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Sobre RAFAEL mingone

Sócio-diretor da TMG Estratégia – Consultoria em governança corporativa, e professor e coordenador dos cursos de MBA em Mercado de Capitais e MBA Empreendedorismo e Gestão da Trevisan Escola de Negócios

MERCADO DE CAPITAIS BRASILEIRO: SOLTEM AS AMARRAS!

O MERCADO DE CAPITAIS É A ÚNICA VIA EFICIENTE DE DESENVOLVIMENTO

ECONÔMICO PARA AS EMPRESAS E, CONSEQUENTEMENTE, PARA O PAÍS.

Mercados como o da China, Índia, Coréia e Tailândia conseguiram evoluir. No entanto, só conseguiram dar o salto de qualidade, que o Brasil até agora não conseguiu, por que houve um claro entendimento de que é necessária uma visão de longo prazo sustentada por um objetivo único de país. Se quer crescer ou não? Se a resposta for sim devemos combinar que, independentemente de quem esteja segurando o leme ou da situação de mercado, o país não perderá esse foco.

As ações de mudança são dispersas o suficiente para contribuir para o estágio atual em que nos encontramos. Momento esse que, se nos compararmos com o resto do mundo leva a crer que não temos um mercado. Tivemos tempo para isso, porém, como em outras áreas, nossa capacidade de inovar e planejar é grande, mas, de executar, é inversamente proporcional. Se não somos eficientes, como construiremos algo que o seja? Não é de hoje que se fala em mercado de capitais e que as discussões giram em torno dos mesmos problemas.

Talvez ninguém discorde que falta informação, educação e capacitação para dois agentes fundamentais em um processo de evolução como esse: pessoas físicas e pequenas e médias empresas brasileiras. Às pessoas físicas, falta educação financeira. Só que o problema é que faltam outras coisas mais básicas ainda no que diz respeito à educação. Contando a partir de agora, talvez a minha sexta geração esteja tendo o luxo de discutir a inserção de disciplinas como economia, direito e contabilidade no currículo escolar.

A taxa de mortalidade das pequenas e médias empresas no Brasil beira o absurdo. Neste quesito somos campeões em fazer muita coisa e nada ao mesmo tempo. Para começar, cada um que discute o assunto tem um entendimento do que é uma pequena ou média empresa. Cada um desses que discute o assunto traça uma abordagem sem a menor adequação à realidade dos empresários que empregam metade da força de trabalho do Brasil e que representam 99% de nossas empresas. Diversas iniciativas estão desconectadas da realidade e não há soma de esforços práticos que vão garantir uma aproximação madura desse mundo ao único ambiente sustentável de desenvolvimento que um país pode oferecer – o mercado de capitais.

Cabe ao setor público reservar-se da obrigação de regular e fiscalizar. Assim, as condições para quem realmente produz e é eficiente estarão abertas. Ao mercado se atribui a tarefa de criar os caminhos. O delírio regulatório, burocracia e confusão de papéis são grades de ferro que colocam o desenvolvimento em prisão perpétua. Neste mundo não há um país que avançou tendo tamanha irracionalidade política e desorganização como a nossa. Causa a impressão de que estamos sempre tentando descobrir o que aconteceu ontem, o hoje logicamente já foi e, portanto, empurramos uma solução efetiva para o dia seguinte.

Em uma das edições do fórum econômico mundial foi perguntado aos representantes dos BRICs o que eles esperavam do cenário econômico mundial. A China começou dizendo mais ou menos o seguinte: “Há 20 anos traçamos um objetivo e hoje estamos tomando as medidas adequadas para alcançá-lo, enfrentando os problemas encontrados no meio do caminho”. Qual era o nosso objetivo há 20 anos? O que queremos para os próximos 20? Quais problemas enfrentamos até aqui e o que faremos para corrigir o rumo?

Para essas perguntas deveria haver uma única resposta e de conhecimento de todos. Não pode haver ruídos e nem mudança na ordem desses questionamentos. Descobrir um gargalo neste País significa afirmar que já perdemos o bonde. Em carta aberta, o IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) afirma que “no atual cenário macroeconômico o mercado de capitais adquire importância estratégica para a retomada do investimento e do crescimento da economia brasileira. Existem sólidas razões para isso. A infraestrutura é um dos únicos setores em condições de dar início a uma recuperação do investimento, de vez que tem forte demanda por seus serviços e cuja expansão constitui hoje um movimento essencial para aumentar a produtividade da economia”.

Aliás, não causa estranheza a ninguém que a nossa produtividade caia vertiginosamente na mesma velocidade com que se aumentam os benefícios/salários? Há muita coisa a ser corrigida, mas para não perdermos tempo enxugando gelo, sugiro começarmos a elaborar uma única resposta para as perguntas acima.

FONTE: RevistaRI

Remuneração de Executivos: Vamos falar de Incentivos?

A Lei das S/A evidencia que, cabe ao acionista, em assembleia, fixar a remuneração dos administradores. Todos os acionistas têm, portanto, a responsabilidade de definir essa questão fundamental para a cultura de uma empresa. Tal definição sedimentará as bases de conduta em todos os níveis da organização – se agressiva, de curto prazo, fixa, variável, de acordo com a performance financeira, de acordo com a performance operacional
e financeira, se alinhada ao planejamento estratégico etc.

No Encontro de Conselheiros do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), realizado em 21 de maio, aventou-se a possibilidade de que se submeta o planejamento estratégico e as metas ao crivo do compliance. Ou, até mesmo, que o compliance seja um dos gatilhos para a remuneração.
O fato é que só sairemos da inércia se houver motivação para isso.
Motivação, essa, suficiente para que o indivíduo se sinta extremamente recompensado. O que ninguém deve questionar é o fato de que deve haver total transparência na maneira como as pessoas são motivadas a buscar o melhor resultado. Sobretudo, deve ficar claro na posição dos acionistas que tipo de resultado eles esperam. Aqui, me cabe defender a opção de divulgação da remuneração global dos órgãos da administração e não por indivíduo.
Na quarta edição do estudo Remuneração dos Administradores, feita também pelo IBGC, referente ao período de 2012, constatou-se que ainda é alto o número de companhias que apresentam informações inconsistentes, apesar dos esforços dos reguladores, autorreguladores e entidades de mercado no aprimoramento de procedimentos e recomendações.
Apontou-se que 22,4% das empresas da pesquisa pagaram a seus conselheiros uma remuneração variável e/ou por ações, além da parcela fixa. Entre essas empresas, a composição da remuneração média dos conselheiros é 63,0% de parcela fixa, 25,1% de parcela variável e 11,9% de remuneração por ações. Quanto à homogeneidade, na remuneração dos conselheiros de administração,
24,3% das empresas da amostra pagaram valor igual para todos os seus conselheiros. Nas demais, há diferença entre a remuneração dos conselheiros. Tal prática pode estar relacionada, entre outras questões, a uma remuneração maior para o presidente do conselho, que possui mais atribuições e responsabilidades, ou a um possível adicional por participação em comitês.
Quanto à postura diante da liminar para a não divulgação do item 13.11 do Formulário de Referência, as empresas que se apoiam nisso apresentam a maior mediana de remuneração dos conselheiros, 77,9% acima da mediana da amostra total.
Em um bom pacote de incentivos deve haver uma relação equilibrada e precisa dos componentes variável versus fixo. Ao se definir esse ponto devemos olhar para a missão, visão e valores e questionar se a postura que estamos promovendo está adequada aos macros direcionadores da companhia. Fatores como as responsabilidades do profissional, o seu tempo de atuação, sua competência e reputação profissional, além do valor do serviço no mercado, expressos na Lei das S.A., não capturam de maneira completa a problemática. E nem deveria.
Cabe ao acionista determinar esse ritmo e fiscalizar. Desvios de conduta que causaram grandes crises de governança decorreram do fato de que havia uma cultura agressiva e desequilibrada no que diz respeito à busca pelo resultado. Individual ou coletivamente, assumimos riscos e tomamos decisões.
Que apetite para o risco os meus funcionários devem ter? Que atitudes eles devem adotar para a busca do resultado? Qual o limite? No que diz respeito ao ser humano, tudo isso é bem subjetivo e particular.
Defendo metas impossíveis e responsabilização individual e coletiva pelo resultado. Isso não significa incentivo aos desvios de conduta. Por outro lado, uma cultura menos agressiva talvez não traga a certeza de que desvios nunca irão ocorrer. Bons mecanismos de monitoramento e medição e a clara noção das consequências devem ser as regras do jogo.

RAFAEL S. MINGONE
Sócio-diretor da TMG Estratégia – Consultoria em governança corporativa,
e professor e coordenador dos cursos de MBA em Mercado de Capitais e MBA Empreendedorismo e Gestão da Trevisan Escola de Negócios