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Pelo menos 3 coisas em comum entre a Copa e sua Carreira

Estamos assistindo a um grande espetáculo desde do dia 12 de junho. Nosso país foi escolhidos para sediar a Copa do Mundo 2014 e, mesmo com tantas opiniões adversas, e muito menos bandeiras nas ruas e nos carros do que imaginávamos, a bola está rolando. Como disse um colega muito crítico e que admiro muito “Eu acho um absurdo festejarmos a copa no Brasil, um dia como hoje sacramenta a idiotice do povo brasileiro. Um país sem infra estrutura, sem saúde, sem segurança, sem educaGooooooll!!! É Brasil!!!!

Então, já que a Copa é aqui e estamos vendo tudo de perto, vamos tirar alguns aprendizados:

1 – Neymar
Assistindo ao primeiro jogo, Brasil X Croácia, me impressionou o tanto de vezes que o Neymar caiu, rolou, foi empurrado, mas sempre levantou. No dia seguinte, minha filha, de 8 anos, estava reclamando de alguma coisa e começou a chorar e dizer que não ia continuar. Como ela tinha visto o jogo também, aproveitei para comentar: “Pensa bem o que aconteceria se o Neymar começasse a chorar quando levasse o primeiro tombo e parasse de jogar!” Ela me disse: “É, talvez ele não estivesse nem na seleção!”. Pois é, eis o primeiro aprendizado!

2 – Fernandinho
Não entendo nada de futebol, mas no jogo Brasil x Camarões, pelo que vi, um dos grandes destaques foi o Fernandinho. Saiu da reserva e entrou em campo determinado e confiante. Resultado: GOL! Nem sempre é possível estar no time titular, mas esteja preparado quando surgir a oportunidade e então mostre seu valor.

3 – Hora certa
Voltando à primeira partida, onde a Presidente Dilma ouviu inúmeras vezes “vai tomar caju”, deixo aqui minha opinião sobre este delicado assunto. Não votei nem votarei em Dilma nas eleições, mas acho que as coisas têm sua hora. Quem for contra, ajude na campanha na hora das eleições. Da mesma forma, não dá para ser ingênuo e achar que falar mal do chefe nas costas não trará nenhuma consequência. Fale sim, mas da forma certa, com a pessoa certa, na hora certa.

E vamos lá, torcendo e aprendendo mais algumas coisas até nosso último jogo!

Fernanda Lopes de Macedo Thees
Consultora de Carreira na Loite

Esporte e entretenimento: como as marcas podem aproveitar esse novo momento

Escrevi um artigo para a edição de 5 de novembro do jornal Meio & Mensagem sobre a relação cada vez mais próxima entre evento esportivo e entretenimento, e como a realização da Copa do Mundo no Brasil pode acelerar esse movimento.

As novas tecnologias digitais e a evolução das instalações esportivas colocam o produto esportivo em um novo patamar e permitem ao público intensificar a sua experiência de consumo. Como sede dos dois maiores eventos do planeta nos próximos quatro anos, abre-se no Brasil uma série de oportunidades inéditas para as marcas vinculadas ao esporte. No caso específico da Copa do Mundo, atrelar a marca ao evento significa falar diretamente com 3,5 bilhões de fãs do esporte mais popular do planeta.  Não é por acaso que os patrocinadores da última edição do evento pagaram mais de US$ 1 bilhão à Fifa.

Mas as oportunidades não estão apenas com as marcas patrocinadoras. O fato de sediar uma Copa do Mundo coloca o esporte em geral e mais especificamente o futebol em evidência por longos anos. Daí que as marcas que se associam ao futebol tendem a colher os frutos desse crescimento.

Além disso, é inegável que as exigências do organizador do evento, em que pesem em alguns casos serem bastante conflitantes com os interesses da nação, funcionam em linhas gerais como um novo padrão de referência e profissionalismo para o futebol brasileiro. Cito dois grandes benefícios:

  • Segurança jurídica para as marcas patrocinadoras: a proteção que a entidade oferece a seus patrocinadores é seguramente uma das mais rigorosas e eficientes do planeta. O trabalho constante de evitar o chamado marketing de emboscada serve de exemplo para qualquer entidade esportiva brasileira que deseje aumentar o retorno de seus patrocinadores e criar uma relação ganha-ganha e duradoura com eles.
  • Renovação das instalações esportivas: os 12 estádios da Copa estão sendo construídos ou reformados segundo os mais altos padrões de conforto, segurança e qualidade mundial, o que gera também um efeito multiplicador interessante e outros projetos próprios já têm aparecido, com as novas arenas do Palmeiras e do Grêmio. Serão ao menos 700 mil lugares nestes novos ambientes, com possibilidade de utilização não só para o futebol, mas também para uma série de outras atividades esportivas, de lazer ou de negócios. Abre-se então um novo campo de atuação das marcas que investem no futebol, tanto em termos de possibilidades de ativação de seus patrocínios, quanto de estratégias de relacionamento e hospitalidade nos centenas de camarotes e business seats que passarão a ser oferecidos.

Ao se aproximar do conceito de entretenimento, o esporte passa a participar de uma indústria que deve movimentar mais de US$ 2 trilhões em 2016. O aumento da renda per capita das famílias brasileiras, que cresceu 23,5% de 2001 a 2009, significa mais dinheiro disponível no orçamento para gastos com entretenimento e lazer. A Copa do Mundo de futebol pode ser um grande catalisador desse movimento no esporte nacional e contribuir para torná-lo definitivamente uma opção de lazer para a família brasileira e de estratégia mercadológica para as empresas do País.

As salas de cinema e a revolução dos estádios no Brasil

Nos próximos dois anos a indústria do entretenimento passará por mudança profunda no Brasil. Serão erguidos pelo menos 14 novos espaços de lazer contando os estádios de futebol que estão sendo reformados e construídos para a Copa de 2014 e os projetos próprios dos clubes Palmeiras e Grêmio. Isso significa que de uma hora para outra teremos mais de 700 mil lugares disponíveis nestes ambientes, oferecidos a partir dos mais altos padrões de conforto, segurança e qualidade, com possibilidade de utilização não só para o futebol, mas também para uma série de outras atividades esportivas, de lazer ou de negócios.

A arena multiuso, como é chamada esse tipo de instalação, representa um novo conceito para o padrão do entretenimento brasileiro. Mas é antes de tudo uma oportunidade importante de desenvolvimento do futebol como espetáculo. A média de público do último Campeonato Brasileiro foi de meros 15 mil espectadores, o que significa menos da metade da sua capacidade total utilizada. Segundo a Pluri Consultoria, esses mais de sete milhões de ingressos que não foram vendidos em 2011 representam mais de R$ 200 milhões não arrecadados pelos clubes mandantes. Para efeito de comparação, os jogos do Campeonato Inglês possuem público médio de 34 mil pessoas, ou seja, os estádios estão sempre com 92% de sua capacidade ocupada. Em termos de receita, cada clube inglês arrecada R$ 84,5 milhões na temporada, cerca de três vezes mais do que o clube brasileiro que mais arrecadou com bilheteria em 2011.

O resultado é que enquanto nos clubes europeus a receita com dias de jogos representa 20% do seu total, no Brasil esse número é de apenas 7%, indicando que ainda existe muito potencial de crescimento. O fator estádio novo por si só parece ser um grande motor de atração de público e de aumento da renda: o Arsenal da Inglaterra, que inaugurou seu moderno Emirates Stadium em 2006, viu a receita com dias de jogos crescer 69% em cinco anos. O clube é hoje o terceiro que mais arrecada com esse item na Europa, mesmo não tendo ganhado nenhum título no período, e expressivos 42% da sua receita são originados dos dias de jogos.

O fato, portanto, de o Brasil passar a ter estádios novos, construídos ou reformados a partir das mais altas exigências técnicas do mercado indica que o público de futebol deve aumentar bastante nos próximos anos. Até porque a renda per capita das famílias brasileiras apresentou forte expansão na última década – cresceu 23,5% de 2001 a 2009, o que significa mais dinheiro disponível no orçamento para gastos com entretenimento e lazer. Assim, deve aumentar não só a quantidade de público presente nos estádios brasileiros, mas também o gasto médio de cada torcedor. É um fenômeno parecido com o que ocorreu com as salas de cinema do País: há alguns anos eram espaços antigos, com baixa qualidade de exibição e consequentemente pouca presença de público; atualmente vendem quase 144 milhões de ingressos por ano (em 2002 esse número era de 90,8 milhões). E o mais interessante é que esse crescimento de público se deu ao mesmo tempo em que o valor do ingresso aumentou 71% no período, de acordo com dados da Ancine – Agência Nacional do Cinema.

Como em qualquer setor da economia, os consumidores estão dispostos a pagar mais por um serviço desde que haja um padrão adicional de qualidade, conforto e segurança. As novas arenas esportivas podem entregar esse valor superior de serviço ao grande público e se tornar de fato mais uma opção de lazer para a família brasileira.

 

Vale a pena sediar um megaevento esportivo?

Começa hoje a 30ª edição dos Jogos Olímpicos. Para nós estudiosos do mundo dos negócios e como brasileiros atentos ao fato de sermos sedes dos próximos megaeventos esportivos, é mais uma oportunidade para pesquisarmos os impactos econômicos nas nações-sedes.

Vários estudos acadêmicos demonstram que os governos tendem a superestimar o retorno financeiro para o País e a subestimar os custos de receber um evento dessa magnitude. Pesquisa da Said Business School da Oxford University indica que em média os orçamentos para a realização dos Jogos Olímpicos ficam 179% acima da previsão inicial. De fato, os gastos para Londres 2012 já são atualmente mais que o dobro do projetado. E no lado da receita adicional que os eventos propiciam com vendas, geração de emprego e renda, aparentemente os resultados são limitados, como mostra essa pesquisa de uma universidade americana.

Ainda assim, governos e países continuam disputando com afinco a possibilidade de se tornar sede de uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo. Deixando de lado eventuais objetivos escusos que existam nos bastidores de uma candidatura, parece que os megaeventos podem sim deixar um resultado importante se atender a uma das três condições abaixo:

  • A sede já possui um mínimo de instalações esportivas em quantidade e qualidade adequadas: reduz-se o custo do evento e a necessidade de investimento (os Jogos de Los Angeles em 1984 geraram lucro para a cidade exatamente por este motivo);
  • A sede necessita de grande fluxo de investimento em infra-estrutura: o fato de receber um evento desse porte e com data marcada direciona recursos de forma intensiva para esse fim, impulsionando o seu desenvolvimento;
  • A sede tem potencial grande e não aproveitado em relação ao turismo internacional: megaeventos colocam o País em evidência para todo o mundo e funciona como um gigantesco “relações públicas”.

O Brasil claramente se enquadra nestas duas últimas situações, e portanto podemos ainda considerar estes próximos anos como uma janela importante de oportunidade para impulsionarmos o nosso desenvolvimento. E não podemos esquecer também do efeito “bem-estar” que o fato de sediar uma Olimpíada e uma Copa do Mundo pode proporcionar para a população, aspecto este que não pode ser desprezado.

Vamos nos mexer?

O brasileiro é muito bom em fazer desabafos, reclamar da vida, achar que tudo vai dar errado. De fato, muitas situações que acontecem no País, principalmente as relacionadas com corrupção e impunidade, nos levam a um certo descrédito com as instituições em geral. Por outro lado, entendo que a indignação pura e simples só é válida se conduzir o indivíduo para uma reação. É o famoso “tirar o bumbum da cadeira”.

Quando se fala de Copa 2014 e Olímpiadas 2016 no Brasil há uma chuva de críticas e sentimentos legítimos de que serão um fracasso ou desperdício de dinheiro público. O que falta na minha visão é o cidadão brasileiro perceber que o sucesso desses eventos e o seu retorno para a sociedade dependem também da atuação dele, até mesmo como agente fiscalizador.

Foi lançado nesta semana pelo Instituto Ethos em São Paulo o projeto Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios, uma iniciativa que tem como objetivo “aumentar os níveis de transparência, integridade e controle social sobre os investimentos que serão feitos no país em obras de infraestrutura para a Copa de 2014 e para a Olimpíada e Paraolimpíada de 2016”. O projeto prevê a formação de comitês de acompanhamento em cada cidade-sede e, o mais importante, oferece formas de participação para o cidadão. O site ainda parece meio confuso e carente de algumas informações, mas de qualquer forma é uma excelente iniciativa e ferramenta para aqueles que preferem “tirar o bumbum da cadeira”.

O que a Copa pode deixar de benefícios

A oportunidade que o País tem de sediar a Copa do Mundo pode gerar muito mais benefícios do que a realização do evento em si. Até porque dificilmente a conta para a realização do evento “fecha” se for comparado tudo o que é investido (estimado em R$ 100 bi) com o que entra de recursos durante aqueles 30 dias de jogos.

Mas isso não significa que não valha a pena, porque o País sede pode desenvolver importantes legados para os anos seguintes:

  • Infraestrutura: novos estádios, portos, aeroportos, e outras obras de mobilidade urbana ficarão como benefício concreto para o País. Obviamente, caberá a nós gerirmos, de forma adequada e sustentável, esses novos ativos.
  • Turismo internacional: serão bilhões de pessoas no mundo conhecendo mais sobre o Brasil durante a Copa e milhares viajando pelo País naqueles trinta dias, que podem significar milhões de turistas nos anos seguintes.
  • Setor esportivo: ganhará uma exposição interna como nunca antes teve, crescendo como estrutura, como negócio e como possibilidade de transformação social.
  • Capital humano: pessoas terão que ser capacitadas para a gestão do evento e a recepção dos turistas; esse capital humano não será perdido e poderá ser absorvido pela economia interna, que, aliás, vive um ciclo extremamente positivo.

E, por fim, não podemos desprezar o que sediar uma Copa pode significar em termos de autoestima e felicidade para os brasileiros. Este intangível talvez seja aquele que possa representar o principal motor de transformação e salto qualitativo da nação nos anos seguintes ao grande evento.

Pacaembu é a solução para São Paulo

Foi anunciado hoje pela Prefeitura de São Paulo o projeto de renovação do estádio do Pacaembu, que possibilitaria o seu uso para a Copa de 2014, inclusive para a abertura do evento. O projeto prevê rebaixar o gramado, construir mais um anel de arquibancada e com isso aumentar a capacidade de 40 mil para 65 mil pessoas. A fachada, que é tombada pelo patrimônio histórico, seria obviamente preservada, assim como o Museu do Futebol.

Essa me parece ser a melhor solução para São Paulo. Estamos falando de um estádio construído na década de 40 e que claramente não atende mais às necessidades atuais de conforto e visibilidade, além de ser um estorvo financeiro para seu proprietário, no caso nós os cidadãos paulistanos. E o mais interessante do projeto, avaliado em R$ 500 milhões, é a possibilidade de readequá-lo para condições mais realistas após a Copa: a capacidade poderia ser reduzida para algo em torno de 45 mil pessoas e as estruturas exigidas pela Fifa para hospitalidade seriam montadas na própria Praça Charles Miller e desmontadas em seguida.

O projeto do Novo Pacaembu pode servir para resolver dois problemas:

  1. Ser o estádio adequado para receber jogos da Copa de 2014 em São Paulo;
  2. Modernizar o principal estádio da cidade e adequá-lo aos novos tempos.

O estádio do Pacaembu possui localização privilegiada, é um patrimônio histórico da cidade e está no coração dos paulistanos. Essa é uma possibilidade concreta de solucionar a questão da cidade-sede São Paulo e ao mesmo tempo dar vida nova ao Pacaembu, evitando que ele se torne em breve um “coliseu paulistano“, como diz um amigo meu.

2014 já começou

Terminada a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, os holofotes se voltam para o Brasil, que vai ser a sede da próxima edição do maior evento midático do planeta. Tive a oportunidade de ver in loco o potencial que a Copa tem para transformar um país. 

Depois de estar na Alemanha, sede em 2006, mudei completamente a visão sobre aquele país, que tem sim belezas históricas e naturais que merecem visita, e principalmente sobre o seu povo, tido como sisudo e fechado. Os alemães foram sempre muito solícitos e simpáticos conosco. Já na Àfrica do Sul o que se viu foi um país organizado, com um potencial turístico impressionante, e um povo alegre, festivo e receptivo. Como resultado, só com a Copa do Mundo o turismo internacional ali saltou 25% neste ano em relação à 2009.

E o Brasil? Não é apenas o fato de sediar uma Copa que os benefícios virão naturalmente ou por inércia; tudo dependerá da nossa capacidade de prover o país de mobilidade urbana, de instalações esportivas adequadas e de profissionais qualificados para o atendimento ao turista. Mas não tenho dúvida do potencial que um evento como esse tem de transformar a imagem de um país e principalmente de gerar frutos por vários anos posteriores. Tudo vai depender de dois fatores:

1.) O evento em si ser bem-sucedido: uma Copa do Mundo sem grandes problemas de transporte, segurança, informação e atendimento vai mostrar ao mundo a capacidade de organização e gestão do país.

2.) Nos anos seguintes, conservar com eficiência o capital construído: todos os investimentos em infra-estrutura e tecnologia realizados para a Copa precisam ser geridos de modo economicamente sustentável, principalmente os novos estádios (veja entrevista minha no portal Copa 2014); além disso, o país vai ter que cuidar da marca Brasil para garantir um crescimento continuado do turismo internacional.

O Brasil atrai cerca de 5 milhões de visitantes estrangeiros por ano, número que está estagnado há algum tempo. Para se ter uma idéia comparativa , o número de turistas estrangeiros anuais no México é de 21 milhões. Há um potencial imenso de expansão do nosso turismo que pode ter impacto positivo em toda a sua cadeia: hotéis, restaurantes, comércio, transporte, entre outros setores. A Copa do Mundo é o trampolim definitivo para alavancar o turismo no Brasil.

“O Futebol Explica o Brasil”

Com esse título instigante, o jornalista e historiador Marcos Guterman* escreveu um livro original que traça um paralelo entre a história do futebol e a história do Brasil. Dividido por ordem cronológica, o livro conta desde a inserção do esporte no país, a sua transformação de jogo de elite em fenômeno popular, até a profissionalização que vivenciamos atualmente. O interessante é que o autor conseguiu demonstrar algo que eu já intuia: que o futebol no Brasil deve ser analisado e compreendido muito além de apenas um jogo e que ele pode sim explicar muito da formação da nossa sociedade.

É do futebol, por exemplo, que emprestamos a expressão “complexo de vira-latas” para designar esse sentimento nacional de inferioridade perante os estrangeiros. O termo foi criado por Nelson Rodrigues a partir da tragédia que foi a derrota para o Uruguai na final da Copa de 50 em pleno Maracanã. Depois de construirmos o maior estádio do mundo e sediarmos a primeira Copa depois da Segunda Guerra Mundial, tínhamos a grande chance de mostrar para o mundo a força da nossa mistura étnica, e fracassamos.

Ainda que oito anos depois tenhamos conseguido ganhar a Copa, o País permaneceu com pouca representatividade mundial por praticamente todo o século 20. A sensação agora, no entanto, é que vencemos definitivamente o “complexo de vira latas” por uma série de motivos:

  • Somos a 9ª maior economia do mundo;
  • Temos democracia plena e consolidada;
  • Nossa inflação está razoavelmente controlada;
  • Somos um dos maiores produtores de alimentos;
  • Temos uma indústria diversificada;
  • Não temos endividamento externo;
  • Temos autosuficiência energética;
  • Criamos o maior frigorífico do mundo;
  • Somos o 6º maior fabricante de automóveis;
  • Somos exportador de aeronaves.

Entre outros tantos exemplos positivos, é claro que ainda há uma série de desafios a enfrentar, como os altos custos tributários, a segurança e a saúde pública, a qualidade e o acesso à educação, a infra-estrutura precária. Mas o fato é que o Brasil está hoje num outro patamar. E a consolidação dessa imagem deve se dar com a realização dos dois maiores eventos esportivos que teremos a oportunidade de sediar nesta década: a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Vai ser a chance de outro de definitivamente sepultar aquela derrota de 1950.

* Marcos Guterman participou do I Encontro de Estudos Aplicados na Trevisan Escola de Negócios. Confira o resumo do evento aqui.

O mundo é uma bola

Que evento consegue juntar pelo menos 80% da população mundial? O futebol é capaz disso a cada quatro anos por meio da copa do mundo. Não é a toa portanto que os valores somente da comercialização dos direitos comerciais do evento alcance 2,64 bilhões de euros.  

Em artigo publicado por mim no sábado (16/01) no jornal Brasil Econômico exploro não só a capacidade de movimentação econômica da copa do mundo como as oportunidades de carreira existentes para o país-sede. Vejam só alguns dados:

  • crescimento de 30% dos valores de direitos comerciais da edição de 2010 na África do Sul em relação à 2006 na Alemanha;
  • audiência média de 93 milhões de telespectadores por jogo na copa de 2006; 
  • mais de 5,9 bilhões de pessoas assistiram ao vivo às partidas em 2006 em 54 mercados globais;
  • a audiência da copa equivale à de 64 edições do Super Bowl, a finalíssima do campeonato de futebol americano profissional dos Estados Unidos;
  • as receita dos clubes de futebol na Alemanha aumentaram 43% desde 2006 como resultado de estádios melhores, maior envolvimento do público com o esporte e gestão ainda mais profissionalizada.

Todos esses dados corroboram a premissa de que o mercado esportivo é um dos mais promissores da economia global. Engloba ampla e diversificada gama de negócios, como partidas, patrocínios, licenciamentos, espaço para prática esportiva, comercialização dos direitos de TV, transação de jogadores e realização de eventos.

Como todos sabem, em 2014 será a vez do Brasil sediar o evento. Sem dúvida, a maior competição mundial suscitará excelentes oportunidades para a economia e o segmento esportivo no País. Para capitalizar de modo pleno as oportunidades já inerentes à sua condição de “País do Futebol” o Brasil precisa solucionar alguns gargalos expressivos. Em meio à infraestrutura, transportes e adequação de estádios e praças esportivas, é crucial contar com recursos humanos especializados. Considerando ser a profissionalização do setor ainda incipiente em nosso mercado, o ensino nessa área torna-se fator exponencial.