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GESTÃO DE ARENA ESPORTIVA

O Centro de Pesquisas Aplicadas ao Esporte da unidade Trevisan Gestão do Esporte, além de produzir estudos e análises do mercado, também é um espaço para que os alunos do MBA em Gestão e Marketing Esportivo da escola discutam e produzam artigos sobre temas referentes à indústria esportiva nacional e internacional. No início do primeiro semestre de 2011, formou-se um grupo de estudos para discussão do tema “Gestão de Arenas Multiuso”. Após alguns bate-papos e a oportunidade de conversar com dois gestores de estádios de São Paulo, um dos alunos desenvolveu o texto a seguir. Os artigos do Centro procuram sempre abrir espaço para novas discussões e ideias que permitam fomentar, de maneira geral, a gestão profissional do esporte, contribuindo da melhor forma possível para o desenvolvimento desse mercado e dos profissionais que atuam nesse segmento, um dos mais aquecidos na atual conjuntura social, política e econômica do País.

 Atualmente, as arenas construídas pelo mundo afora não podem ser mais vistas somente como um mero local para a prática esportiva. Hoje as organizações ou entidades esportivas passaram a ter, de um modo ou de outro, uma gestão profissional, voltada para a indústria do esporte. Com isso, a gestão de arenas esportivas está se tornando em uma atividade complexa, o que exige uma administração mais atenta e qualificada.

Nos estádios e ginásios de hoje, a antiga administração que cuidava de alguns detalhes de manutenção do gramado ou quadra, das instalações e procedimentos pré e pós-jogos, com um RH limitado e pouca comunicação, além de um calendário bastante ocioso, passou a assumir a gestão de vários serviços agregados, como locação para shows, congressos, eventos culturais e corporativos, bilheteria, lojas, restaurante e camarotes. Começou também a gerenciar uma área de marketing com ações de publicidade, patrocínio e propaganda, e mesmo o setor financeiro da arena para que ela torne auto-suficiente, explorando ao máximo o potencial de receita nos dias de jogos, movimentando o setor de entretenimento e serviços em dias que sem jogos. Isso sem falar no controle dos sistemas de tecnologia do local, que encontram-se cada vez mais completos, gerenciando diversos com recursos de iluminação, sonorização, telões, placares, instalações para TV, coberturas retráteis, climatização do ambiente e mesmo a troca de diferentes pisos, utilizados de acordo com o evento realizado.

Isso tudo torna necessário um incremento nos recursos humanos.  Com um número maior que antigamente, o ideal é que a maior parte do pessoal administrativo esteja presente no dia a dia da arena, até para facilitar sua manutenção regular. E em eventos de maior porte ou sazonais, pode-se trazer equipes temporárias para deixar o espaço sempre bem utilizável, tanto para atender melhor o público ao locatário.  

A própria mudança do perfil dos expectadores, que procuraram mais conforto e segurança, fez com que a gestão atual se preocupasse mais com o serviço prestado dentro e fora das quatro linhas. E vale considerar que a gestão das instalações esportivas no Brasil deveria ser mais consciente e sem interferência dos departamentos dos clubes ou dos municípios (no caso de espaços públicos). Trabalhando sob essa ótica, os organismos demonstram uma administração desorganizada, impedindo um maior desempenho dos potenciais de geração de receita e organização operacional da arena. Isso porque encontram-se focados em suas várias atribuições, geralmente acumulativas, e não em uma administração especializada, necessária para uma boa manutenção do espaço.

Portanto, tendo em vista a diversidade dos eventos promovidos dentro de uma arena esportiva, uma administração especializada é uma condição essencial. Afinal, além da preocupação em preencher o calendário de eventos esportivos e não esportivos com antecedência e do intenso trabalho de marketing, é preciso manter a qualidade dos serviços oferecidos, efetuar a manutenção periódica do local, bem como promover atualizações tecnológicas constantes no empreendimento.

Assim, a gestão focada na arena esportiva traz a adoção de medidas qualitativas e quantitativas que permitem o controle da organização de forma mensurável, buscando sempre sua melhoria contínua.

 

Autoria: Bruno Luiz Cosenza; Orientação: Andressa Rufino