Pacote de inovação é positivo, mas deve evitar desperdício de dinheiro e ideias

É louvável a iniciativa do governo de lançar o Inova Empresa, visando incrementar a pesquisa no Brasil.

Os investimentos, de R$ 32 bilhões, são expressivos, em especial se considerarmos que serão feitos em apenas dois anos.

A medida é oportuna no âmbito das metas de acelerar a produção de novas tecnologias, ampliar o apoio a projetos de risco e promover a assistência à modernização de pequenas e médias empresas.

É, ainda, bastante pertinente enquanto fator de estímulo à economia, num cenário internacional que segue contaminado por uma das mais graves crises da história do capitalismo.

Em nosso país, contudo, nem todos os bons projetos têm execução prática eficaz, frustrando os seus idealizadores e mais ainda os potenciais beneficiários.

No caso do Inova Empresa, para evitar a repetição de erros históricos e assegurar o seu sucesso, há alguns fatores condicionantes.

O mais importante é a gestão eficiente, em especial se considerarmos que o projeto encampa investimentos já em curso.

Exemplos: do aporte total anunciado, R$ 5,9 bilhões dizem respeito ao Inova Petro, ligado à cadeia de óleo e gás, e ao Plano de Apoio à Inovação dos Setores Sucroenergéticos e Sucroquímicos, ambos em execução.

É imperativo evitar a superposição de recursos e ações, garantindo a produtividade e a aplicação do dinheiro com muito foco.

Outro fator condicionante ao sucesso do Inova Brasil é que não repita o erro de outros projetos quanto aos resultados práticos.

Precisamos, sim, ampliar pesquisa e desenvolvimento, mas no contexto da produção e da tecnologia a ela aplicada, incrementando conhecimento e recursos humanos competentes.

As estatísticas mostram que avançamos sensivelmente na pesquisa acadêmica, mas continuamos muito atrás nos rankings mundiais de registro de patentes. Isso significa que permanecemos dependentes quanto a tecnologias e processos.

Otimizando os investimentos, evitando a superposição de recursos e focando a pesquisa nos gargalos tecnológicos do país, o Inova Empresa poderá ajudar o Brasil e seu parque empresarial a dar um salto de qualidade, produtividade, tecnologia e competitividade.

Porém é necessário aprender com os erros do passado, evitando o desperdício de dinheiro e de boas ideias.

Folha de São Paulo 16/03/2013
ANTONINHO MARMO TREVISAN é o presidente da Trevisan Escola de Negócios, membro do Conselho Superior do MBC (Movimento Brasil Competitivo) e do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República).

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