Futebol x Marketing, uma disputa perde-perde

“Patrocinador só quero que apareça no clube uma vez ao ano pra assinar o cheque” disse um certo presidente.
“Jogador tem que se preocupar somente em agradar em campo” comentou um tal técnico de futebol que emendou, “nem eu nem os jogadores gostamos de ações de marketing”.
“O Marketing é que tem que trabalhar para fazer dinheiro para o clube, não o futebol trabalhar para fazer dinheiro para o marketing”  jovem reconhecido e bem remunerado diretor de futebol de um grande clube

Já ouvi essas máximas várias vezes, de diferentes maneiras, mas com a atual estrutura moderna das equipes esportivas, e todos os custos envolvidos, o departamento de futebol e o de marketing precisam trabalhar em simbiose.

O futebol é o principal produto de um clube de futebol, então para vários boleiros, cartolas, diretores de futebol e técnicos, todo o clube deve trabalhar para o futebol, mas isso é uma visão míope pois na verdade é preciso que todos trabalhem juntos.

 

A falta de apoio do departamento de futebol ao marketing é um ponto fundamental. Muitos dirigentes acreditam que o Futebol está fazendo um favor quando autoriza alguma ação com patrocinadores, com Sócios Torcedores ou de prospecção de mercado. O que deveria ser uma parceria muitas vezes é uma guerra de egos, rivalidades, feudos.

O marketing trabalha para gerar dinheiro para o clube com o envolvimento de todas as áreas, desde a administrativa-financeira, passando pelo jurídico e principalmente como envolvimento da área fim, o futebol. A quase totalidade da receita gerada será usada ali, logo mais uma razão para o departamento de futebol ajudar.

 

Para essa simbiose funcionar, é preciso mostrar aos jogadores a importância deles como geradores de receita e formadores de opinião, não só nos momentos que estão em campo, mas também onde passam a maior parte do seu tempo, fora deles, deixando claro a necessidade de se engajarem em campanhas sociais, de patrocinadores e para sócio torcedores, afinal somente assim haverá interesse das empresas em investir no clube e por consequência mais dinheiro para salários e premiações. E não esquecer jamais que, como formadores de opinião e ídolos de milhares de crianças, seu comportamento vai influenciar a formação desses jovens como pessoas e da sociedade como um todo
Os atletas precisam estar conscientes, saber que cada ação sua, desde a comemoração de um gol até o que postam em redes sociais, como também sua vida particular, são de extrema relevância já que ele se tornou uma pessoa pública e, um atleta de alto rendimento, um ídolo, que atinge esse nível, perde o direito de ser “reativo”, “espontâneo” e “autêntico” em público. Infelizmente.
Mas para tudo isso funcionar bem, os clubes precisam desenvolver uma cartilha básica de comportamento, como cláusulas pétreas de uma constituição, ou seja, para jogar naquele clube é preciso seguir determinadas regras, normas e comportamentos. Assim, esse passa a ser mais um critério na hora de contratar. Entender se o jogador em questão se adapta ao perfil do clube, à personalidade daquela entidade, e não ao contrário, como vimos acontecer por vários anos.

É essencial investir não somente na parte físico, técnico e tático, mas também em treinamento de como lidar com a mídia, como se comportar em relação às redes sociais, a comentários e provocações de jornalistas que muitas vezes querem apenas criar polêmicas, gerar audiência e cliques, não se importando muito com as consequências de suas colocações ou mesmo com a veracidade delas.

O produto que o clube tem a oferecer ao mercado é o futebol, então a participação de atletas e até a comissão técnica e dirigentes em ações de engajamento do clube precisa ser massiva e feita com boa vontade e, preferencialmente, num mundo profissional, constando em contrato, e creio que, somente com todos esses passos, todos se engajarão e trabalharão juntos.

Lou Imbriano, o executivo que levou o New England Patriots ao patamar que se encontra hoje, dizia algo como: todos, do atendente ao presidente, precisam conhecer a história e o perfil do clube, de onde veio, o que a marca quer comunicar, o que ela significa, e assim entender o objetivo, onde quer chegar, como quer ser visto, reconhecido no mercado. Todos devem estar envolvidos e conscientes do espírito da marca, serem os guardiões do branding!

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

O Reconhecimento de Receitas de Acordo com o IFRS 15 e Alterações nas Normas Brasileiras

1 Introdução

A contabilidade teve seu início em tempos remotos da civilização humana, e foi desenvolvida em função da necessidade de o ser humano obter controle e entendimento sobre seu patrimônio. Devido a globalização dos países e as constantes inovações tecnológicas o cenário econômico mundial apresentou diversas modificações durante os anos. Dessa maneira o mercado 2 de capitais no Brasil passou a se adaptar aos padrões do IASB – International Accounting Standard Board (Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade), padrão esse divulgado por meio de suas IFRS – International Financial Reporting Standards (Normas Internacionais de Relatório Financeiro).

Conforme Antunes (2012), para que ocorresse essa adaptação às normas internacionais o Brasil passou por um processo que se baseou em dois tópicos principais, primeiro foi a criação do CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis em 2005, sendo esse órgão o responsável pela tradução, adaptação e divulgação das normas internacionais. O segundo tópico refere-se à lei 11.638/07 que promoveu alterações na antiga Lei das sociedades anônimas lei 6.404/76, sendo um objetivo central equiparar os critérios contábeis adotados nos principais mercados de capitais do mundo[CC2].

Antes mesmo de se tornarem obrigatórias as normas internacionais já eram praticadas por algumas empresas de forma independente, em virtude da globalização e demanda internacional, por exemplo em empresas que tinham que reportar suas demonstrações financeiras para a matriz em outro país em geral já faziam seguindo as normas internacionais, pois para matriz era necessário que os padrões fossem iguais para a melhor visualização e interpretação dos dados contábeis e financeiros.

Apesar do grande avanço em direção a normatização das normas contábeis brasileiras com as internacionais, a contabilidade e demonstrações financeiras ainda não estão completamente em linha com as normais do IASB. Neste sentido o IFRS 15, um dos temas que ainda entrará em vigor em 2018, vem para estabelecer uma unidade para o reconhecimento de receita com clientes para as empresas com o objetivo de unificar o entendimento deste tema tanto no âmbito nacional quanto internacional.

As novas exigências afetarão diferentes entidades de maneiras diferentes. Entidades que vendem produtos e serviços em um pacote só, ou aquelas envolvidos em grandes projetos – por exemplo, nas indústrias de telecomunicações, software, engenharia, construção e imobiliária – podem sofrer mudanças significativas no momento do reconhecimento da receita. Para outras entidades, os impactos podem não ser tão relevantes. (KPMG, 2014).

Dessa maneira, a questão central deste trabalho de pesquisa surgiu com a necessidade de alinhamento das normas de contabilidade brasileiras com as normas de contabilidade internacionais, mais especificamente da adoção das práticas do IFSR 15 aplicadas às empresas 3 brasileiras bem como demonstrar as principais fases e desafios que as empresas brasileiras poderão ter visando se adaptar ao IFRS 15 – Receita de Contratos com Clientes.

2 Referencial Teórico

O Pronunciamento Técnico CPC 30 – Receitas, que trata do reconhecimento de receitas relativas à venda de bens, prestação de serviços, juros, royalties e dividendos, direciona a maneira de efetuar o reconhecimento da receita, estabelecendo critérios para cada tipo de transação. No caso da venda de bens a entidade só pode reconhecer a receita após a completa transferência ao comprador dos benefícios, riscos e o controle significativo da propriedade. Já na prestação de serviços, a receita deve ser reconhecida, proporcionalmente, aos serviços realizados e aos custos incorridos até o período de referência do balanço, desde que haja uma mensuração confiável.

O Pronunciamento Técnico CPC 17 – Contratos de Construção, correlato do IAS 11 – Construction Contracts2 , define um contrato de construção no âmbito da construção de um ativo e regulamenta que receitas, custos e despesas desses contratos sejam contabilizados de acordo com a evolução da execução da construção. Este método, conhecido como Percentage of Completion3 (PoC) requer que a receita contabilizada seja proporcional aos custos incorridos do período, utilizando-se como base as medições físicas de evolução ou a proporção dos custos incorridos em relação aos custos totais orçados no projeto. (Pirolo, 2016).

Para Braunbeck (2015) as diversas normas somadas à orientação limitada oferecida por esse conjunto de normas em assuntos como a contabilização de contratos de venda com múltiplos elementos terminaram por produzir aplicações incoerente das normas ao redor do mundo. Na falta de um arcabouço robusto de orientações para a aplicação, muitas entidades preferiam aplicar requerimentos dos princípios contábeis geralmente aceitos nos EUA, que eram prescritivos (baseados em regras e não em princípios) e com orientações por segmentos de indústria que as vezes não apresentava uma base coerente de princípios comuns. Essas circunstâncias resultaram em diferentes contabilizações para transações similares. “O desenvolvimento de uma abordagem única, baseada em princípios e com suficiente orientação era portanto uma necessidade tanto nas IFRS quanto no US GAAP”, é neste contexto que o IASB (órgão emissor das IFRS) e o FASB (órgão emissor das normas no US GAAP) convergiram para a emissão de uma única norma para os dois organismos em maio de 2014.

No cenário brasileiro, apesar de discussões relevantes e fundamentadas, as entidades replicavam posições contrastantes sobre o tema de reconhecimento de receitas, pois a diversidade de normas sobre o assunto somado a uma orientação limitada induzia, muitas vezes, à aplicação incoerente, que prejudicava a comparabilidade. Quando se tratava da contabilização de receitas oriundas de transações mais complexas, por falta de orientações mais abrangentes sobre a aplicação principalmente das IAS 11 e IAS 18, os relatórios contábeis eram preparados utilizando-se as normas US GAAP que eram mais prescritivos, e orientados a segmentos diferentes, o que gerava assimetria informacional ou seja, havia as entidades adeptas às IAS e IFRS e aos adeptos das United Stades Generally Accepted Accouting Principles (US GAAP). (Pirolo, 2016).

Para unificar o entendimento a respeito do reconhecimento de receitas, FASB e IASB convergiram no que culminou com a edição da norma IFRS 15 – Revenue from Contracts with Consumers que consolida e substitui os regulamentos e interpretações anteriores IAS 11, IAS 18, IFRIC 13, IFRIC 15, IFRIC 18 e SIC-31, que correspondem no Brasil aos Pronunciamentos Técnicos CPC 17, CPC 30 e ICPC 02. Sua aplicação obrigatória será a partir de 2018. A essência da norma IFRS 15 é propor um modelo que possa ser aplicado aos mais diversos segmentos da economia, considerando a determinação do preço de transação e em sua alocação quanto às obrigações de desemprenho do contrato para então verificar o reconhecimento das receitas (Pirolo, 2016).

3 Visão geral das etapas para atender os princípios do IFRS 15

A norma IFRS 15, em seu anexo A, define cliente: “como parte que tenha contratado uma entidade para obter bens ou serviços que sejam produto das atividades ordinárias da entidade mediante contraprestação”. Na maioria das transações é fácil identificar o cliente, porém podem ocorrer transações envolvendo diversas partes que dificultam saber quais contrapartes são clientes da entidade. Para se determinar qual parte é cliente da entidade no contrato a identificação das obrigações de desempenho no contrato podem ser bastante util.

Conforme Braunbeck (2015), pode ser trivial avaliar o reconhecimento de receita de um pequeno estabelecimento comercial pois é fácil perceber a transferência de controle, bens e direitos de uma mercadoria, bem como é possível aferir o valor que deve ser reconhecido como receita uma vez que a contrapartida, em geral, é monetária, fixa e confiável. A dificuldade surge quando ocorrem transações de maior complexidade, como por exemplo em serviços prestados ao longo de meses ou até mesmo ao longo de anos.

Antes da apresentação dos principais pontos de reconhecimento da receita à luz do IFRS 15, será demonstrado o entendimento de receita conforme a Estrutura Conceitual que define receita como o aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil na forma de fluxos de entrada ou aumentos nos ativos ou redução nos passivos que resultam em aumentos no patrimônio líquido, e que não sejam provenientes de aportes dos participantes do patrimônio. Observa-se porém que essa definição seria insuficiente para endereçar algumas questões mais complexas de receitas oriundas de contratos com clientes. Além disso a estrutura conceitual define os elementos das demonstrações financeiras, sendo eles: ativo, passivo, patrimônio líquido, receitas e despesas. Nesta estrutura conceitual verificamos que a definição de receitas e despesas dependem necessariamente da variação de ativos ou passivos.

“4.25. Os elementos de receitas e despesas são definidos como segue: (a) receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da entrada de recursos ou do aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultam em aumentos do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com a contribuição dos detentores dos instrumentos patrimoniais;” (CPC 30 (R1) – Receitas)

Esta visão é corroborada considerando o Fipecafi (2010)4 – “A receita é reconhecida na demonstração do resultado quando resulta em um aumento, que possa ser determinado em bases confiáveis, nos benefícios econômicos futuros provenientes do aumento de um ativo ou da diminuição de um passivo”.

Para Braunbeck (2015) para entender o modelo contábil de reconhecimento de receita do IFRS 15 é necessário partir da perspectiva de que os contratos com clientes geram obrigações de entregar aquilo que foi contratado e o direito de receber a contrapartida em troca daquilo que a entidade vendeu. Dessa forma, foi natural utilizar definições de ativos e passivos para recepcionar os direitos e obrigações produzidas pelos contratos. Na perspectiva de ativos e passivo a receita é reconhecida ao cumprir uma obrigação de desempenho, ou seja o reconhecimento de receito deriva da “extinção de um passivo representado pela obrigação de desempenho da entidade que se comprometeu a entregar um bem ou serviço ao cliente”.

“…praticamente haveria dois caminhos conceituais: definir receitas e despesas e a partir de seu reconhecimento, reconhecer ativos e passivos ou o contrário, definir ativos e passivos e a partir de seu reconhecimento e variações, derivar o reconhecimento de receitas e despesas. O caminho escolhido pelo IASB foi o segundo, possivelmente porque é mais robusto em termos de representação fidedigna e mensuração”. (Braunbeck, 2015)

A IFRS 15 estabelece uma abordagem abrangente para se determinar quando uma receita deve ser reconhecida e por qual montante deve ser reconhecida, nesse contexto os requerimentos para o reconhecimento e mensuração de receita de contratos com clientes pode ser aplicado utilizando um modelo que contempla 5 passos, ressaltando que essa divisão em steps tem apenas uma função didática e não significa que esses passos são sequenciais, uma vez que alguns desses passos poderão ocorrer simultaneamente. (Braunbeck, 2015).

3.1 Etapa 1 – Identificar o contrato

Para a EY (2014) o primeiro passo para aplicar o modelo previsto na norma IFRS 15 é o de identificar o contrato ou contratos para fornecimento de bens ou serviços para os clientes, que podem ser escritos, verbais ou implícitos de acordo com as práticas comerciais usuais da entidade. Em alguns casos, a norma IFRS 15 prevê que uma entidade pode ter que contabilizar dois ou mais contratos como se fosse de um único cliente. Além disso, tão logo se iniciem as obrigações de desempenho pode ser necessário que a entidade já contabilize o contrato em vez de reconhecer a receita apenas após a assinatura do contrato. A EY (2014) considera uma alteração importante em relação às normas IFRS atuais que: “A despeito da prevalência da substância sobre a forma nas normas IFRS, o tratamento de acordos verbais ou implícitos como contratos pode ser uma mudança significativa na pratica para algumas entidades. Isso pode levar à contabilização antecipada de contratos verbais, ou seja, sem aguardar que esses contratos sejam formalmente documentados”. (EY, 2014).

A KPMG (2014) adiciona que um contrato de cliente precisa atender também 4 critérios: a) reconhecimento da contraprestação é provável; b) o contrato tem que possuir substancia comercial; c) poder identificar os direitos aos bens ou serviços e condições de pagamentos; d) um contrato existe se as partes estão comprometidas com suas obrigações, ou seja, se foram aprovadas.

3.2 Etapa 2 – Identificar as obrigações de desempenho descritas no contrato 

Para a (EY, 2014) A norma exige por parte da entidade a identificação de todos bens e serviços prometidos e avaliar que esses bens e serviços constitui obrigações de desempenho separadas, ou seja, com múltiplos entregáveis. Se esses bens ou serviços são distintos, as promessas são obrigações de desempenho e são contabilizados separadamente, dessa maneira torna-se vital identificar a s obrigações de desempenho contratadas, sendo que dentro de um único contrato (ou pacote de contratos combinados) a obrigação de desempenho pode se resumir a entrega de um único produto ou serviço.

Para a KPMG (2014) um bem ou serviço prometido é distinto se preencher dois critérios. O primeiro critério diz respeito ao benefício que o cliente pode ter por conta própria ou em conjunto com recursos que já estão prontos e disponível para ele. O segundo critério que dever ser observado é a identificação separada de cada uma das promessas descritas no contrato, ou seja, “A promessa da entidade de transferir o bem ou serviço para o cliente é identificável separadamente de outras promessas no contrato”. Alguns indicadores para verificar se uma obrigação de desempenho é identificada separadamente diz respeito a dependência com outros bens ou serviços do contrato, customização, etc. Um exemplo de um contrato com mais de uma obrigação de desempenho é a venda por uma entidade de um equipamento incluindo a instalação, onde o equipamento é um item do contrato e o serviço de instalação outro, caracterizando obrigações de desempenho separadas.

Ainda segundo a visão da KPMG (2014) o critério 1 já é utilizado atualmente, o novo conceito introduzido pela norma IRFS 15 é o critério 2 que exigirá uma análise das entidades que pode resultar em um ou mais bens ou serviços sendo desagregados no contrato.

3.3 Etapa 3 – Determinar o preço de transação

A próxima etapa prevista na norma é a determinação do preço de transação, que é o montante que uma entidade tem direito em troca da transferência de bens e serviços para um cliente excluindo os valores cobrados em nome de terceiros, como alguns impostos sobre vendas por exemplo. A contraprestação prometida em um contrato pode incluir valores variáveis, fixos, ambos ou uma contraprestação que não seja dinheiro. A contraprestação variável leva em conta: descontos, créditos, concessões de preço, devoluções, bônus, outros incentivos comerciais.

A norma IFRS 15 define que o preço de transação deve refletir o valor ao qual a entidade tem direitos de acordos com o contrato existente, não incluindo as estimativas de contraprestações futuras referentes a bens ou serviços adicionais, além disso a determinação do preço de transação é de suma importância na medida que será o valor alocado às obrigações de desempenho identificadas e é reconhecida como receita a medida que essas obrigações de desemprenho são satisfeitas.

Para a KPMG (2014) para determinar o montante da contraprestação, ou seja, o preço de transação, é necessário considerar o risco de retorno da receita, determinar se a contraprestação representa uma redução do preço de transação, pagamento de bem ou serviço distinto ou uma combinação dos dois. Além disso, na contraprestação não monetária, se razoavelmente estimável, esta deverá ser mensurada pelo valor justo, caso não se utiliza o preço de venda e para os contratos com financiamentos significativos a entidade deve refletir o valor do dinheiro ao longo do tempo e ajustar o valor prometido.

A mensuração de contrapartida variável deve ser realizada através do método do valor esperado ou do método do valor mais provável. O método do valor esperado consiste no somatório dos montantes possíveis de se receber ponderados pelas respectivas probabilidades. Esta métrica poderá ser adequada em cenários onde há um grande número de contratos com características semelhantes. O segundo método pelo qual se pode mensurar uma contrapartida variável é pelo método do valor mais provável. Por esse método, de um conjunto de valores possíveis de contrapartida, a receita será mensurada pelo valor individual de maior probabilidade. Este método pode ser aplicável quando um contrato tem dois possíveis cenários.

3.4 Etapa 4 – Alocar o preço de transação

No quarto passo a entidade, após definir o preço de transação, deverá alocar esse preço a cada obrigação de desemprenho que foi identificada na segunda etapa prevista na norma na proporção do seu preço de venda independente, que pode ser entendido como um preço observável de vendas do bem ou serviço para clientes em situação semelhante. Porém, caso o preço de venda independente não possa ser diretamente observável a entidade deverá estima-lo avaliando o mercado no qual estão inseridas e estimar o preço que os clientes estariam dispostos a pagar, ou prever custos esperados e acrescentar uma margem esperada.

3.5 Etapa 5 – Reconhecer a receita

Na quinta etapa, a receita é reconhecida A receita de uma venda deve ser reconhecida quando a entidade vendedora cumpre sua obrigação de desempenho pela transferência dos bens ou serviços (i.e. ativos) prometidos ao cliente. A norma esclarece que ativos são transferidos ao cliente quando (ou na medida em que) o cliente obtém controle sobre o ativo. Para Braunbeck (2015) “controle de um ativo é definido na norma como a capacidade de direcionar seu uso e obter os benefícios remanescentes do ativo”. É importante notar que também controla um ativo a entidade que for capaz de evitar que outras entidades direcionem seu uso e obtenham benefício do ativo. Portanto, quando o cliente obtém o controle do ativo objeto do contrato de venda, a obrigação de desempenho é satisfeita e a receita passa a ser ‘merecida’ e portanto, é reconhecida.

Em muitas circunstâncias, a transferência do controle do ativo vendido ocorre em um ponto específico no tempo e, portanto, é nesse ponto do tempo que a receita será reconhecida. Há entretanto outras situações em que a transferência ocorre de maneira contínua, numa sucessão de pontos ao longo de um período e portanto, a receita acompanhará essa curva. Por isso a quinta etapa irá requerer que se avalie se a obrigação de desempenho é do tipo que se satisfaz em um ponto no tempo ou se é do tipo que se satisfaz ao longo do tempo. Para os contratos em que se conclua que as obrigações de desempenho são satisfeitas ao longo do tempo, a receita deverá ser reconhecida através da mensuração do progresso em direção à liquidação completa da obrigação, o que é também conhecido como método do percentual de conclusão ou Percentage of Completion (PoC). Este método, conhecido como Percentage of Completion (PoC) requer que a receita contabilizada seja proporcional aos custos incorridos do período, utilizando-se como base as medições físicas de evolução ou a proporção dos custos incorridos em relação aos custos totais orçados no projeto.

Na quinta etapa, a receita é reconhecida ao passo que a obrigação de desempenho é realizada. Neste ponto a norma torna claro que o controle e a transferência de riscos e benefícios podem ocorrer ao longo do tempo, e não exclusivamente em um ponto no tempo. Uma entidade reconhece a receita quando satisfaz uma obrigação de desempenho através da transferência de um produto ou serviço prometido a um cliente. O montante das receitas reconhecido é o montante destinado à obrigação de desempenho satisfeita. A obrigação de desempenho pode ser satisfeita em um ponto no tempo ou ao longo do tempo. Para obrigações de desempenho satisfeitas ao longo do tempo, uma entidade reconhece a receita ao longo do tempo, selecionando um método adequado para medir o progresso da entidade até a satisfação completa da obrigação de desempenho.

Segundo KPMG (2014) a entidade avalia se o controle é transferido ao longo do tempo, se o contrato atender pelo menos um dos seguintes critérios: o cliente recebe e consome ao mesmo tempo os benefícios fornecidos pela entidade, conforme ela atua, a exemplo de serviços recorrentes ou de rotina; a entidade cria ou aprimora um ativo que o cliente controla à medida que o ativo é criado ou aprimorado; a entidade não cria um ativo com uso alternativo, e a mesma tendo o direito executável de exigir o pagamento pela execução concluída até o momento. Se um ou mais critérios forem observados a entidade reconhece a receita ao longo do tempo utilizando o método que melhor demonstrar o seu desempenho, pois o objetivo é que o cliente perceba o desempenho da entidade durante a transferência do controle. Se nenhum dos três critérios para o reconhecimento da receita ao longo do tempo for atendido, a entidade reconhece a receita no momento em que transfere o controle do bem ou serviço para o cliente. Se nenhum dos três critérios para o reconhecimento da receita ao longo do tempo for atendido, a entidade reconhece a receita no momento em que transfere o controle do bem ou serviço para o cliente e utiliza alguns indicadores para verificar se o controle foi transferido ao cliente, como por exemplo a posse física do bem, a titularidade, a transferência de riscos e benefícios, se o cliente aceitou o ativo e se há uma obrigação presente a pagar.

3.6 Custos

Os custos incrementais incorridos como resultado da obtenção de um contrato serão capitalizados se a entidade esperar recuperar esses custos, porém se o período de amortização do ativo for igual ou menor que um ano a entidade pode lançar esses custos como despesas conforme incorridos. Os custos capitalizados estão sujeitos a testes de redução ao valor recuperável e serão amortizados em uma base sistemática considerando os períodos esperados por renovação dos contratos.

Já no caso dos custos incorridos no cumprimento de um contrato que não sejam tratados por outras normas, deverão ser reconhecidos como ativo somente se atenderem aos seguintes critérios: (a) os custos se referem diretamente a um contrato existente ou um contrato específico que se antecipa que será firmado; (b) os custos geram ou melhoram recursos da entidade que serão utilizados no cumprimento das obrigações de desempenho no futuro; e (c) se espera que os custos sejam recuperados. Esse poderia ser o caso de gastos realizados por uma entidade no desenho de uma determinada estrutura que auxiliará na prestação de um serviço a um cliente e que não será transferido ao cliente. Se a entidade concluir que esses gastos não são tratados por outra norma (por exemplo, a norma de intangíveis), deverá avaliar se atende aos critérios de (a) a (c) acima para concluir se deve reconhecer tais gastos como ativo ou despesa. (Braunbeck).

Para a KPMG (2014) a exigência de capitalizar os custos de obtenção de um contrato pode representar um desafio para as entidades, sobretudo aquelas com muitos contratos e diversos termos contratuais, além de representar uma mudança para as entidades que atualmente lançam como despesas esses custos.

3.7 Divulgação e apresentação

Conforme o IFRS 15 há um objetivo de divulgação que é o de que uma entidade forneça informações suficientes para permitir que os usuários das demonstrações financeiras entendam a natureza, valor, época e a incerteza da receita e fluxos de caixa resultantes de contratos de clientes, dessa maneira é requerido que a entidade divulgue informações qualitativas e quantitativas a respeito de seus contratos com os clientes, julgamentos significativos ou mudanças nos julgamentos, desagregação da receita além de qualquer ativo reconhecidos dos custos para obter ou cumprir um contrato com um cliente.

Para a EY (2014), a IFRS 15 aumenta significativamente o volume de divulgação requerida nas demonstrações financeiras das entidades, principalmente das divulgações anuais. A maioria das divulgações se referem aos contratos de uma entidade com clientes, incluindo a desagregação da receita em categorias para ilustrar como a natureza, valor, época e incerteza sobre a receita e fluxos de caixa são afetados por fatores econômicos, além disso deverá apresentar informações sobre os saldos de ativos e passivos de contratos e informações sobre as obrigações de desempenho de uma entidade.

4 Possíveis impactos e desafios que as entidades poderão enfrentar

Para muitas entidades, o tratamento da contraprestação variável segundo a nova norma representaria uma mudança significativa com relação à prática corrente. Segundo as normas IFRS atuais, os preparadores frequentemente adiam a mensuração da contraprestação variavel até que a receita possa ser mensurada com confiabilidade, o que poderia ser quando a incerteza deixa de existir ou quando o pagamento é recebido. Em contrapartida, a restrição sobre a contraprestação variável na nova norma é uma forma inteiramente nova de avaliar a contraprestação variável, sendo aplicável a todos os tipos de contraprestação variável em todas as transações. Como resultado, dependendo das exigências anteriormente aplicadas, algumas entidades poderão antecipar o reconhecimento da receita com a nova norma, ao passo que outras poderão reconhecer a receita mais tarde. (EY)

Segundo o IFRS 15, esperar até que ocorra a venda final não será mais aceitavel se a única incerteza for a variabilidade na determinação do preço. Isso porque a IFRS 15 exige que a entidade estime a contraprestação variável com base nas informações disponíveis, levando em consideração o efeito da restrição sobre a contraprestação variável. Contudo, em alguns casos, os resultados obtidos de acordo com os novos métodos ou com os métodos atuais podem ser semelhantes.

Alguns setores da indústria poderão ser mais afetados que outros conforme o modelo apresentado na norma, dessa forma algumas etapas podem resultar em maiores impactos para um tipo de indústria específica em comparação as práticas atuais, por exemplo o setor de produtos de consumo precisará identificar se a transferência de controle ocorre no ponto de entrega do produto ou no ponto de embarque, pois a norma define que parte do preço de transação deverá ser direcionado para um serviço de transporte no caso de a transferência ocorrer no ponto de embarque, o setor imobiliário deverá exercer julgamento significativo para avaliar o momento exato da transferência do controle, o setor de telecomunicações e de tecnologia deverão analisar com cuidado a identificação das obrigações de desempenho pois a receita deverá ser atribuída separadamente para cada elemento distinto. No quadro abaixo é possível observar um resumo com os principais setores que poderão ser afetados em cada uma das etapas anteriormente descritas:

Alguns desafios ou dificuldades que as entidades podem ter durante a implementação desta norma, segundo a KPMG (2014) e EY (2014), diz respeito a uma possível aceleração ou diferimento do reconhecimento da receita em comparação com a contabilidade atual, o reconhecimento de receita pode ser acelerado ou diferido para transações com múltiplos elementos, valores de contraprestação variável ou licenças. As principais métricas e índices financeiros podem ser afetados, afetando as expectativas dos analistas, precificações contingentes, acordos de remuneração e cláusulas contratuais de “covenants5 [CC3]”. Pode ser necessário revisões no planejamento tributário, e planos de incentivo de vendas como por exemplo comissões, e melhorias dos sistemas de TI para capturar dados adicionais necessários para atender a norma. Pode haver a necessidade da criação de novos sistemas e processos visando a aplicação da nova norma retrospectivamente, uma vez que será necessário manter registros paralelos durante o período de transição. Pode ser necessária uma revisão dos processos de controles internos necessários para assegurar a integridade e precisão das informações além de preparar as informações para as novas divulgações requeridas.

Cada entidade pode ser afetada pelo IFRS 15 de maneira diferente, considerando as características dos setores econômicos em que atuam e as especificidades que própria entidade possui. Abaixo apresentamos um quadro com as principais mudanças gerais ocorridas considerando as normas atuais e a norma do IFRS 15 bem como seus possíveis efeitos.

5 Conclusão

Conforme foi possível observar no desenvolvimento da pesquisa proposta, demonstrou-se os principais pontos e assuntos tratados na norma IFRS 15 – Receitas de Contratos com Clientes, as possíveis fases de adoção desta norma que será obrigatório no Brasil a partir de 2018, bem como discutiu-se eventuais problemas e dificuldades relacionadas a aplicação da norma, mencionando as principais mudanças que irão ocorrer em comparação às normas atuais e os possíveis efeitos que essas alterações poderão causar.

A nova norma IFRS 15 tem por objetivo padronizar o reconhecimento de receita, é fundamentada em princípios em contraponto às regras e visa a transparência das informações com exigências de divulgação que irão ajudar os usuários das demonstrações financeiras a entender as incertezas em relação ao reconhecimento de receita e aos fluxos de caixa decorrentes de contratos com clientes.

O IFRS 15 poderá não apresentar alterações relevantes para algumas entidades, porém para outras observa-se que haverá alterações significativas principalmente no que tange aos julgamentos que precisarão ser exercidos. Cada setor da atividade econômica, devido às características do mercado em que opera pode ser influenciado de uma maneira diferente pela nova norma que entrará em vigor em 2018, por exemplo o setor de produtos de consumo precisará identificar se a transferência de controle ocorre no ponto de entrega do produto ou no ponto de embarque, pois a norma define que parte do preço de transação deverá ser direcionado para um serviço de transporte no caso de a transferência ocorrer no ponto de embarque, o setor imobiliário deverá exercer julgamento significativo para avaliar o momento exato da transferência do controle, o setor de telecomunicações e de tecnologia deverão analisar com cuidado a identificação das obrigações de desempenho pois a receita deverá ser atribuída separadamente para cada elemento distinto.

Além disso poderá ser necessário que as entidades reforcem seus sistemas de Tecnologia da Informação e tornar os controles internos da organização muito mais robustos, para serem capazes de responderem as demandas e implicações que poderão afetar seus negócios, bem como sua divulgação financeira. Torna-se vital, dessa forma, que as entidades avaliem e identifiquem quais serão os possíveis impactos que poderão afeta-las no período inicial da norma, fazendo uma análise dos contratos além de ser necessário uma comunicação eficiente e eficaz entre todos os departamentos da organização, como por exemplo vendas, jurídico, TI, etc., uma vez que os efeitos produzidos pela aplicação da norma irão muito além do departamento financeiro e/ou contábil. É importante que as entidades avaliem a partir desse ano os principais temas que poderão afetá-las com o objetivo de antecipar problemas futuros uma vez que a norma iniciará em 2018 porém para efeitos comparativos para 2017.

Autor:

Rodrigo Sapienza, ex-aluno do curso de graduação em Ciências Contábeis da Trevisan Escola de Negócios.

A Obrigatoriedade do Registro Contábil para o Exercício Profissional

Muitas dúvidas são suscitadas quando o assunto é trabalho na área contábil. Questões como: “Posso exercer a função de auxiliar contábil sem o registro? Trabalho na área fiscal, preciso de registro? Ainda estou cursando ciências contábeis, posso trabalhar na área? Trabalho no escritório de contabilidade, mas sou registrado como auxiliar administrativo, isso é possível? A resposta genérica para todas as questões é não. Não pode, porém, há algumas exceções. Vejamos.

O fato é que a legislação contábil é muito clara nesse sentido. O decreto-lei 9.295/46, em seu artigo 25 e 26, define as atribuições do profissional da contabilidade. Ainda que no seu art. 12 (alterado pela Lei 12.249/10), determina que somente poderão exercer a profissão contábil após a conclusão do curso de Bacharelado em Ciências Contábeis e aprovação no Exame de Suficiência destaca-se que o inciso 2º do mesmo artigo assegura o direito aos técnicos em contabilidade já registrado no respectivo conselho até 1º de junho de 2015, as mesmas prerrogativas do exercício profissional.

Observa-se, no entanto, que muitas pessoas trabalham em departamentos contábeis e fiscais e até em escritórios de contabilidade exercendo a profissão contábil de forma irregular. Muitos são registrados na função de auxiliar administrativo e desenvolvem a atividade contábil e fiscal, porém nem estudantes da área são.

A resolução 1.372/2011 do Conselho Federal de Contabilidade trás no bojo do art. 1º a expressa referência que somente poderá exercer a profissão contábil, em qualquer modalidade de serviço ou atividade o contabilista, e por esse entenda-se técnicos e bacharéis, registrados em Conselho Regional de Contabilidade.

É pertinente destacar que muitos são os casos em que o órgão fiscalizador regional identifica e autua eticamente os responsáveis por facilitar o exercício ilegal da profissão que poderá culminar em último caso em uma censura pública, expondo seu nome, além de ferir o artigo 47º da lei de contravenções penais. No judiciário encontram-se dezenas ações judiciais questionando a legalidade, porém em 99% dos casos a justiça assegura ao Conselho Regional o direito de interpor sanções administrativas cabíveis.

Com o fim da concessão de registro profissional aos novos formandos no curso de técnicos em contabilidade, cabe ao empregador contratar um bacharel em ciências contábeis devidamente habilitado e registrado junto ao conselho regional, evitando assim qualquer tipo de infração ou penalidade cabível.

Autor:  Prof. Cristiano de Souza Corrêa

Contador, consultor nas áreas contábil, tributária e financeira, graduado e mestre em Ciências Contábeis e Controladoria pela PUC/SP. Atualmente é Coordenador do curso de graduação e Professor de graduação e pós-graduação da Trevisan Escola Superior de Negócios. Leciona no curso de Administração de Empresas do Centro Universitário São Camilo. É pesquisador na área de Inteligência de Negócios (Business Intelligence), palestrante e conferencista.

Todos os clubes são grandes. Não, não são!

Meu time é grande. Tão grande quanto o seu.

No mundo do futebol quantas vezes escutamos essa afirmação?

E normalmente essa afirmação surge de torcedores de times tradicionais, mas com menor número de torcedores e menor orçamento, e principalmente quando se está discutindo a partilha da maior receita que ainda existe no futebol brasileiro: a receita de televisão.

Creio ser de conhecimento popular, e nem é preciso nos aprofundarmos em detalhes, que um anúncio de 30 segundos na Globo tem um preço maior do que o mesmo anúncio na Band ou Record ou SBT, e até dentro da mesma emissora existem preços diferentes, como anunciar no Jornal Nacional ou na Sessão da Tarde, e todos entendemos o porquê. Afinal a Globo tem uma audiência maior e determinados programas dentro da emissora tem um público maior. Então, aquele anúncio vai ser visto por um número maior de pessoas, a marca será mais percebida e mais reconhecida, e provavelmente venderá mais produtos. Isso faz total diferença na estrutura de preços de inserções.

Então, porque os clubes cujas audiências são baixíssimas brigam para dividir igualmente os valores dos direitos de transmissão?

Um clube é tão grande quanto a competência dos seus dirigentes, o tamanho, o poder aquisitivo e a disposição de gastar do seu mercado consumidor, e não o quanto o seu dirigente pensa que é.

Nessa lógica Vasco, São Paulo, Flamengo, Corinthians e Palmeiras seriam os maiores clubes nacionais, com maiores torcidas, maiores audiências e consequentemente maiores mercados consumidores, portanto emissoras de televisão estariam dispostas a pagar mais pelos direitos de transmitirem os jogos dessas equipes pois venderiam esses jogos mais facilmente a empresas interessadas em veicular seus anúncios.
Seguindo nessa mesma lógica, patrocinadores também estariam dispostos a pagar mais para ter suas marcas estampadas no peito dessas equipes.

Não há benesses. Não há interesses escusos. As empresas têm acionistas que visam ao lucro. Para obter lucro definem metas para as empresas as quais controlam. Para atingir essas metas as empresas precisam vender seu produto ou serviço. Para vender precisam ser conhecidas. Para serem conhecidas precisam ser vistas, e assim aceitam pagar mais para terem certeza que serão vistas pelo maior número de consumidores possíveis.
Se tenho um veículo, seja ele uma TV, um jornal, uma camisa de clube, um site, um outdoor bem localizado, vou cobrar por ele de acordo com o público que ele vai alcançar e que vai gerar mais receitas para sua empresa e, por esse motivo, a empresa pagará de bom grado.
Então quem é mais visto pode, e deve, cobrar mais caro para divulgar produtos e serviços.

Seguindo essa mesma lógica viriam, citando alguns, Grêmio, Inter, Flu, Galo, Cruzeiro, Santinha, como “empresas regionais” e por fim os times locais, onde a torcida está concentrada na zona metropolitana da sua localização física.

Sonhe alto mas mantenha os pés no chão. Seja realista. Não administre com paixão!!!

Lembre-se de onde veio e qual sua história; quem você é; qual sua situação atual; quem são seus consumidores, seus fãs; descubra como o mercado, como os stakeholders te enxergam; e baseado nessas informações, desenhe uma meta compatível.

Administrar com paixão é o eterno erro. Querer se enxergar maior do que é. Quem acredita que é maior do que realmente é, tende a quebrar. Por isso alguns ditos grandes clubes estão seriamente endividados e alguns clubes ditos pequenos, de menor orçamento, estão tendo sucesso.

O Porto não é do tamanho do Bayern.

A Schin não é do tamanho da Pepsi.

A Positivo não é do tamanho da Samsung.

Mas cada um focou no seu nicho para fazer o melhor.

Veja o caso do Benfica e do Leverkusen. A área de olheiros deles é muito maior que o departamento de Marketing, pois se especializaram em encontrar jogadores bons e baratos e montar boas equipes dentro de suas possibilidades.

O que os clubes pequenos e os de menor orçamento podem fazer é agregar valor à sua marca. Tentar diminuir a diferença das receitas de TV com outras receitas. Construir uma boa relação com patrocinador e consumidores. Existem vários países, empresas, clubes pelo mundo que buscaram um nicho e agregaram valor a sua marca. A Mercedes tem mercado consumidor muito menor que a FIAT. Mas fatura. Agregou valor. E por aí vai.

Como eu disse anteriormente, cada empresa, cada clube, é do tamanho do seu mercado consumidor. O que pode ser feito é gerar mais receita por consumidor, aproveitando melhor, vendendo mais a cada torcedor, transformar o fã em cliente – não adianta ele torcer e não consumir nem ir a jogos – e também vender produtos de maior valor agregado, melhorando o ticket médio.

Ou seja, se cada um focar no seu nicho, dando passos do tamanho da perna, teremos potências espalhadas por todo o país, onde a receita de TV continuará sim sendo importante, mas não a única ou a absurdamente maior.

Já existem vários grupos, empresas e times que fizeram uma autoanálise, entenderam sua posição e agora trabalham seus nichos no esporte.
Os times do Nordeste cansaram de brigar de maneira desigual com o Sul/Sudeste e criaram sua Copa. A Esporte Interativo e a Topper também focaram lá. Minha família está toda espalhada pelo Nordeste e toda vez que lá vou, vejo que as novas gerações estão cada vez mais apoiando os times locais.
Agora está na vez do Sul fazer o mesmo; já tem alavancagem para criar sua própria Copa e crescer separado do Sudeste. Times suficientemente bem estruturados. Com 3 polos no RS, 4 no SC e 2 no PR.

É um trabalho de formiguinha, de mexer com gerações, é quase como plantar tâmaras. Ganhar títulos locais, regionais, fortalece a marca. Cria laços. É a única maneira de mexer com o ranking atual.

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Arenas Arrumadas, Penteadas e Maquiadas

Acompanhei os bastidores de algumas partidas da Champions, do English Team nas Eliminatórias em Wembley, várias da Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas aqui no Brasil e uma das coisas que mais me impressionou foi a atratividade das arenas.
Elas estavam vestidas para a festa!
De longe, fora até do raio de influência das arenas, às vezes em boa parte da cidade, encontrávamos sinalização, indicação de como chegar e até orientadores que realmente orientavam.

Ao nos aproximarmos, essa presença se fazia ainda mais forte e efetiva.

As arenas surgiam imponentes e muito bem vestidas.

Já à distância, notavam-se os cuidados que tomaram para prepará-las. Orientadores ao redor do estádio com placas, pirulitos e alguns com megafones sentados no alto de uma cadeira tipo salva vidas; alguns outros andando ao redor ajudando às pessoas com ar de perdidas, o qual bem conhecemos pois em algum momento de nossas vidas estivemos perdidos em algum lugar, e todos portando mapas completos indicando acessos, setores, bilheterias e tudo o mais que pudesse ser útil.
As arenas estavam vestidas para um evento importante, uma partida de futebol de algum torneio ou campeonato o qual podíamos facilmente identificar por conta do tipo de envelopamento que havia sido aplicado. Você se sente bem recebido, incluído naquela festa. Ao se aproximar das catracas as indicações estavam ali. Após entrar, facilmente encontrava-se o caminho para o setor desejado e, ao adentrar o setor, em segundos tomávamos o assento previamente escolhido. Olhávamos em volta e tudo identificava o evento o qual escolhemos, do qual seríamos parte ativa pelas próximas horas. Sim, porque ali, dentro do estádio, nós torcedores fazemos parte da festa e era assim que faziam nos sentir.
Aí está a receita. Simples. Quando recebemos convidados na nossa casa, a decoramos e arrumamos da melhor maneira possível para fazer com que todos se sintam bem.
Então, porque não ter o mesmo pessoal bem treinado, sinalização clara e visível, bilheterias espalhadas em locais estratégicos e toda a mesma estrutura montada nos estádios brasileiros na Copa e Olimpíadas, para os jogos dos nossos campeonatos? Isso não é gasto. É investimento. É relacionamento.
Não há quem pague? Ceda. O resultado aparecerá e surgirão patrocinadores

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Convencendo os Torcedores a Entrar Mais Cedo

Um dos mais sérios problemas do match day é o acesso ao interior do estádio. Não pela falta de catracas, mas porque a grande maioria dos torcedores resolve entrar faltando de 10 a 15 minutos para o início da partida. O motivo varia entre o hábito de deixar tudo para o último momento e o desejo de aproveitar um pouco mais as liberdades e facilidades que existem do lado de fora, causando então um efeito funil, tumultuando os acessos, gerando empurra-empurra, insegurança no público e contribuindo para que aproveitadores, sem ingresso, se comprimam à entrada na tentativa de fazer com que o organizador ou a PM abram os portões para esvaziar esse “coágulo”.

 

Nos últimos quatro anos, acompanhando match days, no Brasil e na Europa, testemunhei vários tipos de ações que mitigavam esse problema, mas nunca encontrei nenhuma solução isolada que o resolvesse, o que me faz concluir que, como muitas das vezes quando enfrentamos uma dificuldade, não há uma solução mágica que resolva de pronto, mas sim um conjunto de soluções que diminuem ou solucionam a questão.

 

No caso do acesso ao estádio observei algumas excelentes ideias que funcionaram pontualmente; criei e implantei outras várias quando no Flamengo, e pensei em algumas que ainda não foram testadas, mas creio que se combinarmos todas essas possibilidades, teremos um acesso muito mais organizado.
Se os torcedores se sentem confortáveis e atraídos pelo que há do lado externo do estádio, precisamos mimetizar essa estrutura internamente em todos os graus.

 

Eles ficam nos bares ao redor, tocando, cantando e bebendo. Então se faz necessário ter bares e restaurantes simples, ou até botecos, no perímetro interno, com preços iguais ou até menores aos que encontramos do lado de fora, preços esses que podem ser majorados faltando cerca de 15 minutos para começar a partida principal.

 

Sim, digo partida principal pois um outro atrativo que precisamos voltar a ter é a preliminar, que pode ser um jogo do mesmo campeonato entre times de menor orçamento, das categorias de base, ou ainda partidas de másters, combinados ou entre sócios torcedores, com duração menor.

 

Além disso, os torcedores que entrarem até 30 minutos antes da partida principal podem receber um voucher, pessoal e intransferível, com desconto para algum jogo que o mandante queira promover, para produtos licenciados do clube ou mesmo para bebida ou lanches durante o jogo.
Já no anel interno, aconteceriam eventos pré-jogo com a presença de ídolos, ações de patrocinadores e sorteio de brindes, que envolveriam desde a bola do jogo, uniforme do jogador, até ir a saída do vestiário pós jogo e tirar foto com ídolo entre uma série de outras possibilidades.

 

Na parte externa, como já citado em outro texto, liberar o acesso ao raio de influência do estádio somente a torcedores com ingressos, sendo que as bilheterias devem ser colocadas em containers blindados e climatizados fora desse raio, e também a implantação de certas “dificuldades” para quem postergar sua entrada para os últimos 15 minutos, como delimitação por grades mais distante, maior zig zag e afunilamento do gradeado (curral).

 

Tudo isso deve ser amplamente comunicado, deixando claro como será o funcionamento dos acessos, evitando surpresas

Creio que se focarmos nas atrações, facilidades e semelhança entre ambiente e preços de bares e restaurantes interno e externo, teremos um ótimo fluxo pré-jogo. Minimizando os problemas de acesso dos últimos 15 minutos.

http://m.extra.globo.com/esporte/flamengo/flamengo-aprova-volta-ao-maracana-mas-quer-convencer-torcedor-entrar-mais-cedo-20350485.html

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Solução para a Falta de Segurança nos Estádios

É preciso encontrar soluções para a segurança nos estádios mas focar apenas nessa parte do evento é não entender a amplitude do problema.
Um grande jogo ou um clássico, começa bem mais cedo e longe do estádio. São as torcidas se preparando, torcedores decidindo qual a melhor maneira de chegar, conversas nos botecos, encontros pelas ruas. Os responsáveis pela segurança pública precisam estar à postos em todas as vias de acesso, em todos os sistemas de transporte que servem àquele evento, nas principais avenidas, estações de trem e metrô, locais de concentração de torcedores como bares e praças além das principais rotas de ônibus, garantindo ao cidadão a tranquilidade no deslocamento até o evento.
Na região ao redor do estádio, nos acessos mais próximos, o ideal seria fazer o que foi feito durante a Copa do Mundo, deixando passar somente quem puder comprovar a posse de um ingresso e, caso haja ainda ingressos à venda, ter venda fora desse raio. Ter um acesso somente para família – no caso do Maracanã existe inclusive um acesso F, de Família , onde entrariam somente pessoas com mais de 60 anos, mulheres e jovens de até 15 anos acompanhados de seus responsáveis e, todos os outros homens que não encaixassem nesse padrão obrigatoriamente teriam que entrar pelo acesso E. Assim, já solucionaríamos o problema de segurança nos arredores do estádio e nos acessos – usando o Maracanã como exemplo – mas não esquecendo de implantar catracas com leitura biométrica em todas as entradas para barrar o acesso às personae non grataemesmo que porte um ingresso.
Alguns argumentam que essa implantação seria custosa, mas cada catraca biométrica vale cerca de 17 mil reais, e implantá-las em todo um estádio como o Maracanã com cerca de 100 acessos, incluindo o custo da obra de alvenaria, chegaria a um valor próximo de 2,5 milhões de reais. Levando-se em conta que apenas um jogo de portões fechados, por conta de uma penalidade por ter deixado acessar ao estádio torcedores violentos, poderia custar um valor semelhante, creio que essa implantação compensaria.
Já na parte interna do estádio….
Todo o estádio precisa ser setorizado e precificado com valores específicos.
Duas áreas sem cadeiras, no modelo das antigas arquibancadas do Mineirão, do Maracanã e que ainda existem no Morumbi e foram inteligentemente implantadas na Arena do Grêmio, na Arena da Baixada e no estádio do Bayern München, para que as Torcidas tenham seu espaço para festar.
Um espaço exclusivamente familiar, onde seria restrito às pessoas citadas no segundo parágrafo, com acesso pelo setor F (no modelo Maracanã). Uma área e acesso exclusivo para a torcida visitante, compatível com o tamanho dessa torcida.
Área central com valores maiores por conta da localização.
Setores nobres com todo serviço de bebida, comida e estacionamento incluídos.
Toda a segurança deve ser feita por empresas particulares, contratadas pelo organizador do evento, assumindo toda a responsabilidade por tudo que possa acontecer nas áreas de acesso e no interior do estádio, sendo que toda a operação deve ser supervisionada pela Polícia Militar, que deve ser devidamente remunerada para esse trabalho na área do estádio.
E dentro do campo, para facilitar o trabalho dos stewards, uma rede, estirada entre cada um deles, deve ser providenciada, evitando-se assim as correrias pelo campo atrás de algum invasor. Já para onde for possível, um sistema de grades semelhante a Wembley, pode ser aplicável, mas cada estádio deve buscar a melhor solução para evitar invasões a campo pois a invasão esporádica é controlável, mas… e uma invasão em massa?
Em toda a área do evento, caso qualquer tipo de violência aflore, todos os envolvidos devem ser detidos e levados imediatamente ao Jecrim e, se necessário for, imobilizados com abraçadeiras de nylon.
Aplicando-se todos esses itens de segurança, o Jecrim e o Ministério Público informando à Polícia Militar e aos organizadores do evento quem são os torcedores banidos ou suspensos por determinado período de acessar aos estádios e esses dados sendo implantados nas catracas biométricas, teremos então a garantia de que a violência nos estádios irá diminuir para pequenas escaramuças entre cidadãos como as que acontecem no dia a dia em qualquer setor da sociedade.

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

A Farra da Gratuidade e da Meia Entrada

A discussão sobre preço do ingresso continua acirrada. Acusam clubes de elitizarem o futebol cobrando caro por um jogo. Sugerem até que abram mão do lucro nas Arenas para atrair mais torcedores. Claro que, algumas vezes para atrair o torcedor num momento onde o clube vai mal, precisa de apoio e não há interesse pelos seus jogos ou por puro populismo, baixam o preço. Em outros momentos, quando estão bem ou disputando título, elevam o preço, mas isso faz parte da economia de mercado, a tão falada lei da oferta e procura.

 

A montagem do preço envolve vários fatores como a capacidade do estádio, o dia e horário do jogo, o clima, a concorrência de outros eventos e atrações como shows, praia, o acesso ao estádio, a segurança, a credibilidade quanto à construção e manutenção do resultado do jogo, a qualidade do espetáculo, a falta de controle da meia-entrada e a gratuidade em geral.

 

A farra da meia-entrada e das gratuidades ao invés de baratear e/ou facilitar o acesso aos jogos, age no sentido oposto, como tudo onde o Estado quer “proteger” o cidadão fazendo benesses com o bolso alheio. Afinal, como o custo de operação continua o mesmo, esses valores precisam ser repassados a quem compra o ingresso.

 

No caso, não só os clubes de futebol, como organizadores de eventos, cinemas, teatros, fazem o cálculo do preço do ingresso levando em conta o percentual de público que vai se beneficiar dessas “vantagens”. Não há almoço grátis.
Quando idosos e menores entram gratuitamente, ocupam um lugar que poderia ser vendido. Logo esse valor terá que ser diluído entre todos os que pagam ingressos. Em alguns casos, o preço da meia é bem próximo ou é exatamente o preço do que deveria ser a inteira e, os que pagam inteira, acabam gerando uma margem maior para a operação do evento.

 

Em alguns jogos no Maracanã – estádio onde há a maior farra da gratuidade no Brasil – cerca de 60 a 70% dos ingressos são meia entrada e 10 a 20% são gratuidades.

Esse valor varia de estado para estado, às vezes até em municípios, mas em todos onde pesquisei há gratuidade apenas para menores de 12 anos, já idosos e estudantes pagam meia.

 

O caráter social que esses descontos deveriam ter, não existe. Primeiro porque é muito fácil tirar, comprar e até falsificar uma carteira de estudante. Além disso, um idoso de classe média alta, ou rico, pode ir ao estádio levando seus 4 netos, ocupando 5 lugares e não pagarão nada.

 

O que fica claro é que não é o poder público que deve definir os preços ou descontos dos eventos. O organizador é que deve ter essa responsabilidade, até porque, se ele precificar errado, muito acima, o evento será um fracasso. Se ele cobrar barato demais, levará prejuízo. Dessa forma, a ingerência do estado, mais uma vez, mesmo cheia de boas intenções, é maléfica.

 

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

Contabilidade e Tributação

Enquanto aguardamos a publicação do Plano Anual de Fiscalização para 2017, documento que a Receita Federal do Brasil divulga, no início de cada ano, suas principais operações fiscais, estabelecendo as “prioridades” para a gestão de riscos fiscais nas empresas, é possível notar que o ano que se inicia está repleto de novidades, com várias iniciativas fiscais que exigem maior transparência das informações contábeis das empresas.

Se em 2016, as principais prioridades de fiscalização da RFB foram relacionadas com o tratamento tributário das práticas contábeis das empresas (planejamentos tributários vinculados a eventos de reorganização Societária, fundos de investimentos em participações, resultados auferidos no exterior, sonegação envolvendo distribuição isenta de lucros, omissão de receitas com base em notas fiscais eletrônicas e omissão de receitas ou rendimentos a partir de indícios de movimentação financeira incompatível), algumas novidades no contexto do SPED, por exemplo, indicam que 2017 a qualidade das informações contábeis permanecerão como objeto de prioridade para o Fisco:

 

1)  Obrigatoriedade do SPED Contábil para 2017:

  1. a)   Lucro Presumido: Todas que mantem Escrituração Contábil
  2. b)  Isentas e Imunes: Todas com Contribuições acima de R$ 10 mil por mês ou Receita Total anual acima R$ 1.2 milhões
  3. c)   Simples Nacional: Todas que receberem aporte de Investidor Anjo (nova Lei do SIMPLES)

 

2) Substituição do SPED Contábil:

  1. a) Para substituir arquivo já transmitido ao SPED o contribuinte deverá preparar um Termo de Verificação para fins de substituição (uma espécie de Relatório de Auditoria que contém a descrição pormenorizada dos erros)
  2. b) O Termo deverá ser assinado por outros 2 profissionais contábeis, sendo 1 deles contador ou auditor externo. Ou seja, empresas de grande porte deverão contratar auditorias para substituir os arquivos do SPED.

3) Demonstrações e relatórios no SPED Contábil (J800): desde a primeira versão do leiaute, era exigida a inserção no arquivo do SPED, além das demonstrações obrigatórias previstas no Código Civil (BP e DRE), as demais demonstrações contábeis previstas na legislação contábil (DMPL, DLPA, DRA, DFC, NE, RA, Parecer Auditoras, etc). Agora, o Registro J800 será modificado para identificar o tipo de documento anexo ao SPED, dando mais transparência e evidenciando a necessidade destas demonstrações no arquivo.

4) Demonstrações Consolidadas no SPED Contábil (Bloco K): facultativo para 2017 e obrigatório em 2018, este novo bloco de informações será preenchido pelas empresas que fazem consolidação das suas demonstrações contábeis. Basicamente, será necessário detalhar o processo de consolidação (empresas consolidadas, contas aglutinadas e ajustes contábeis de consolidação).

5) Livro Caixa na Escrituração Contábil Fiscal (SPED IRPJ): Empresas do Lucro Presumido que não apresentarem o SPED Contábil e, portanto, mantem o Livro Caixa (art. 45 da Lei nº 8.981/95), cuja receita em 2016 seja superior a R$ 1.200.000,00, deverão apresentar este livro (analítico) na ECF em 2017. Sabe-se que a legislação comercial, profissional e previdenciária, entre outras, obriga que todas as empresas devem manter a escrituração contábil. A novidade é que aquelas que deixam de fazer a escrituração contábil para evitar entregar o “detalhe” para o Fisco, deverão fazê-lo do mesmo modo, com o Livro Caixa.

6) Declaração País-a-País na Escrituração Contábil Fiscal (SPED IRPJ): Voltada para grupos multinacionais, apresentada se a declarante for a empresa estabelecida no Brasil ou caso o controlador final do grupo seja brasileiro, com receita consolidada de R$ 2.2 bi, por exemplo. Consiste em informações agregadas de receitas, resultado, IR (pago e devido), capital, número de empregados e ativos tangíveis, entre outros.

7) Bloco K no SPED Fiscal: Embora adiada a entrega analítica dos processos produtivos (estrutura e apontamentos de produção), industrias CNAE 10 a 32 e faturamento acima de R$ 300 milhões deverão apresentar, mensalmente, o Inventário (Físico). A informação não demonstra saldo contábil, mas entende-se que a tempestividade desta informação reflete diretamente sistemas de contabilidade de custos das empresas, que precisarão ser mais “precisos” pelo detalhamento apresentado ao fisco.

Além das novidades no SPED que afetam diretamente a contabilidade, destaca-se que em 2017 começa a vigorar as alterações do CPC PME (R1), voltado para empresas com faturamento até R$ 300 milhões e ativos até R$ 240 milhões. Dentre as alterações desta norma, destacam-se:

1)  Adoção Inicial: PMEs que não adotaram integralmente o CPC PME no passado, devem fazê-lo em 2017, observando as exceções previstas na norma (por exemplo, no que se refere ao Custo Atribuído dos ativos). Ou seja, é mais uma chance para “regularizar” a contabilidade das PMEs.

2)  Consolidação: Controladora avalia se utiliza o CPC PME nas DC separadas sem considerar se outras entidades do grupo têm obrigatoriedade de full IFRS.

3)  Conceito de Custo ou Esforço Excessivo: julgamento sobre adoção de políticas contábeis (por exemplo, Valor Justo). Afeta vários itens da norma.

4)  Propriedade para Investimento: Se mensurado ao Custo, classificado e evidenciado no Imobilizado. Este ajuste é relevante, sendo inclusive utilizado como exemplo do Ajuste de Valor Justo na IN RFB 1515/14.

5)  Imobilizado: alinhamento com full IFRS (CPC 27). Como exemplo, peças de reposição no estoque e baixa de peças substituídas no caso de manutenção. Imobilizado é um item bastante comuns nas demonstrações contábeis das empresas, portanto as alterações merecem atenção.

6)  Impostos sobre o Lucro: alinhamento com full IFRS (CPC 32). Como exemplo, adota a mesma terminologia para base fiscal e base contábil para identificar os efeitos temporários e permanentes objeto de reconhecimento do IR/CS Diferido.

Além das alterações do CPC PME, em 2017 os profissionais contábeis estarão analisando os ajustes necessários para adoção do CPC 47 Receitas de Contratos com Clientes e CPC 48 Instrumentos Financeiros, cujo início da vigência é 01/01/2018. Também devem estar atentos às recentes revisões dos CPCs já em vigor (CPC 02, 03, 26, 32, 39).

Finalmente, observa-se que em 2016 as empresas apresentaram, pela primeira vez, os ajustes da adoção inicial da Lei 12.973/14 (em 01/01/15), demonstrando os efeitos do IFRS na apuração dos tributos. Contudo, percebe-se que muitas empresas, mesmo após entregar no ano passado os arquivos do SPED Contábil e SPED IRPJ, ainda estão inseguras sobre o que deveria ser ajustado e informado nestes arquivos (por exemplo, o Registro I053 – Subcontas Correlatas, o Registro Y665 Demonstrativo da Adoção Inicial e o Livro Z – Razão Auxiliar). Assim, uma vez que em 2017 as empresas vão apresentar a “continuidade” dos ajustes realizados em 2016, para evitar acumular “erros” é oportuno que os requisitos para adoção correta da Lei 12.973/14 seja revisado.

Novidades no SPED, mudanças nas Normas Contábeis, alterações passadas que ainda precisam ser revisadas … 2017 será mais um ano de muito trabalho para os profissionais da Contabilidade.

 

Esse conteúdo faz parte do curso de Contabilidade Tributária que acontece no dia 22 e 23 de março na Trevisan Escola de Negócios, na unidade Tiradentes.

 

Autor: Tiago Nascimento Borges Slovav

Doutor em Controladoria e Contabilidade pela Universidade de São Paulo (2013). Atualmente é professor  e pesquisador,conferencista e consultor de empresas na área de Administração, com ênfase em Controladoria, atuando principalmente nos seguintes temas: Controladoria, SPED e IFRS. Foi Professor e Coordenador do Curso de Graduação em Ciências Contábeis da UNISO por 7 anos. Consultor há 15 anos em organizações como: Kyocera Yashica, Promon Engenharia, PST do Brasil, Ellenco, Dynapac (Atlas Copco), Roma Jensen, Nilfisk do Brasil, CAS Tecnologia.

O Maracanã morreu!

Não é o mesmo estádio. O mesmo ambiente. O mesmo espírito. Apenas um novo estádio – estádio não, arena. Arena esta construída no mesmo lugar e, para disfarçar a radical mudança, com a mesma estrutura externa e o nome, mas… o velho Maracanã está morto e seu espírito com ele se foi.

Vivi as três fases do Maraca:

Quando, oficialmente, 200.000 pessoas se espremiam em qualquer espaço.

Testemunhei as folclóricas comemorações que Geraldinos faziam à beira do campo, e a festa dos Arquibaldos ocupando quase todo o anel.

Quando em 2005 acabaram com a geral.

Mantiveram a estrutura das arquibancadas e alguns Geraldinos tentaram se transformar em Arquibaldos. Alguns conseguiram, mas a essência dos Geraldinos havia acabado.

Quando em 2014 acabaram com a arquibancada.

É, acabaram. Porque essa estrutura, em rampa descendo até o campo com cadeiras dobráveis, não lembra nem de perto a nossa velha e querida arquibancada.

 

Nós, torcedores, ainda buscamos nosso espaço, tentando nos adaptar aos novos setores e às novas regras para torcer impostas pela PM e pela FIFA.

Alguns vão dizer que estou sendo saudosista, que isso é a evolução do futebol. Entendo. Mas…

É preciso fazer algo para que o estádio, desculpe, arena, recupere ao menos um pouco da alma do antigo Maracanã que está perdida no limbo, talvez vagando pelo Umbral. Essa alma precisa reencarnar nessa fria, insípida, incolor, inodora, inacústica arena, trazendo de volta ao menos um pouco do que havia no passado recente, do calor das festas das torcidas, da interação com os jogadores.

Voltar a torcer sem limites de bandeiras ou instrumentos musicais; atirar papel higiênico no momento que os times entrarem em campo em separado; retirar as cadeiras dos setores superiores (norte e sul), para que nós, Arquibaldos, voltemos a nos sentir como no antigo estádio; autorizar jogadores a comemorar junto da torcida subindo os degraus e abraçando a galera e claro, precisamos trazer os Geraldinos de volta, com uma espaço específico, ao qual eles teriam acesso por um valor que qualquer torcedor apaixonado, mas sem muita grana, poderia pagar.
O Estádio do Maracanã morreu! Vida longa à Arena Maracanã!

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro