Calabresa versus Veuve Clicquot

Nesse último final de semana fui testemunha ocular de dois simbólicos centros de consumo da cidade de São Paulo. No sábado estive no Shopping Metrô Itaquera, um enorme centro de consumo popular acoplado a estação de metrô Corinthians-Itaquera, no extremo da Zona Leste e pertinho do estádio que sediará a Copa de 2014.

Nos corredores do shopping Itaquera, o baile do consumo acontecia de maneira fervorosa. Lojas cheias, famílias andando pra lá e pra cá. Eu não resisti e tive que passar por uma experiência de compra naquele local. Precisava comprar um ferro de passar roupa. Não hesitei e fui até a Casas Bahia. A vendedora era super simpática, sem parecer pegajosa e sem aquele discurso enlatado que vemos em 90% das lojas de shopping. Acabei comprando aquele modelo clássico da Black & Decker. Fiquei realmente impressionado com a forma como me tratou, simples porém amistosa. De maneira espontânea, mas direta e focando na conclusão da venda.

Saindo do império do consumo de Samuel Klein, continuei passeando pelos amplos e lotados corredores. Tomei meu mate com leite no Rei do Mate. Continuei andando. Deparei-me com uma loja da Adidas Outlet, de onde sai com um par de meias por R$ 4,63. Isso sim é preço de outlet de verdade! Atravessando a enorme praça de alimentação, edulcorada por marcas como Giraffas, McDonald’s e Vivenda do Camarão, vejo dois amigos, com penteados e indumentárias no melhor estilo Neymar, e sentados numa mesa com uma garrafa de Jack Daniel’s. Sim, eles estavam sentados numa praça de shopping tomando uísque caubói! Cena pitoresca. Estava adorando aquilo.

Entrei na loja do Hipermercado Extra para passear e observar. De imediato fui abordado por uma promotora com uma bandeja cheia de calabresa fatiada recém-assada. Ela estava demonstrando o novo micro-ondas Brastemp que acabara de assar o petisco. Ela me ofereceu e não aceitei, enquanto outros fregueses iam pegando seus palitinhos e espetando nas finas fatias. Achei aquilo o máximo!

Na saída do shopping, uma série de quiosques instalados no caminho para o Metrô. Pequenas lojas da Gol Linhas Aéres, da Subway, do Chopp Brahma, entre outras tantas. Era um cardápio de marcas visivelmente interessadas em arrebanhar aqueles ávidos e cada vez mais poderosos consumidores emergentes.

No dia seguinte, fui conhecer o finalmente recém-inaugurado Shopping Iguatemi JK. É o novo epicentro do consumo de luxo da cidade de São Paulo. Após tanta polêmica de alvarás de abre-não-abre, ele foi aberto e, acredito, todo esse impasse só magnetizará ainda mais consumidores para o novo reino de consumo da família Jerreissati.

O extremo cuidado com detalhes já é percebido nos primeiros passos dentro do shopping. O piso inteiro branco e cirurgicamente asseado recebe os consumidores. Todos caminham olhando com ar de vislumbre e de novidade para as vitrines. A rede wi-fi aberta, rápida e grátis para todos darem seus check-ins e legitimarem suas presenças ali junto aos seus amigos do Facebook e do Twitter. Todas as marcas estão presentes, lindas, maravilhosas, lustradas!

Tinha Bvlgari, TopShop, Etiqueta Negra, Zara Home, Dolce & Gabbana, Sephora e tantas outras marcas globais que aterrisaram aqui e se tornaram locais para nós. Em uma das lojas, era servida Champanhe Veuve Clicquot para seus clientes. Na hora, lembrei da calabresa do dia anterior.

Está com fome? Você tanto pode ir ao Burger King, na linda praça de alimentação, como pode saborear a carne do Varanha, a preferida do Boni. Eu almocei no mediterrâneo Ráscal com seu vasto e saborossísimo buffet à módicos R$ 58 reais per capita. E depois tomei meu café de R$ 4,20 na sorveteria argentina Freddo. Saindo de lá, peguei o trem na Marginal e voltei pra casa.

Viva o consumo na sexta economia do planeta. Vamos às compras?

Marcos Hiller é coordenador do MBA Gestão de Marcas (Branding) da Trevisan Escola de Negócios

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