesar de parecer um grupo homogêneo, está longe de sê-lo e, além disso, muitas vezes uma mesma pessoa faz parte de mais de um desses grupos.

As torcidas organizadas, que estão presentes em todas as partidas, precisam ser ouvidas e entendidas em suas particularidades, afinal são eles que organizam, que puxam a festa nos estádios. Se não existissem, muito provavelmente teríamos um ambiente teatral, onde praticamente não existiria diferença entre assistir as partidas em casa ou no estádio, como já está começando a acontecer na Inglaterra. Assim, a busca de uma conciliação entre os interesses e necessidades das Organizadas e do Clube se faz através de um diálogo aberto e franco.

Já os torcedores que comparecem às partidas, querem ter segurança, tranquilidade, se divertir, participar da festa e voltar em paz. Esse grupo, sendo o maior entre os citados, pode ser ouvido através de pesquisas e, assim, encontrar a melhor maneira de mantê-los ativos, presentes e agradá-los, evitando que outros entretenimentos concorrentes os “roubem” do estádio.

Já os Sócios Torcedores, por contribuírem mensalmente com o clube, precisam ter um atendimento diferenciado, facilidade no acesso, algumas vantagens em particular e interações exclusivas com jogadores e seus ídolos.

Simpatizantes é o grupo mais complicado de ser trabalhado e atraído, pois não estão envolvidos diretamente com o esporte e participam apenas de jogos pontuais, como finais de campeonato, clássicos, e também de eventos de repercussão mundial, como Torneios Internacionais e Copa do Mundo. Então, para que estejam presentes em todos os tipos de jogos é preciso desenvolver ações que os atraiam, garantir facilidade no transporte, serviço de qualidade no estádio, acesso rápido à internet e um bom local para assistir à partida, caso contrário todas as outras diversões existentes no mundo moderno se mostrarão mais atrativas.

Os Órgãos Públicos, principalmente os de segurança, como PM, Bombeiros e Companhia de Trânsito precisam ser ouvidos e toda a estratégia para o evento ser desenhada de comum acordo, onde não se restrinja, por excesso de zelo, o interesse do organizador do evento como também não se deixe brechas desnecessárias que causem risco para os torcedores.

São muitos detalhes e particularidades. Já participei de várias reuniões de preparação na Federação e tudo o que for combinado ali, respeitando a posição de todas as partes, precisa ser cumprida com exatidão no dia do evento.

Já que citei Federação, elas, tanto quanto a Confederação, são as responsáveis por fazer valer o regulamento da competição e também observar se tudo o que foi decidido na reunião de segurança pré-jogo será respeitado durante o evento. Além disso, precisa buscar o equilíbrio de interesses entre todos os seus filiados segundo o princípio constitucional da igualdade, ou seja, “tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades”.

Em um campeonato vários outros clubes de diferentes orçamentos, estilos, administrações, tamanho de audiência e de torcida se enfrentam e, cada um quer defender seu interesse. Normalmente os executivos de Marketing se entendem muito bem e buscam encontrar soluções que agradem a todos, mas é essencial que os clubes analisem e entendam seu posicionamento, qual o nicho de mercado que tem, quem são e onde querem chegar dentro de um planejamento, evitando de todas as formas o fanatismo que cega os profissionais e destrói valor aos olhos do mercado. A rivalidade deve permanecer dentro de campo, mas fora, todos precisam trabalhar juntos em busca de uma maior competitividade nos campeonatos, sem buscar a total “destruição” dos seus grandes rivais, pois essa rivalidade é um dos maiores atrativos do esporte, e acabar com seu adversário deixaria o seu time sem razão de existir, afinal, o que seria do Super-Homem sem Lex Luthor, de Batman sem Coringa, de Brasil sem Argentina, de Remo sem Paysandu?

Os sócios, conselheiros e conselhos também precisam ser ouvidos pelo Marketing, afinal são os “acionistas” do clube e ajudaram a construir a instituição. Muitos trazem histórias e conhecimento que sempre podem ajudar no contínuo engrandecimento e evolução da entidade. Em geral, desse grupo é formado o Board* com os Vice-Presidentes de pastas, Presidentes de Conselho, CEO e o Presidente eleito, que definem os objetivos a serem buscados pelo Corpo Diretivo, normalmente composto por executivos de mercado. Esse Corpo Diretivo, encabeçado pelo CEO ou Diretor Geral, definirá como serão implantados os procedimentos e executadas as tarefas para alcançar as metas definidas pelo Board.

Por fim, vamos ao Core Business* de um clube de futebol: o Departamento de Futebol.

Os jogadores, a comissão técnica e a direção executiva do departamento precisam estar em perfeita simbiose com a Área de Marketing afinal, o maior bem do clube, a maior atração e naturalmente a maior fonte de receitas está ali.

Todos precisam ser ouvidos pelo Marketing, desde o roupeiro, passando pelo corpo médico, técnico, administrativo e executivo, até os jogadores veteranos e os recém promovidos, para assim entender as limitações, particularidades e enxergar as oportunidades que podem ser aproveitadas para gerar receita – receita essa que será usada para melhorar ainda mais o departamento de futebol. E, nesse diálogo, a área de Marketing também precisa ser ouvida por todos os citados anteriormente, pois ela carrega todas as demandas de todos as partes interessadas e também a visão de como melhor desenvolver mercadologicamente o produto principal de um clube: a equipe de Futebol

*stakeholders – pessoa ou grupo de pessoas que possui participação, investimento ou interesse em determinada empresa ou negócio, resumindo, partes interessadas.

*Board – conselho formado por membros que representam acionistas. No caso de clubes de futebol representam os sócios. Não tem papel operacional, mas geralmente nomeia o Chefe Executivo (CEO) ou Diretor Geral que é quem montará a equipe de executivos que colocará em prática o que for decidido pelo Board.

*Core Business – significa a parte central, mais importante de um negócio, o ponto forte e estratégico de uma determinada empresa

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Futebol x Marketing, uma disputa perde-perde

“Patrocinador só quero que apareça no clube uma vez ao ano pra assinar o cheque” disse um certo presidente.
“Jogador tem que se preocupar somente em agradar em campo” comentou um tal técnico de futebol que emendou, “nem eu nem os jogadores gostamos de ações de marketing”.
“O Marketing é que tem que trabalhar para fazer dinheiro para o clube, não o futebol trabalhar para fazer dinheiro para o marketing”  jovem reconhecido e bem remunerado diretor de futebol de um grande clube

Já ouvi essas máximas várias vezes, de diferentes maneiras, mas com a atual estrutura moderna das equipes esportivas, e todos os custos envolvidos, o departamento de futebol e o de marketing precisam trabalhar em simbiose.

O futebol é o principal produto de um clube de futebol, então para vários boleiros, cartolas, diretores de futebol e técnicos, todo o clube deve trabalhar para o futebol, mas isso é uma visão míope pois na verdade é preciso que todos trabalhem juntos.

 

A falta de apoio do departamento de futebol ao marketing é um ponto fundamental. Muitos dirigentes acreditam que o Futebol está fazendo um favor quando autoriza alguma ação com patrocinadores, com Sócios Torcedores ou de prospecção de mercado. O que deveria ser uma parceria muitas vezes é uma guerra de egos, rivalidades, feudos.

O marketing trabalha para gerar dinheiro para o clube com o envolvimento de todas as áreas, desde a administrativa-financeira, passando pelo jurídico e principalmente como envolvimento da área fim, o futebol. A quase totalidade da receita gerada será usada ali, logo mais uma razão para o departamento de futebol ajudar.

 

Para essa simbiose funcionar, é preciso mostrar aos jogadores a importância deles como geradores de receita e formadores de opinião, não só nos momentos que estão em campo, mas também onde passam a maior parte do seu tempo, fora deles, deixando claro a necessidade de se engajarem em campanhas sociais, de patrocinadores e para sócio torcedores, afinal somente assim haverá interesse das empresas em investir no clube e por consequência mais dinheiro para salários e premiações. E não esquecer jamais que, como formadores de opinião e ídolos de milhares de crianças, seu comportamento vai influenciar a formação desses jovens como pessoas e da sociedade como um todo
Os atletas precisam estar conscientes, saber que cada ação sua, desde a comemoração de um gol até o que postam em redes sociais, como também sua vida particular, são de extrema relevância já que ele se tornou uma pessoa pública e, um atleta de alto rendimento, um ídolo, que atinge esse nível, perde o direito de ser “reativo”, “espontâneo” e “autêntico” em público. Infelizmente.
Mas para tudo isso funcionar bem, os clubes precisam desenvolver uma cartilha básica de comportamento, como cláusulas pétreas de uma constituição, ou seja, para jogar naquele clube é preciso seguir determinadas regras, normas e comportamentos. Assim, esse passa a ser mais um critério na hora de contratar. Entender se o jogador em questão se adapta ao perfil do clube, à personalidade daquela entidade, e não ao contrário, como vimos acontecer por vários anos.

É essencial investir não somente na parte físico, técnico e tático, mas também em treinamento de como lidar com a mídia, como se comportar em relação às redes sociais, a comentários e provocações de jornalistas que muitas vezes querem apenas criar polêmicas, gerar audiência e cliques, não se importando muito com as consequências de suas colocações ou mesmo com a veracidade delas.

O produto que o clube tem a oferecer ao mercado é o futebol, então a participação de atletas e até a comissão técnica e dirigentes em ações de engajamento do clube precisa ser massiva e feita com boa vontade e, preferencialmente, num mundo profissional, constando em contrato, e creio que, somente com todos esses passos, todos se engajarão e trabalharão juntos.

Lou Imbriano, o executivo que levou o New England Patriots ao patamar que se encontra hoje, dizia algo como: todos, do atendente ao presidente, precisam conhecer a história e o perfil do clube, de onde veio, o que a marca quer comunicar, o que ela significa, e assim entender o objetivo, onde quer chegar, como quer ser visto, reconhecido no mercado. Todos devem estar envolvidos e conscientes do espírito da marca, serem os guardiões do branding!

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Todos os clubes são grandes. Não, não são!

Meu time é grande. Tão grande quanto o seu.

No mundo do futebol quantas vezes escutamos essa afirmação?

E normalmente essa afirmação surge de torcedores de times tradicionais, mas com menor número de torcedores e menor orçamento, e principalmente quando se está discutindo a partilha da maior receita que ainda existe no futebol brasileiro: a receita de televisão.

Creio ser de conhecimento popular, e nem é preciso nos aprofundarmos em detalhes, que um anúncio de 30 segundos na Globo tem um preço maior do que o mesmo anúncio na Band ou Record ou SBT, e até dentro da mesma emissora existem preços diferentes, como anunciar no Jornal Nacional ou na Sessão da Tarde, e todos entendemos o porquê. Afinal a Globo tem uma audiência maior e determinados programas dentro da emissora tem um público maior. Então, aquele anúncio vai ser visto por um número maior de pessoas, a marca será mais percebida e mais reconhecida, e provavelmente venderá mais produtos. Isso faz total diferença na estrutura de preços de inserções.

Então, porque os clubes cujas audiências são baixíssimas brigam para dividir igualmente os valores dos direitos de transmissão?

Um clube é tão grande quanto a competência dos seus dirigentes, o tamanho, o poder aquisitivo e a disposição de gastar do seu mercado consumidor, e não o quanto o seu dirigente pensa que é.

Nessa lógica Vasco, São Paulo, Flamengo, Corinthians e Palmeiras seriam os maiores clubes nacionais, com maiores torcidas, maiores audiências e consequentemente maiores mercados consumidores, portanto emissoras de televisão estariam dispostas a pagar mais pelos direitos de transmitirem os jogos dessas equipes pois venderiam esses jogos mais facilmente a empresas interessadas em veicular seus anúncios.
Seguindo nessa mesma lógica, patrocinadores também estariam dispostos a pagar mais para ter suas marcas estampadas no peito dessas equipes.

Não há benesses. Não há interesses escusos. As empresas têm acionistas que visam ao lucro. Para obter lucro definem metas para as empresas as quais controlam. Para atingir essas metas as empresas precisam vender seu produto ou serviço. Para vender precisam ser conhecidas. Para serem conhecidas precisam ser vistas, e assim aceitam pagar mais para terem certeza que serão vistas pelo maior número de consumidores possíveis.
Se tenho um veículo, seja ele uma TV, um jornal, uma camisa de clube, um site, um outdoor bem localizado, vou cobrar por ele de acordo com o público que ele vai alcançar e que vai gerar mais receitas para sua empresa e, por esse motivo, a empresa pagará de bom grado.
Então quem é mais visto pode, e deve, cobrar mais caro para divulgar produtos e serviços.

Seguindo essa mesma lógica viriam, citando alguns, Grêmio, Inter, Flu, Galo, Cruzeiro, Santinha, como “empresas regionais” e por fim os times locais, onde a torcida está concentrada na zona metropolitana da sua localização física.

Sonhe alto mas mantenha os pés no chão. Seja realista. Não administre com paixão!!!

Lembre-se de onde veio e qual sua história; quem você é; qual sua situação atual; quem são seus consumidores, seus fãs; descubra como o mercado, como os stakeholders te enxergam; e baseado nessas informações, desenhe uma meta compatível.

Administrar com paixão é o eterno erro. Querer se enxergar maior do que é. Quem acredita que é maior do que realmente é, tende a quebrar. Por isso alguns ditos grandes clubes estão seriamente endividados e alguns clubes ditos pequenos, de menor orçamento, estão tendo sucesso.

O Porto não é do tamanho do Bayern.

A Schin não é do tamanho da Pepsi.

A Positivo não é do tamanho da Samsung.

Mas cada um focou no seu nicho para fazer o melhor.

Veja o caso do Benfica e do Leverkusen. A área de olheiros deles é muito maior que o departamento de Marketing, pois se especializaram em encontrar jogadores bons e baratos e montar boas equipes dentro de suas possibilidades.

O que os clubes pequenos e os de menor orçamento podem fazer é agregar valor à sua marca. Tentar diminuir a diferença das receitas de TV com outras receitas. Construir uma boa relação com patrocinador e consumidores. Existem vários países, empresas, clubes pelo mundo que buscaram um nicho e agregaram valor a sua marca. A Mercedes tem mercado consumidor muito menor que a FIAT. Mas fatura. Agregou valor. E por aí vai.

Como eu disse anteriormente, cada empresa, cada clube, é do tamanho do seu mercado consumidor. O que pode ser feito é gerar mais receita por consumidor, aproveitando melhor, vendendo mais a cada torcedor, transformar o fã em cliente – não adianta ele torcer e não consumir nem ir a jogos – e também vender produtos de maior valor agregado, melhorando o ticket médio.

Ou seja, se cada um focar no seu nicho, dando passos do tamanho da perna, teremos potências espalhadas por todo o país, onde a receita de TV continuará sim sendo importante, mas não a única ou a absurdamente maior.

Já existem vários grupos, empresas e times que fizeram uma autoanálise, entenderam sua posição e agora trabalham seus nichos no esporte.
Os times do Nordeste cansaram de brigar de maneira desigual com o Sul/Sudeste e criaram sua Copa. A Esporte Interativo e a Topper também focaram lá. Minha família está toda espalhada pelo Nordeste e toda vez que lá vou, vejo que as novas gerações estão cada vez mais apoiando os times locais.
Agora está na vez do Sul fazer o mesmo; já tem alavancagem para criar sua própria Copa e crescer separado do Sudeste. Times suficientemente bem estruturados. Com 3 polos no RS, 4 no SC e 2 no PR.

É um trabalho de formiguinha, de mexer com gerações, é quase como plantar tâmaras. Ganhar títulos locais, regionais, fortalece a marca. Cria laços. É a única maneira de mexer com o ranking atual.

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Arenas Arrumadas, Penteadas e Maquiadas

Acompanhei os bastidores de algumas partidas da Champions, do English Team nas Eliminatórias em Wembley, várias da Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas aqui no Brasil e uma das coisas que mais me impressionou foi a atratividade das arenas.
Elas estavam vestidas para a festa!
De longe, fora até do raio de influência das arenas, às vezes em boa parte da cidade, encontrávamos sinalização, indicação de como chegar e até orientadores que realmente orientavam.

Ao nos aproximarmos, essa presença se fazia ainda mais forte e efetiva.

As arenas surgiam imponentes e muito bem vestidas.

Já à distância, notavam-se os cuidados que tomaram para prepará-las. Orientadores ao redor do estádio com placas, pirulitos e alguns com megafones sentados no alto de uma cadeira tipo salva vidas; alguns outros andando ao redor ajudando às pessoas com ar de perdidas, o qual bem conhecemos pois em algum momento de nossas vidas estivemos perdidos em algum lugar, e todos portando mapas completos indicando acessos, setores, bilheterias e tudo o mais que pudesse ser útil.
As arenas estavam vestidas para um evento importante, uma partida de futebol de algum torneio ou campeonato o qual podíamos facilmente identificar por conta do tipo de envelopamento que havia sido aplicado. Você se sente bem recebido, incluído naquela festa. Ao se aproximar das catracas as indicações estavam ali. Após entrar, facilmente encontrava-se o caminho para o setor desejado e, ao adentrar o setor, em segundos tomávamos o assento previamente escolhido. Olhávamos em volta e tudo identificava o evento o qual escolhemos, do qual seríamos parte ativa pelas próximas horas. Sim, porque ali, dentro do estádio, nós torcedores fazemos parte da festa e era assim que faziam nos sentir.
Aí está a receita. Simples. Quando recebemos convidados na nossa casa, a decoramos e arrumamos da melhor maneira possível para fazer com que todos se sintam bem.
Então, porque não ter o mesmo pessoal bem treinado, sinalização clara e visível, bilheterias espalhadas em locais estratégicos e toda a mesma estrutura montada nos estádios brasileiros na Copa e Olimpíadas, para os jogos dos nossos campeonatos? Isso não é gasto. É investimento. É relacionamento.
Não há quem pague? Ceda. O resultado aparecerá e surgirão patrocinadores

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Convencendo os Torcedores a Entrar Mais Cedo

Um dos mais sérios problemas do match day é o acesso ao interior do estádio. Não pela falta de catracas, mas porque a grande maioria dos torcedores resolve entrar faltando de 10 a 15 minutos para o início da partida. O motivo varia entre o hábito de deixar tudo para o último momento e o desejo de aproveitar um pouco mais as liberdades e facilidades que existem do lado de fora, causando então um efeito funil, tumultuando os acessos, gerando empurra-empurra, insegurança no público e contribuindo para que aproveitadores, sem ingresso, se comprimam à entrada na tentativa de fazer com que o organizador ou a PM abram os portões para esvaziar esse “coágulo”.

 

Nos últimos quatro anos, acompanhando match days, no Brasil e na Europa, testemunhei vários tipos de ações que mitigavam esse problema, mas nunca encontrei nenhuma solução isolada que o resolvesse, o que me faz concluir que, como muitas das vezes quando enfrentamos uma dificuldade, não há uma solução mágica que resolva de pronto, mas sim um conjunto de soluções que diminuem ou solucionam a questão.

 

No caso do acesso ao estádio observei algumas excelentes ideias que funcionaram pontualmente; criei e implantei outras várias quando no Flamengo, e pensei em algumas que ainda não foram testadas, mas creio que se combinarmos todas essas possibilidades, teremos um acesso muito mais organizado.
Se os torcedores se sentem confortáveis e atraídos pelo que há do lado externo do estádio, precisamos mimetizar essa estrutura internamente em todos os graus.

 

Eles ficam nos bares ao redor, tocando, cantando e bebendo. Então se faz necessário ter bares e restaurantes simples, ou até botecos, no perímetro interno, com preços iguais ou até menores aos que encontramos do lado de fora, preços esses que podem ser majorados faltando cerca de 15 minutos para começar a partida principal.

 

Sim, digo partida principal pois um outro atrativo que precisamos voltar a ter é a preliminar, que pode ser um jogo do mesmo campeonato entre times de menor orçamento, das categorias de base, ou ainda partidas de másters, combinados ou entre sócios torcedores, com duração menor.

 

Além disso, os torcedores que entrarem até 30 minutos antes da partida principal podem receber um voucher, pessoal e intransferível, com desconto para algum jogo que o mandante queira promover, para produtos licenciados do clube ou mesmo para bebida ou lanches durante o jogo.
Já no anel interno, aconteceriam eventos pré-jogo com a presença de ídolos, ações de patrocinadores e sorteio de brindes, que envolveriam desde a bola do jogo, uniforme do jogador, até ir a saída do vestiário pós jogo e tirar foto com ídolo entre uma série de outras possibilidades.

 

Na parte externa, como já citado em outro texto, liberar o acesso ao raio de influência do estádio somente a torcedores com ingressos, sendo que as bilheterias devem ser colocadas em containers blindados e climatizados fora desse raio, e também a implantação de certas “dificuldades” para quem postergar sua entrada para os últimos 15 minutos, como delimitação por grades mais distante, maior zig zag e afunilamento do gradeado (curral).

 

Tudo isso deve ser amplamente comunicado, deixando claro como será o funcionamento dos acessos, evitando surpresas

Creio que se focarmos nas atrações, facilidades e semelhança entre ambiente e preços de bares e restaurantes interno e externo, teremos um ótimo fluxo pré-jogo. Minimizando os problemas de acesso dos últimos 15 minutos.

http://m.extra.globo.com/esporte/flamengo/flamengo-aprova-volta-ao-maracana-mas-quer-convencer-torcedor-entrar-mais-cedo-20350485.html

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Solução para a Falta de Segurança nos Estádios

É preciso encontrar soluções para a segurança nos estádios mas focar apenas nessa parte do evento é não entender a amplitude do problema.
Um grande jogo ou um clássico, começa bem mais cedo e longe do estádio. São as torcidas se preparando, torcedores decidindo qual a melhor maneira de chegar, conversas nos botecos, encontros pelas ruas. Os responsáveis pela segurança pública precisam estar à postos em todas as vias de acesso, em todos os sistemas de transporte que servem àquele evento, nas principais avenidas, estações de trem e metrô, locais de concentração de torcedores como bares e praças além das principais rotas de ônibus, garantindo ao cidadão a tranquilidade no deslocamento até o evento.
Na região ao redor do estádio, nos acessos mais próximos, o ideal seria fazer o que foi feito durante a Copa do Mundo, deixando passar somente quem puder comprovar a posse de um ingresso e, caso haja ainda ingressos à venda, ter venda fora desse raio. Ter um acesso somente para família – no caso do Maracanã existe inclusive um acesso F, de Família , onde entrariam somente pessoas com mais de 60 anos, mulheres e jovens de até 15 anos acompanhados de seus responsáveis e, todos os outros homens que não encaixassem nesse padrão obrigatoriamente teriam que entrar pelo acesso E. Assim, já solucionaríamos o problema de segurança nos arredores do estádio e nos acessos – usando o Maracanã como exemplo – mas não esquecendo de implantar catracas com leitura biométrica em todas as entradas para barrar o acesso às personae non grataemesmo que porte um ingresso.
Alguns argumentam que essa implantação seria custosa, mas cada catraca biométrica vale cerca de 17 mil reais, e implantá-las em todo um estádio como o Maracanã com cerca de 100 acessos, incluindo o custo da obra de alvenaria, chegaria a um valor próximo de 2,5 milhões de reais. Levando-se em conta que apenas um jogo de portões fechados, por conta de uma penalidade por ter deixado acessar ao estádio torcedores violentos, poderia custar um valor semelhante, creio que essa implantação compensaria.
Já na parte interna do estádio….
Todo o estádio precisa ser setorizado e precificado com valores específicos.
Duas áreas sem cadeiras, no modelo das antigas arquibancadas do Mineirão, do Maracanã e que ainda existem no Morumbi e foram inteligentemente implantadas na Arena do Grêmio, na Arena da Baixada e no estádio do Bayern München, para que as Torcidas tenham seu espaço para festar.
Um espaço exclusivamente familiar, onde seria restrito às pessoas citadas no segundo parágrafo, com acesso pelo setor F (no modelo Maracanã). Uma área e acesso exclusivo para a torcida visitante, compatível com o tamanho dessa torcida.
Área central com valores maiores por conta da localização.
Setores nobres com todo serviço de bebida, comida e estacionamento incluídos.
Toda a segurança deve ser feita por empresas particulares, contratadas pelo organizador do evento, assumindo toda a responsabilidade por tudo que possa acontecer nas áreas de acesso e no interior do estádio, sendo que toda a operação deve ser supervisionada pela Polícia Militar, que deve ser devidamente remunerada para esse trabalho na área do estádio.
E dentro do campo, para facilitar o trabalho dos stewards, uma rede, estirada entre cada um deles, deve ser providenciada, evitando-se assim as correrias pelo campo atrás de algum invasor. Já para onde for possível, um sistema de grades semelhante a Wembley, pode ser aplicável, mas cada estádio deve buscar a melhor solução para evitar invasões a campo pois a invasão esporádica é controlável, mas… e uma invasão em massa?
Em toda a área do evento, caso qualquer tipo de violência aflore, todos os envolvidos devem ser detidos e levados imediatamente ao Jecrim e, se necessário for, imobilizados com abraçadeiras de nylon.
Aplicando-se todos esses itens de segurança, o Jecrim e o Ministério Público informando à Polícia Militar e aos organizadores do evento quem são os torcedores banidos ou suspensos por determinado período de acessar aos estádios e esses dados sendo implantados nas catracas biométricas, teremos então a garantia de que a violência nos estádios irá diminuir para pequenas escaramuças entre cidadãos como as que acontecem no dia a dia em qualquer setor da sociedade.

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

A Farra da Gratuidade e da Meia Entrada

A discussão sobre preço do ingresso continua acirrada. Acusam clubes de elitizarem o futebol cobrando caro por um jogo. Sugerem até que abram mão do lucro nas Arenas para atrair mais torcedores. Claro que, algumas vezes para atrair o torcedor num momento onde o clube vai mal, precisa de apoio e não há interesse pelos seus jogos ou por puro populismo, baixam o preço. Em outros momentos, quando estão bem ou disputando título, elevam o preço, mas isso faz parte da economia de mercado, a tão falada lei da oferta e procura.

 

A montagem do preço envolve vários fatores como a capacidade do estádio, o dia e horário do jogo, o clima, a concorrência de outros eventos e atrações como shows, praia, o acesso ao estádio, a segurança, a credibilidade quanto à construção e manutenção do resultado do jogo, a qualidade do espetáculo, a falta de controle da meia-entrada e a gratuidade em geral.

 

A farra da meia-entrada e das gratuidades ao invés de baratear e/ou facilitar o acesso aos jogos, age no sentido oposto, como tudo onde o Estado quer “proteger” o cidadão fazendo benesses com o bolso alheio. Afinal, como o custo de operação continua o mesmo, esses valores precisam ser repassados a quem compra o ingresso.

 

No caso, não só os clubes de futebol, como organizadores de eventos, cinemas, teatros, fazem o cálculo do preço do ingresso levando em conta o percentual de público que vai se beneficiar dessas “vantagens”. Não há almoço grátis.
Quando idosos e menores entram gratuitamente, ocupam um lugar que poderia ser vendido. Logo esse valor terá que ser diluído entre todos os que pagam ingressos. Em alguns casos, o preço da meia é bem próximo ou é exatamente o preço do que deveria ser a inteira e, os que pagam inteira, acabam gerando uma margem maior para a operação do evento.

 

Em alguns jogos no Maracanã – estádio onde há a maior farra da gratuidade no Brasil – cerca de 60 a 70% dos ingressos são meia entrada e 10 a 20% são gratuidades.

Esse valor varia de estado para estado, às vezes até em municípios, mas em todos onde pesquisei há gratuidade apenas para menores de 12 anos, já idosos e estudantes pagam meia.

 

O caráter social que esses descontos deveriam ter, não existe. Primeiro porque é muito fácil tirar, comprar e até falsificar uma carteira de estudante. Além disso, um idoso de classe média alta, ou rico, pode ir ao estádio levando seus 4 netos, ocupando 5 lugares e não pagarão nada.

 

O que fica claro é que não é o poder público que deve definir os preços ou descontos dos eventos. O organizador é que deve ter essa responsabilidade, até porque, se ele precificar errado, muito acima, o evento será um fracasso. Se ele cobrar barato demais, levará prejuízo. Dessa forma, a ingerência do estado, mais uma vez, mesmo cheia de boas intenções, é maléfica.

 

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

O Maracanã morreu!

Não é o mesmo estádio. O mesmo ambiente. O mesmo espírito. Apenas um novo estádio – estádio não, arena. Arena esta construída no mesmo lugar e, para disfarçar a radical mudança, com a mesma estrutura externa e o nome, mas… o velho Maracanã está morto e seu espírito com ele se foi.

Vivi as três fases do Maraca:

Quando, oficialmente, 200.000 pessoas se espremiam em qualquer espaço.

Testemunhei as folclóricas comemorações que Geraldinos faziam à beira do campo, e a festa dos Arquibaldos ocupando quase todo o anel.

Quando em 2005 acabaram com a geral.

Mantiveram a estrutura das arquibancadas e alguns Geraldinos tentaram se transformar em Arquibaldos. Alguns conseguiram, mas a essência dos Geraldinos havia acabado.

Quando em 2014 acabaram com a arquibancada.

É, acabaram. Porque essa estrutura, em rampa descendo até o campo com cadeiras dobráveis, não lembra nem de perto a nossa velha e querida arquibancada.

 

Nós, torcedores, ainda buscamos nosso espaço, tentando nos adaptar aos novos setores e às novas regras para torcer impostas pela PM e pela FIFA.

Alguns vão dizer que estou sendo saudosista, que isso é a evolução do futebol. Entendo. Mas…

É preciso fazer algo para que o estádio, desculpe, arena, recupere ao menos um pouco da alma do antigo Maracanã que está perdida no limbo, talvez vagando pelo Umbral. Essa alma precisa reencarnar nessa fria, insípida, incolor, inodora, inacústica arena, trazendo de volta ao menos um pouco do que havia no passado recente, do calor das festas das torcidas, da interação com os jogadores.

Voltar a torcer sem limites de bandeiras ou instrumentos musicais; atirar papel higiênico no momento que os times entrarem em campo em separado; retirar as cadeiras dos setores superiores (norte e sul), para que nós, Arquibaldos, voltemos a nos sentir como no antigo estádio; autorizar jogadores a comemorar junto da torcida subindo os degraus e abraçando a galera e claro, precisamos trazer os Geraldinos de volta, com uma espaço específico, ao qual eles teriam acesso por um valor que qualquer torcedor apaixonado, mas sem muita grana, poderia pagar.
O Estádio do Maracanã morreu! Vida longa à Arena Maracanã!

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Torcidas Organizadas ou Torcidas Profissionalizadas?

Qual a diferença entre assistir a uma partida de futebol na Tv em casa, no bar, sozinho, com amigos, ou estar no estádio?

Qual a diferença, em emoção, de assistir pela Tv um jogo do campeonato brasileiro, alemão, inglês, americano ou chinês?

Sem festa, sem torcida, não há diferença. Ou melhor, há diferença sim. Começa a ser melhor assistir em casa, pois não preciso me deslocar, tem tudo na geladeira, o conforto do meu sofá….

Ir ao estádio assistir a uma partida de futebol precisa continuar sendo uma experiência única.

O clima da partida está no ar ainda fora do estádio. A energia flui. Os gritos. As músicas. A festa. O momento onde o nome de cada jogador é citado pelo locutor do estádio e repetido pela torcida. A entrada em campo. O foguetório. Os rolos de papel higiênico sendo atirados. As bexigas coloridas. As bandeiras tremulando. A batucada ditando o ritmo. O hino sendo entoado. As palmas ritmadas. Os braços erguidos. A comemoração do gol. A festa da vitória.

Visualizou?

Então, agora, retire tudo isso.

O estádio se transforma num teatro. A emoção existe, mas não é extravasada. Fica contida. Acontece somente no momento do gol, com palmas.

 

Proibindo as Torcidas de entrar no estádio, com todo ou parte do seu material, a Policia Militar, o Ministério Público e o STJD – Superior Tribunal de Justiça Desportiva – estão prestando um desserviço ao futebol brasileiro. Até porque esse tipo de generalização enfraquece as Torcidas do bem.

Uma solução para quando algum ato de violência acontecer no estádio, e seu executor for identificado, é o que fez recentemente a Comissão Antiviolência na Espanha quando multou em R$10 mil e proibiu de acessar o estádio por seis meses um torcedor de 17 anos que arremessou uma garrafa no Neymar durante uma partida, solução que pode ter a pena agravada de acordo com a gravidade do ato ilícito.

Aqui, o estado é incompetente, não consegue punir o verdadeiro culpado, não consegue fazer com que cumpra a pena de não acessar estádios, e o que faz? Penaliza toda a Torcida pelo comportamento de uma pessoa ou de um grupo. É como um morador assaltar um apartamento no prédio onde mora e a justiça condenar os moradores a não usarem o elevador e a garagem por alguns meses.

 

A Torcida é um BEM necessário. Eles se reúnem muito antes de cada partida para organizar a festa que vamos desfrutar no estádio, separar os instrumentos, costurar, pintar ou recuperar as bandeiras que vão bailar no ar durante a partida, preparar as faixas, mosaico, comprar rolos, encher as bexigas.

Essas pessoas, dedicadas, apaixonadas pelos seus clubes, são essenciais para a festa.

 

O que precisa ficar claro é que, se buscamos a profissionalização dos clubes, dos juízes, da administração dos estádios, devemos também buscar a profissionalização das Torcidas como entidades sem fins lucrativos e com sua prestação de contas aberta.

A saída ideal seriam os clubes trabalharem com elas, em conjunto, de uma maneira profissional, não as financiando com dinheiro do clube ou de patrocinadores, mas ajudando-as a obter todo o material necessário para a festa, a entender que a festa que fazem tem um valor e é preciso capitalizar esse valor. São bandeirões, camisões, mosaicos, faixas, bexigas, que podem vir com a marca de um apoiador ou um patrocinador que faria a compra dos materiais e aluguel do transporte para viagens pagando direto ao fornecedor, ou seja, patrocinariam determinadas Torcidas comprometidas, antes de tudo, com a paz nos estádios.
O clube poderia ajudar nessa profissionalização com o know how em negociações com patrocinadores, na estruturação e transparência de contas e até desenvolver um plano de Sócio Torcedor específico para Torcidas.

Obs.: Na verdade, no Flamengo, tivemos um diálogo aberto e contínuo com as principais torcidas, conseguindo em alguns momentos pontuais apoio de patrocinadores e lançando um plano específico de Sócio Torcedor.

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Resgatando a nova geração de torcedores brasileiros do canto de sereia do futebol europeu

Andando pelas ruas de qualquer cidade brasileira, cruzamos com crianças e adolescentes vestindo a camisa de algum clube de futebol europeu.

Famílias inteiras, mulheres, crianças e adolescentes, cada vez se sentem mais atraídos por times do “velho” continente repetindo, de certa forma, o comportamento que ainda existe em vários estados do Norte, Nordeste, Centro Oeste e até do Sul do país, onde até hoje torcedores se envolvem mais com equipes do Sudeste do que com os clubes de sua cidade ou estado.
As transmissões pela Tv, por conta do fuso horário europeu, acontecem durante a semana no horário da tarde, no qual crianças e adolescentes estão disponíveis em casa, nas ruas ou no clube, enquanto isso, os jogos de meio de semana, de maior apelo dos campeonatos no Brasil, são transmitidos às 22 horas terminando próximo à meia noite, o que inviabiliza às crianças de acompanhá-los e de desenvolver o hábito de ver nosso futebol.

No fim de semana, enquanto os jogos europeus continuam sem praticamente nenhuma concorrência no mercado nacional, acontecendo a partir das nove da manhã e seguindo até o fim da tarde, os jogos locais são transmitidos na noite de sábado, quando as crianças estão com suas famílias e os jovens com os amigos, ou no fim da tarde de domingo, único horário em que realmente todos estão disponíveis.

Vemos claramente que o futebol europeu está seduzindo os jovens fãs brasileiros da mesma forma que os times do Rio de Janeiro, quando capital do Brasil, seduziam os torcedores de quase todo o país por conta da Rádio Nacional.
Além de gradativamente buscarmos um reencaixe da programação da Tv para não continuarmos perdendo a nova geração para os europeus, transmitindo os jogos de quarta às 21h, tendo alguma partida relevante na tarde de quarta e/ou quinta no lugar da Sessão da Tarde, ampliando um pouco mais os horários de sábado e domingo para, literalmente, batermos de frente com as transmissões de fora, precisamos também atrair essas crianças e jovens de volta ao estádio onde, ali sim, somos imbatíveis.
A atmosfera do estádio, a festa nas arquibancadas, as bandeiras, os cânticos, a batucada, a entrada do time em campo, a energia durante a partida, a comemoração dos gols, ou seja, tudo que envolve uma partida de futebol dentro do estádio fazem aquelas duas horas únicas, sedutoras. Ali sim, no estádio eles sentem a presença e a energia do time.
Os adolescentes e crianças assistem e interagem com a festa, com seus times e seus ídolos, se sentindo parte do clube do coração e, somente assim deixarão de lado os times europeus os quais eles só podem, na grandessíssima maioria das vezes, assistir pela Tv.
Claro que precisamos melhorar os acessos, facilitar o transporte, cuidar da segurança fora e dentro do estádio para que os pais se sintam seguros em trazer seus filhos para as partidas.
Além de tudo isso, temos que criar pacotes com preços família, com espaço de estacionamento e áreas específicas no estádio, exatamente como faz o Tottenham Hotspurs, um dos clubes europeus que visitei em 2013.
Com todos esses cuidados, e a repetição ad nauseum desse padrão, em pouco tempo os pais se sentirão confortáveis e seguros em trazer seus filhos e filhas, e esses se engajariam cada vez mais no espírito de torcedor do seu clube de coração.
É uma guerra de mercado, e precisamos cuidar do nosso.

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro