“O Futebol Explica o Brasil”

Com esse título instigante, o jornalista e historiador Marcos Guterman* escreveu um livro original que traça um paralelo entre a história do futebol e a história do Brasil. Dividido por ordem cronológica, o livro conta desde a inserção do esporte no país, a sua transformação de jogo de elite em fenômeno popular, até a profissionalização que vivenciamos atualmente. O interessante é que o autor conseguiu demonstrar algo que eu já intuia: que o futebol no Brasil deve ser analisado e compreendido muito além de apenas um jogo e que ele pode sim explicar muito da formação da nossa sociedade.

É do futebol, por exemplo, que emprestamos a expressão “complexo de vira-latas” para designar esse sentimento nacional de inferioridade perante os estrangeiros. O termo foi criado por Nelson Rodrigues a partir da tragédia que foi a derrota para o Uruguai na final da Copa de 50 em pleno Maracanã. Depois de construirmos o maior estádio do mundo e sediarmos a primeira Copa depois da Segunda Guerra Mundial, tínhamos a grande chance de mostrar para o mundo a força da nossa mistura étnica, e fracassamos.

Ainda que oito anos depois tenhamos conseguido ganhar a Copa, o País permaneceu com pouca representatividade mundial por praticamente todo o século 20. A sensação agora, no entanto, é que vencemos definitivamente o “complexo de vira latas” por uma série de motivos:

  • Somos a 9ª maior economia do mundo;
  • Temos democracia plena e consolidada;
  • Nossa inflação está razoavelmente controlada;
  • Somos um dos maiores produtores de alimentos;
  • Temos uma indústria diversificada;
  • Não temos endividamento externo;
  • Temos autosuficiência energética;
  • Criamos o maior frigorífico do mundo;
  • Somos o 6º maior fabricante de automóveis;
  • Somos exportador de aeronaves.

Entre outros tantos exemplos positivos, é claro que ainda há uma série de desafios a enfrentar, como os altos custos tributários, a segurança e a saúde pública, a qualidade e o acesso à educação, a infra-estrutura precária. Mas o fato é que o Brasil está hoje num outro patamar. E a consolidação dessa imagem deve se dar com a realização dos dois maiores eventos esportivos que teremos a oportunidade de sediar nesta década: a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Vai ser a chance de outro de definitivamente sepultar aquela derrota de 1950.

* Marcos Guterman participou do I Encontro de Estudos Aplicados na Trevisan Escola de Negócios. Confira o resumo do evento aqui.

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