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Procura-se: profissionais de governança

A crise e os escândalos recentes de corrupção fizeram com algumas áreas ligadas à governança corporativa tivessem forte demanda por profissionais especializados neste ano. Recrutadores ouvidos pela RI afirmam que há um forte crescimento na busca por pessoal para ocupar cargos de compliance, gerenciamento de riscos e auditoria. Segundo os especialistas, esses ramos de atuação tendem a demandar mais mão de obra, já que são fundamentais para atrair novos investimentos e consolidar a reputação das empresas.

Para Ricardo Munhoz, diretor executivo da Thomas Case & Associados, esse aumento se deve, principalmente, pelo momento que o mercado passa e a fragilidade que as organizações têm internamente nos processos. “Hoje, cada vez mais, as empresas se preocupam na proteção e no aprimoramento do valor e da reputação corporativa e com isso vem crescendo a procura pelos profissionais na área e empresas especializadas”, diz.

Felippe Lara, sócio da Boutique Executive Search, conta que desde o caso Enron – um dos maiores escândalos corporativos envolvendo fraudes, em 2001 – tem sentido uma preocupação maior com compliance. “Investimento nas estruturas de auditoria interna e a criação da área de risco vem acontecendo de forma mais frequente nas organizações. Porém, esse movimento ocorre de maneira lenta”, observa.

A demanda por esse tipo de serviço vem, em grande parte, por empresas de capital aberto e multinacionais. “Pelo nível de exigências que o mercado traz, essas companhias acabam tendo estruturas maduras de risco”, afirma Lara. Um dos setores com maior número de vagas para esses profissionais é o de Serviços Financeiros “Áreas de compliance, riscos e auditoria são valorizadas e fortemente necessárias nesse segmento, principalmente devido ao alto controle que o Banco Central faz das instituições e aos diferentes e constantes normativos que são enviados aos bancos”, explica Frederico Vanin, diretor de recrutamento da consultoria STATO. Além do mercado financeiro, Lara destaca as seguradoras e as empresas de cartão de crédito, pelo alto volume de transações, como as que possuem as estruturas mais robustas e as práticas mais sofisticadas entre todos os setores do mercado.

De acordo com Idésio Coelho, presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), um ingrediente com potencial para aumentar ainda mais a demanda por auditoria é a necessidade de captação de recursos por empresas de todos os portes. “Dispor de demonstrações contábeis auditadas de maneira independente melhora a credibilidade, facilitando a obtenção de crédito. Ainda há espaço significativo para a entrada de pequenas e médias empresas no mercado de capitais, com benefício direto para as firmas de auditoria, em especial às de pequeno e médio portes”, avalia.

Remuneração. Apesar de variar de acordo com o negócio e o porte da empresa, a remuneração de profissionais dessas áreas varia de R$ 3 a R$ 9 mil nos níveis hierárquicos iniciais. Já para cargos de diretor, pode ultrapassar os R$ 20 mil. Segundo Frederico Vanin, da STATO, os salários devem aumentar ainda mais. “Compliance, por exemplo, é uma carreira relativamente nova nas organizações. Dado isso, no passado, profissionais Jurídicos ou de Auditoria foram deslocados para essa área, criando-a. Hoje, alguns profissionais já foram formados, porém ainda não há excedente de pessoas”, afirma.

Ricardo Munhoz, da Thomas Case & Associados, concorda com a perspectiva de alta devido a dois principais fatores: escassez de profissional qualificado pelo fato de ser uma área nova e também o crescimento no mercado, quando as empresas percebem a necessidade de processos mais seguros e confiáveis.

Empresas buscam ajuda para combater fraude e corrupção. O número de empresas no Brasil contratando auditores para investigar suspeitas de fraude e corrupção também aumentou.

“Pela primeira vez na história da minha carreira, tenho tido uma quantidade crescente por trabalhos de natureza preventiva. Só nos últimos 5 meses, crescemos 50% e tivemos um aumento no quadro de funcionários, como também um aumento de investimento na área”, conta Cynthia Catlett, sócia da área de Forensic Investigations & Disputes Services da Grant Thornton Brasil. 50% da receita da GT hoje é para trabalhos de prevenção, enquanto há 2 anos a proporção era menos de  10%.

Nos escritórios de advocacia, o movimento de alta é o mesmo. “Temos sido procurados por um número cada vez maior de empresas buscando desde orientação, até treinamentos, revisão e elaboração de políticas e, em alguns casos, simulações”, afirma Renato Chiodaro, sócio do De Vivo, Whitaker e Castro Advogados. Atualmente, o escritório conta com 6 profissionais voltados predominantemente para essa prática, sendo que, há alguns anos, esse número era menos da metade.

Nesse cenário, o impacto da Lei Anticorrupção nas empresas é visível, segundo Renato Santos, especialista em ética empresarial e coordenador do MBA Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios. “Há uma preocupação maior em se adequar à lei, a qual prevê duras penas, inclusive para as organizações que não demonstrarem possuir programas de integridade eficazes”, diz.

Na opinião de Santos, outro fator que contribui para aquecer a demanda é a clara visão de que o auditor “tradicional” não tem a atribuição e, consequentemente, não desenvolve competências para lidar com fraudes. “Essa diferenciação de atividades foi mais evidenciada depois do escândalo da Petrobras, uma vez que a empresa mesmo sendo auditada, não estava ‘blindada’ de fraudes”, destaca.

Profissionais especializados. Para atender a crescente demanda das organizações por gestores de alto nível que possuam sólida e ampla formação em gestão de riscos corporativos, a Trevisan Escola de Negócios elaborou o MBA Gestão de Riscos e Compliance.

Com inscrições abertas e início previsto para agosto, o curso destaca-se por fornecer uma visão integrada da gestão de riscos corporativos, em oposição à chamada “miopia de risco”, uma vez que seu conteúdo multidisciplinar relaciona tópicos como governança corporativa, riscos corporativos, controles internos, compliance, ética, governança de TI, auditoria baseada em riscos, fraudes, contabilidade e métodos quantitativos.

De acordo com Renato Santos, coordenador do curso, o MBA tem o objetivo de oferecer aos alunos uma sólida formação conceitual associada à aplicação prática, contribuindo de forma significativa para a sua vida profissional. “O principal diferencial é o Laboratório de Soluções de Riscos e Compliance, onde promovemos a discussão e pesquisas para produção nacional, considerando o contexto brasileiro, de ferramentas para mitigar riscos organizacionais”, afirma.

A maturidade, segundo Santos, é a primeira característica desse profissional, pois caso não a possua, pode gerar mais impactos negativos ao tratar uma fraude do que conviver com ela. “Uma fraude mal tratada pode gerar ações de danos morais, reclamações trabalhistas, exposição da imagem da organização, clima de desconfiança entre os colaboradores, entre outros impactos. Daí, esse profissional precisa possuir serenidade para liderar ações de prevenção e tratamento de fraude”, explica.

Ter boas noções de Direito, profundo conhecimento das ferramentas disponíveis no mercado e validadas pela legislação brasileira e, ainda, ter habilidade para analisar processos e números também são características importantes para quem deseja ocupar esses cargos.

Desafios. Em tempos de baixo crescimento e escândalos de corrupção, são grandes os desafios que esses profissionais enfrentam. Para Renato Santos, a principal dificuldade é trabalhar a ansiedade da alta administração da organização. Ele explica que isso acontece porque quando uma fraude ocorre ela afeta a lealdade que até então existia, ou que pelo menos acreditava existir e, com isso, há uma “ofensa pessoal” aos olhos dos gestores fraudados. Assim, quando ela é descoberta há uma tendência de se tomar decisões baseadas unicamente em emoções, o que diminui a chance de sucesso. “Em épocas de crise como a atual, essa ansiedade por resultados é potencializada, pois em ‘épocas de vacas gordas, a fraude corrói a gordura, em vacas magras, corrói o osso’”, ressalta.

Já Marcelo Braga, sócio da Search Consultoria em Recursos Humanos, destaca três situações de dificuldades que o profissional precisa lidar. A primeira é quando o profissional atua em uma empresa que teve problemas éticos expostos ao mercado e ele nunca conseguiu descobrir. “Nesse caso, os processos de controle da empresa ficam em xeque. Sua reputação é abalada, e obviamente sua própria empregabilidade”. A segunda é quando o profissional é recém-contratado para trabalhar em uma empresa que passou por problemas éticos. “Ele vai encontrar uma empresa em crise, time desmotivado, desconfiado, precisará ter uma forte liderança e ação rápida para estancar os problemas mais graves, transmitir confiança para o mercado, acionistas e funcionários e voltar a colocar a empresa em velocidade de cruzeiro”. A terceira situação é quando o profissional não passou por problemas, mas precisa certificar para acionistas e mercado que a empresa atua conforme as boas práticas.

Comitês de Auditoria citam incerteza, volatilidade e ambiente regulatório como os principais desafios em 2015. Comitês de auditoria ao redor do mundo apontaram que a incerteza e a volatilidade econômica e política, compliance regulatório e o risco operacional representam os maiores desafios para as empresas em 2015, de acordo com pesquisa realizada pela KPMG com 1.500 membros de comitês de auditoria e de conselhos de administração em 35 países. No Brasil, que apresentou o quarto maior número de respondentes à pesquisa, o cenário é equivalente: 60% dos respondentes apontaram como principal desafio a incerteza e a volatilidade econômica e política, 41% o compliance regulatório e 24% o risco operacional (respostas múltiplas). Pelo segundo ano consecutivo, também afirmaram ser cada vez mais difícil – em virtude do tempo e expertise do comitê de auditoria – monitorar o gerenciamento dos principais riscos do negócio, além dos riscos relacionados às demonstrações financeiras.

Em âmbito global, três em cada quatro respondentes disseram que o tempo dedicado à execução de suas atividades no comitê de auditoria (ou no conselho de administração, quando inexistir o comitê) aumentou significativamente (24%) ou moderadamente (51%), e metade disse que a realização do trabalho tem se tornado mais difícil em virtude do tempo e expertise requeridos. No Brasil, mais de 80% dos respondentes disse que o tempo dedicado aumentou: significativamente (30%) ou moderadamente (52%). Muitos afirmaram ter ao menos alguma responsabilidade sobre aspectos significativos de monitoramento de riscos — além de assegurar a qualidade das demonstrações financeiras — tais como segurança cibernética (cybersecurity) e TI, compliance e regulatório, ou o processo ou estrutura de gerenciamento de riscos corporativos em si.

“A mensagem clara é que o comitê de auditoria e o conselho de administração não podem cuidar destes assuntos sozinhos,” disse o sócio líder do ACI Institute no Brasil e da prática de Risk Consulting da KPMG, Sidney Ito. “Assegurar a qualidade das demonstrações financeiras e a atuação do auditor independente já são atividades de grande responsabilidade por si só, e o monitoramento da efetividade do gerenciamento de riscos da empresa está claramente consumindo muito da agenda desses órgãos da governança atualmente.”

Ao serem questionados sobre quais assuntos deverão exigir maior atenção em 2015, os respondentes citaram a segurança cibernética e a velocidade das mudanças tecnológicas, os riscos operacionais, e o compliance regulatório. “Uma evolução positiva é o fato de os comitês de auditoria e os conselhos estarem reavaliando ou realocando seu tempo no monitoramento do gerenciamento de riscos, considerando a sua importância”, afirmou Ito.

Mais de um terço dos respondentes disse ter realocado recentemente tais atividades entre o conselho de administração e seus comitês (acima dos 25% do ano anterior), e 32% disseram que poderão considerar fazê-lo em um futuro próximo. No Brasil, 39% dos respondentes afirmaram ter realocado o monitoramento de riscos e 30% consideram fazê-lo em um futuro próximo. “Incluir o tema risco operacional e corporativo na agenda também contribui para um entendimento mais profundo do negócio.”

Fonte: Artigo Revista RI com o tema “Procura-se: profissionais de governança – por Isabella Abreu.

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Remuneração de Executivos: Vamos falar de Incentivos?

A Lei das S/A evidencia que, cabe ao acionista, em assembleia, fixar a remuneração dos administradores. Todos os acionistas têm, portanto, a responsabilidade de definir essa questão fundamental para a cultura de uma empresa. Tal definição sedimentará as bases de conduta em todos os níveis da organização – se agressiva, de curto prazo, fixa, variável, de acordo com a performance financeira, de acordo com a performance operacional
e financeira, se alinhada ao planejamento estratégico etc.

No Encontro de Conselheiros do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), realizado em 21 de maio, aventou-se a possibilidade de que se submeta o planejamento estratégico e as metas ao crivo do compliance. Ou, até mesmo, que o compliance seja um dos gatilhos para a remuneração.
O fato é que só sairemos da inércia se houver motivação para isso.
Motivação, essa, suficiente para que o indivíduo se sinta extremamente recompensado. O que ninguém deve questionar é o fato de que deve haver total transparência na maneira como as pessoas são motivadas a buscar o melhor resultado. Sobretudo, deve ficar claro na posição dos acionistas que tipo de resultado eles esperam. Aqui, me cabe defender a opção de divulgação da remuneração global dos órgãos da administração e não por indivíduo.
Na quarta edição do estudo Remuneração dos Administradores, feita também pelo IBGC, referente ao período de 2012, constatou-se que ainda é alto o número de companhias que apresentam informações inconsistentes, apesar dos esforços dos reguladores, autorreguladores e entidades de mercado no aprimoramento de procedimentos e recomendações.
Apontou-se que 22,4% das empresas da pesquisa pagaram a seus conselheiros uma remuneração variável e/ou por ações, além da parcela fixa. Entre essas empresas, a composição da remuneração média dos conselheiros é 63,0% de parcela fixa, 25,1% de parcela variável e 11,9% de remuneração por ações. Quanto à homogeneidade, na remuneração dos conselheiros de administração,
24,3% das empresas da amostra pagaram valor igual para todos os seus conselheiros. Nas demais, há diferença entre a remuneração dos conselheiros. Tal prática pode estar relacionada, entre outras questões, a uma remuneração maior para o presidente do conselho, que possui mais atribuições e responsabilidades, ou a um possível adicional por participação em comitês.
Quanto à postura diante da liminar para a não divulgação do item 13.11 do Formulário de Referência, as empresas que se apoiam nisso apresentam a maior mediana de remuneração dos conselheiros, 77,9% acima da mediana da amostra total.
Em um bom pacote de incentivos deve haver uma relação equilibrada e precisa dos componentes variável versus fixo. Ao se definir esse ponto devemos olhar para a missão, visão e valores e questionar se a postura que estamos promovendo está adequada aos macros direcionadores da companhia. Fatores como as responsabilidades do profissional, o seu tempo de atuação, sua competência e reputação profissional, além do valor do serviço no mercado, expressos na Lei das S.A., não capturam de maneira completa a problemática. E nem deveria.
Cabe ao acionista determinar esse ritmo e fiscalizar. Desvios de conduta que causaram grandes crises de governança decorreram do fato de que havia uma cultura agressiva e desequilibrada no que diz respeito à busca pelo resultado. Individual ou coletivamente, assumimos riscos e tomamos decisões.
Que apetite para o risco os meus funcionários devem ter? Que atitudes eles devem adotar para a busca do resultado? Qual o limite? No que diz respeito ao ser humano, tudo isso é bem subjetivo e particular.
Defendo metas impossíveis e responsabilização individual e coletiva pelo resultado. Isso não significa incentivo aos desvios de conduta. Por outro lado, uma cultura menos agressiva talvez não traga a certeza de que desvios nunca irão ocorrer. Bons mecanismos de monitoramento e medição e a clara noção das consequências devem ser as regras do jogo.

RAFAEL S. MINGONE
Sócio-diretor da TMG Estratégia – Consultoria em governança corporativa,
e professor e coordenador dos cursos de MBA em Mercado de Capitais e MBA Empreendedorismo e Gestão da Trevisan Escola de Negócios

Compliance do negócio com maior efetividade

Nos últimos meses ouvimos falar tanto de compliance, que até comercial de rádio divulga empresas para serviços de compliance, mas será que é tão simples assim?

Acredito que não, pois já estou há pelo menos 15 anos executando, palestrando, ensinando e questionando, e o que vejo, é justamente muita teoria e a prática nada de efetiva, até mesmo por um simples motivo, compliance não se baseia somente em legislação, vai muito além disso.

A maioria dos profissionais e eventos nos últimos meses falam somente em lei de prevenção à lavagem de dinheiro e anticorrupção, mas como implementar regras em um negócio em que o compliance não domina? Calma vou explicar.

Como podemos ser a segunda linha de defesa do negócio se não entendemos o que as pessoas fazem, o seu dia-a-dia, implementamos regras para processos que não dominamos e não buscamos entendimento sobre eles? Existe um “gap” enorme entre a legislação e o processo, e é nossa função como compliance e controles internos aproximar legislação e regras para junto do processo de negócio.

Um processo bem definido necessita de processos bem mapeados, controles internos identificados, normas e políticas bem definidas e com clareza de informação, uma gestão de riscos como complemento do processo avaliando controles e compliance definidos, testando e identificando as ausências de cumprimento das regras e dos riscos por parte dos gestores e colaboradores.

A eficiência dos processos é de responsabilidade do controle interno, compliance, riscos e segurança da informação, sendo da auditoria a responsabilidade do teste da eficácia. É importante salientar que a auditoria é parte integrante do processo de controles internos e compliance, segundo afirma o próprio IIA – International Internal Audit.

O compliance deve ir além da lavagem de dinheiro e dos processos anticorrupção. Podemos citar aqui alguns itens de suma importância que também devem ser tratados de forma efetiva pelos controles internos, compliance e riscos:

  • Compliance jurídico;
  • Compliance contábil;
  • Compliance tributário;
  • Compliance trabalhista;
  • Compliance de TI;
  • Compliance comercial;
  • Compliance operacional;
  • Compliance administrativo;
  • Compliance de terceiros;
  • Compliance de gestão, entre outros.

Portanto, fica aqui a minha dica para que o compliance do negócio seja realizado com maior efetividade: devemos aliar os esforços entre as áreas de suporte do negócio, pois segundo o IIA, o negócio e dividido em três linhas de defesa, sendo a primeira a área de negócios responsável pela efetividade dos controles internos, a segunda linha defesa é composta pelo compliance, controle financeiro, gerenciamento de riscos, segurança da informação e controles internos, ficando a auditoria interna como a última linha de defesa, sendo parte integrante da proteção do negócio.

Entendo plenamente a dificuldade que temos em mudar a cultura da organização, mas devemos alinhar melhor nos esforços para não distanciar o cliente interno da responsabilidade de todos na gestão de compliance, controles internos e riscos na melhoria da gestão de negócios, pois a mudança da postura e do comportamento é essência para que as corporações sejam mais efetivas, que a conduta dos negócios sejam alinhada a ética, pois quando um escândalo acontece com a nossa empresa, todos são questionados sobre a forma de negócio, basta observar o fator Petrobras e da operação Lava Jato.

* Marcos Assi é professor e consultor da MASSI Consultoria – Prêmio Anita Garibaldi 2014,  e Comendador Acadêmico com a Cruz do Mérito Acadêmico da Câmara Brasileira de Cultura, professor de MBA na Trevisan Escola de Negócios, entre outras. Autor dos livros: “Controles Internos e Cultura Organizacional”, “Gestão de Riscos com Controles Internos” e “Gestão de Compliance e seus desafios” pela Saint Paul.

Teste de Integridade – uma das medidas Anticorrupção

O Ministério Público Federal, no último dia 20 de março de 2015, propôs como uma das medidas para prevenção e combate à corrupção, a aplicação de Testes de Integridade, destacando ainda no texto dessas medidas, disponíveis no site Combate à Corrupção do MPF: “O pressuposto desses testes não é a desconfiança em relação aos agentes públicos, mas sim a percepção de que todo agente público tem o dever de transparência e accountability, sendo natural o exame de sua atividade. A realização desses testes é incentivada pela Transparência Internacional e pela ONU.”.

A adequação dos comportamentos éticos dos profissionais nas organizações por meio da compreensão, identificação, mitigação, análise das consequências e prevenção das atitudes inadequadas é uma tarefa difícil, e ainda assim, necessária.

As organizações, sejam elas públicas ou privadas, necessitam cada vez mais buscar meios para analisar não apenas a capacidade técnica e intelectual dos seus candidatos, profissionais, terceiros e fornecedores, mas também a capacidade de discernimento, e mais, a capacidade de resistência a pressões situacionais quando diante de dilemas éticos que podem sofrer ao longo de suas atividades dentro das organizações, sendo Testes de Integridade uma das ferramentas cabíveis.

Testes de Integridade são aplicados nos Estados Unidos desde a década de 80, sendo que estudos realizados em cerca de 500.000 participantes revelaram que seu valor preditivo é equivalente a testes de personalidade, o que confirma a importância da avaliação do fator integridade nas organizações. Eles podem ser velados, ou seja, sem o conhecimento do `testado`, ou ainda transparente, com o conhecimento e consentimento da pessoa.

Todavia, conforme adverte o sociólogo Edgard Morin (2004), age com arrogância aquele que qualifica como “desonesto” os que contradizem seus conceitos morais, como se fossem capazes de “entrar na consciência” do outro, rotulando pessoas como se estivessem em condições de ser juízes da moral universal.

Assim, teste de Integridade devem ser aplicados com o objetivo de compreender a potencialidade de resiliência de profissionais quando se depararem com dilemas éticos no exercício de suas atividades profissionais e, com isso, apresentando soluções de desenvolvimento dessa resiliência, contribuindo com a mudança na forma de tratativa da dimensão humana do risco organizacional, não mais apenas em um modelo reativo, mas em um modelo de prevenção e promoção, baseado nas potencialidades e recursos que o ser humano tem em si mesmo e no contexto a que se encontra.

A ferramenta deve aferir as atitudes e opiniões dos respondentes tanto pela vertente cognitiva, a qual objetiva compreender o grau de conhecimento que o participante tem daquele assunto, como também pela vertente comportamental, tratando de ações passadas e/ou futuras diante de temas relevantes para as atividades laborais as quais enfrenta ou enfrentará.

Teste de Integridade é uma ferramenta de Compliance e estas contribuem para o enfrentamento da fraude e corrupção. Daí a importância das organizações investirem em um programa complexo de gestão da ética que possa compreender e mitigar ações inadequadas. Analisar a resiliência de integridade do indivíduo aponta que quanto maior a sua magnitude, menor a manifestação de comportamentos antiéticos no ambiente de trabalho.

Agora todo mundo quer saber de programa de compliance

Interessante como o mundo corporativo é repetitivo, a cada escândalo, sempre surgem pessoas dizendo o que fazer através de leis e normativos, engraçado como somo tão corretivos, será que um dia seremos preventivos?

Basta lembrar o 11 de setembro de 2001, causado por terroristas, e o mundo inteiro abriu os olhos para as questões de lavagem de dinheiro, e vale lembrar que a lei 9.613 era de 1998, mas somente três anos depois, todos começaram a ter olhos para o Compliance. E o escândalo financeiro da Enron em 2002, que ocasionou perdas bilionárias, e quebrou a Arthur Andersen, uma das BIG Five de Auditoria na época, em seguida apareceu a SOX. E a crise do subprime americana, que estamos com resquícios até hoje no mercado mundial, fez o pessoal avaliar melhor a gestão de riscos. E as fraudes contábeis do Banco Panamericano e as liquidações de bancos como Cruzeiro do Sul e Banco BVA com gestões no minimo estranhas ou sem base nenhuma, que quebraram as duas instituições, fez com que as auditorias e órgãos reguladores mudassem seus normativos e processos de fiscalização.

Em janeiro de 2014 entrou em vigor a lei Anticorrupção, e 0 caso da estatal Petrobras, esta despertando a reação pública e uma repercussão entre a população brasileira e pelo mundo afora, tem causado um panico para muitas empresas que buscam meios de se proteger de casos de fraudes e manter a sua reputação.

Muita gente tem procurado saber o que é realmente um programa de compliance, pois a empresa que provar que possui um programa efetivo de compliance, poderá minimizar o impacto das punições legais e regulatórias, amenizando as multas e punições que poderão surgir. Citamos abaixo alguns exemplos clássicos de programa de compliance:

  • Código de Conduta ou Ética que reflita a cultura da organização
  • Políticas e Procedimentos escritos: claros e simples/acessíveis
  • Questões de Compliance identificadas e recepcionadas/tratadas
  • Treinamento constante de Empregados e Terceiros/Parceiros
  • Auditoria Interna testando a efetividade dos controles e sugerindo melhorias, sempre que necessário
  • Envolvimento do “Board”

Então, muita coisa deve ser mudada, mas os gestores e administradores, devem buscar conhecer melhor estes processos de gestão, afinal estamos em um caminho, que acredito sem volta, na busca pela melhoria dos processos e manutenção da saúde financeira das organizações, basta ler as noticias sobre as empreiteiras, que estão entrando com recuperação judicial, pois permitiram um série de operações que podem até leva-las a falência, será que vale a pena?

* Marcos Assi é professor e consultor da MASSI Consultoria – Prêmio Anita Garibaldi 2014, Prêmio Quality 2014, Prêmio Top of Business 2014 e Comendador Acadêmico com a Cruz do Mérito Acadêmico da Câmara Brasileira de Cultura, professor de MBA Trevisan Escola de Negócios, entre outras, autor dos livros “Controles Internos e Cultura Organizacional”, “Gestão de Riscos com Controles Internos” e “Gestão de Compliance e seus desafios” pela Saint Paul Editora. www.massiconsultoria.com.br

As causas da Corrupção

A corrupção organizacional é um fenômeno de natureza sistêmica, pode ser vista de muitas formas, sendo que com os escândalos envolvendo a Petrobrás, há uma tendência míope de enxergá-la de maneira “personificada” e, por que não dizer “demonizada” na imagem de algumas figuras políticas e de diretores da estatal. A ideia aqui não é de defende-los, aliás muito pelo contrário, mas não podemos cair na ingenuidade de tratar o fato de maneira isolada e sem entender todo seu contexto.
A mensuração da corrupção é complexa e controversa, os dados disponíveis, ainda assim, permitem compreender melhor o fenômeno. Segundo o último relatório da ONG Transparência Internacional, em 2014 o Brasil ocupou a 72ª posição no ranking do Índice de Percepção de Corrupção (IPC), entre 177 países. Desde a primeira edição do relatório, o Brasil sempre esteve em posição similar, o que não confere a ele o irônico e lamentável “título” há tempos. A questão é como podemos, como nação, almejar posições melhores?
Uma maneira é “cortar o mau pela raiz”, em outras palavras, é cortar a fonte da corrupção: o Corruptor. Em 29 de janeiro de 2014 entrou em vigor no Brasil a Lei 12.846/2013 que dispõe sobre a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira, com o objetivo de atender os compromissos internacionais, sendo que prevê duras penas às empresas que pagarem suborno a agentes públicos. Infelizmente, após o primeiro aniversário da Lei Anticorrupção Brasileira, como é chamada, ainda não existe sua regulamentação e nenhuma punição foi aplicada até o momento.
Uma outra tentativa eficaz para mitigar a corrupção é tratar a sua dimensão humana. A utilização de ferramentas de compliance, termo anglo-saxão originário do verbo comply, cujo sentido é agir de acordo com uma regra, um pedido ou um comando, pode gerar bons frutos nas organizações, sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor.
A dimensão humana da corrupção é a sua causa, pois na sua raiz está a percepção moral do indivíduo quando exposto aos dilemas éticos. Por esse prisma, discutir “integridade” é discutir o quanto o indivíduo compreende o contexto e pauta suas atitudes na perspectiva moral é compreender a conduta de acordo com a regra (compliance) ou a fraudulenta, sendo influenciada pelas circunstâncias.
As organizações precisam identificar a potencialidade de resiliência de seus profissionais quando se depararem com dilemas éticos no exercício de suas atividades profissionais e, com isso, buscar soluções de desenvolvimento dessa resiliência, contribuindo com a mudança na forma de tratativa da dimensão humana da corrupção, não mais apenas em um modelo reativo, mas em um modelo de prevenção e promoção, baseado nas potencialidades e recursos que o ser humano tem em si mesmo e no contexto a que se encontra.
Resiliência significa retornar a um estado anterior, utilizada pela Física, para definir a capacidade de um corpo físico voltar ao seu estado normal, depois de haver sofrido uma pressão sobre si. Nas Ciências Sociais, esse conceito tem sido utilizado para descrever a capacidade de um indivíduo ou grupo de indivíduos, mesmo num ambiente desfavorável, de se construir ou se reconstruir positivamente frente às adversidades.
Desenvolver a resiliência em seus profissionais não é gerar invulnerabilidade ao sistema a que está inserido, mas é a relação em que o indivíduo tem com o risco a que está vulnerável, bem como seu desenvolvimento quando é confrontado com a adversidade, a partir da relação indivíduo – contexto. Resiliência no contexto das organizações é a construção de soluções diante das adversidades presentes nas condições de trabalho e dos negócios da sociedade atual, da qual resulta um duplo efeito: a resposta ao problema em questão e a renovação da integridade ética do indivíduo.
A renovação da integridade ética não impõe que os interesses pessoais sejam coibidos completamente, mas que eles sejam mitigados conforme as circunstâncias concretas de uma maneira pragmática e realista. Discutindo e apresentando as vantagens em se manter a integridade, não apenas para a coletividade a qual faz parte, mas também, e principalmente, para seu próprio interesse. Essa abordagem não é apenas mais realista, mas também mais humana, uma vez que considera e respeita as necessidades do homem.
E é nisso que as organizações precisam buscar, trabalhando nas causas da corrupção e não apenas nos seus efeitos, pois caso contrário, nossos filhos, netos e futuras gerações vão sentir essa indignação que estamos sentindo, ou ainda pior, a banalidade desses atos poderão cauterizar seus sentimentos.

Renato Santos é sócio da S2 Consultoria, empresa especializada em prevenir e tratar atos de Fraude e Assédio, Coordenador do MBA Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócio e autor do livro “Compliance Mitigando Fraudes Corporativas”.

Decepção na gestão de compliance em 2014

Após vários escândalos, exemplos de como não fazer uma gestão de negócios, nova legislação em vigor, avanço da tecnologia, mudanças nas agências reguladoras, aprimoramento dos órgãos reguladores, mas mesmo assim milhões transitaram pela lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, entre outros.

Portanto o ano de 2014 está encerrando e muita coisa temos que mudar para os próximos anos e para os anos seguintes, sobre a gestão de compliance e controles internos nas empresas, foram inúmeros casos de falhas na governança corporativa seja para empresas de capital aberto e até para as empresas de capital fechado.

Basta lembrar das empresas do Eike Batista, Petrobras (Petrolão), Operação Lava Jato, Doleiro Alberto Youssef (reincidente no crime), Corval, Distri-Cash, TOV Corretora, diversas empreiteiras, agentes públicos, partidos políticos, entre outros.

Com tantos escândalos de fraudes, corrupção e falta de conduta e ética, fica complicado falar sobre Compliance, Controles Internos e Gestão de Riscos, pois o processo funciona quando a Alta Administração, gestores e colaboradores, clientes, fornecedores e governo trabalham em conjunto.

Outro item de importância foi a declaração do presidente do CGU – Controladoria Geral da União, que simplesmente evidenciou aquilo que já sabíamos, a falta total de controles internos nas estatais, mas será que as empresas privadas não passam pelo mesmo problema?

A busca pelo resultado deixando de lado os processos, ética e conduta, vão levar muitas empresas a quebrarem e manchar o nome de inúmeros profissionais no mercado.

Tenho participado de alguns congressos e seminários nos últimos meses, e vejo muita gente falando que seus processos e programas de compliance funcionam, mas a cada escândalo isto tudo vai para o ralo, até quando teremos que conviver com isso. Não basta ser um Oficial de Conformidade (Compliance Officer) e implementar uma enormidade de normas e procedimentos, se na hora “h” as pessoas não seguem, portanto precisamos unir as forças com controles internos, gestão de riscos e auditorias para que possamos exigir uma postura diferente de todos os responsáveis pelas empresas.

Não sou pessimista, pelo contrário acredito que possa ser realizado, mas devemos mudar muita coisa na gestão das empresas, no governo e em nossos modelos de administração pública e privada, não basta ter leis, precisamos punir para que sejamos realmente um país emergente, e que nossas empresas sejam respeitadas e recebam investimentos com a certeza que receberão seus dividendos e participações, pois a credibilidade é tudo no mundo corporativo.

Devemos aproveitar o momento para realizarmos as verdadeiras mudanças, utilizar o que temos de legislação e aplicar as punições, seria um momento especial, um divisor de aguas, quem sabe um marco regulatório, fazendo com quem é culpado seja punido e utilizado como exemplo para todos os outros, não é uma questão de partido político, mas sabemos que o dinheiro corrompe e muda a cabeça das pessoas, somente assim poderemos exercer uma gestão de compliance efetiva.

* Marcos Assi é professor e consultor da MASSI Consultoria – Prêmio Anita Garibaldi 2014, Prêmio Quality 2014, Prêmio Top of Business 2014 e Comendador Acadêmico com a Cruz do Mérito Acadêmico da Câmara Brasileira de Cultura, professor de MBA, Trevisan Escola de Negócios, entre outras, autor dos livros “Controles Internos e Cultura Organizacional”, “Gestão de Riscos com Controles Internos” e “Gestão de Compliance e seus desafios” pela Saint Paul Editora.

Qualidade de mão de obra e controles internos

Não sei se todos tem notado que a baixa qualidade do atendimento das empresas prestadoras de serviços e a falta de engajamento de alguns profissionais, o que proporciona sérias reflexões. Gostaria de compartilhar com vocês minhas decepções e colocar em discussão como poderíamos mudar isso.

Alguns profissionais tem uma dificuldade em interpretar alguns regras e procedimentos, e por mais simples que possa parecer, sempre fazem a mesma coisa, e errado. Onde será que estamos falhando? Será na capacitação? Será que não os preparamos para que exerçam suas atividades com segurança?

Tenho falado há tempos que as pessoas precisam conhecer melhor os processos, produtos e procedimentos para que realmente possam realizar o verdadeiro controle interno e uma gestão de compliance eficiente e eficaz, mas sem base de conhecimento como isso é possível?

Basta verificar que algumas pessoas não sabem responder perguntas, não sabem nem dar suporte aos clientes, não sabem nem vender os produtos, e quando falamos de alguns processos e serviços terceirizados, neste caso a qualidade cai tanto que assusta.

Lembre se de que o assistente do banco não faz com eficiência seu trabalho, sempre fica algo pendente ou mal concluído, serviços de telefonia, internet, tevê a cabo, atendimento bancário, entre outros, mesmo que o cliente não saiba pedir, o profissional necessita de preparo para dar suporte e possíveis soluções, mas isso acontece?

Mesmo como tanta tecnologia, nada substitui o conhecimento humano, a coisa está tão complicada, que em certos casos, muitos colaboradores não fazem ideia do que a empresa produz, e como serão eles a nossa fonte de controles internos e compliance? Difícil não acham?

Agora vem a outra parte do processo, muitos gestores também não sabem ensinar, e o grande segredo é preparar as pessoas, para realizarem suas atividades pessoais e profissionais, e segundo Beda – o venerável, “há três caminhos para o fracasso: não ensinar o que sabe, não praticar o que se ensina e não perguntar o que se ignora!”

Hoje neste mundo corporativo onde a competição está em todas as partes, onde o conhecimento necessita de maior abrangência, e alguns profissionais só sabem mandar, mas para exercer a liderança necessitam saber, fazer e ensinar e muitos se transformam quando assumem posições de gestão, e alguns profissionais acreditam que ter um cargo de chefia basta, será verdade?

Segundo Abraham Lincoln, “Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder.”

Portanto, alguma coisa deve ser mudada e repensada rapidamente. Sabemos da existência de bons profissionais, mas ainda estamos aquém do que o mercado e o consumidor necessitam. Acredito que devemos mudar a forma de capacitação e dos modelos de negócio, mesmo com internet, que proporciona uma enorme velocidade de informação, esta informação não melhorou os processos, ainda estamos longe disso.

É triste assumir mas ainda trabalhamos com analfabetos funcionais, que tem dificuldade de interpretação de instruções, uma dificuldade maior ainda para escrever e com isso as suas ordens são de difícil entendimento, pois para escrever bem, necessita se ler muito para incorporar vocabulário e argumentos, por isso a mão de obra e controles internos tem tantos problemas.

* Marcos Assi é professor e consultor da MASSI Consultoria – Prêmio Anita Garibaldi 2014, Prêmio Top of Business 2014 e Comendador Acadêmico com a Cruz do Mérito Acadêmico da Câmara Brasileira de Cultura, professor de MBA na Trevisan Escola de Negócios, entre outras, autor dos livros “Controles Internos e Cultura Organizacional”, “Gestão de Riscos com Controles Internos” e “Gestão de Compliance e seus desafios” pela Saint Paul Editora. www.massiconsultoria.com.br

Gestão de Risco e Compliance ganham força, será mesmo?

As questões regulatórias e a suspeita ou ocorrência de fraudes externas estiveram entre os riscos mais frequentes com os quais as empresas tiveram de lidar nos últimos 12 meses. Esse é um dos principais achados de um levantamento inédito realizado entre agosto e setembro deste ano pela Thomson Reuters, provedor líder mundial de soluções e informações inteligentes para empresas e profissionais, ouvindo um grupo bastante seleto de especialistas e influenciadores do mercado de Compliance e Risco no Brasil.

Agora vem a nossa parte, acreditamos que mudaram muitas coisas sim, mas os últimos escândalos nos deixam um pouco preocupados, pois com toda regulação, auditorias e supervisão, as falhas de compliance e controles internos ainda acontecem.

E por que? As metas por resultado, os conflitos de interesse, a falta de conduta e ética, ausência de cultura de controle, e gestores que estão andando para os processos de gestão de riscos e compliance.

Temos visto muitas coisas que deixariam todos arrepiados, pois em alguns casos, parece que realmente estão respeitando as regras, basta ver o que gerou a prisão do doleiro Alberto Youssef, vejam as empresas suspeitas de evasão de divisas com a compra de serviços que não existiram, a denúncia da TOV que operou com empresas suspeitas da Operação Lava-Jato, a Petrobras que também usou os “serviços” do doleiro e os bancos que estão em cheque pelo Ministério Público Federal e agora tem que provar quer realizaram seus processos de prevenção a Lavagem de Dinheiro.

Espero do fundo de meu coração que tenham feito os processos de conheça seu cliente, elaborados os dossiês de suspeita de ilícitos e enviado as comunicações ao COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras, através do SISCOAF, é simples basta mostrar que os procedimentos de Prevenção a Lavagem de Dinheiro foram realizados.

Ainda existem algumas instituições financeiras que não possuem processos de prevenção a lavagem de dinheiro e que não sofrem impactos de conflitos de interesse entre processo e resultado; e empresas não financeiras que acreditam não possuir responsabilidades na prevenção. Vale lembrar que a lei é federal, e todos têm que respeitar e prevenir‏

Agora muitas empresas ainda sem auditoria interna, então como ficam os processos de controles internos e monitoramento? Abaixo do esperado, e acredito que muita coisa vai acontecer ainda, e esperamos que um dia a gestão de riscos e compliance realmente possa apresentar a sua verdadeira função, melhorias nos processos e prevenção a perdas e danos nas organizações.

Gestores e colaboradores das empresas devem entender que a imagem e reputação da empresa envolvida em escândalos põe a perder sua fonte de renda, será que vale a pena mesmo não cumprir as regras estabelecidas? O tempo é o melhor remédio.

* Marcos Assi é professor e consultor da MASSI Consultoria – Prêmio Anita Garibaldi 2014, Prêmio Quality 2014, Prêmio Top of Business 2014 e Comendador Acadêmico com a Cruz do Mérito Acadêmico da Câmara Brasileira de Cultura, professor de MBA na Trevisan Escola de Negócios, entre outras, autor dos livros “Controles Internos e Cultura Organizacional”, “Gestão de Riscos com Controles Internos” e “Gestão de Compliance e seus desafios” pela Saint Paul Editora. www.massiconsultoria.com.br

Quando o Compliance avisa ninguém dá ouvidos, mas…

Mas ninguém dá ouvidos, exatamente isso, falar de programa de compliance onde buscamos orientar e treinar os profissionais de nossas organizações parece fácil, mas quando o problema acontece, perguntam onde estava os controles internos, compliance e a auditoria. E onde estavam, no mesmo lugar de sempre, aguardando os clientes internos para orientação e busca de atendimento da regulamentação.

E lendo o Valor Econômico, vi que o Ministério Público Federal (MPF) quer acionar judicialmente instituições bancárias por suposta corresponsabilidade em atos ilícitos de gerentes de bancos que teriam sido cooptados pelo esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção coordenado pelo .

Afinal segundo a investigação da operação “Lava-Jato”, gerentes de agências de grandes bancos teriam sido cooptados e com isso os representantes de todas essas instituições serão chamados a depor, mas ainda não está claro quais delas serão acionadas judicialmente.

Acredito que as tais Leis sobre Práticas de Corrupção no Exterior (termo em inglês: Foreign Corrupt Practices Act – FCPA) ou sobre crimes de evasão de divisas e de conformidade tributária para contas estrangeiras (termo em inglês: Foreign Account Tax Compliance Act – FATCA) ou Lei 12.846/12, conhecida como Lei Anticorrupção, Lei 12.683/12, a lei de prevenção à lavagem de dinheiro devem ser levadas mais a sério.

Agora a força-tarefa da operação Lava-Jato está analisando transações bancárias suspeitas de irregularidades e que, segundo a apuração, teriam contribuído de modo significativo para o sucesso do esquema de envio ilegal de dinheiro ao exterior, principalmente por meio de importações falsas, “subterfúgio largamente empregado para a movimentação de recursos sem origem, oriundos de crimes”.

Somente para lembrar em abril, a Polícia Federal (PF) prendeu o gerente de agência do BB em São Paulo, Rinaldo Gonçalves de Carvalho, que está sendo acusado de integrar o esquema ilegal de operações financeiras capitaneado por Nelma Kodama, doleira que sustentava o sistema paralelo de Youssef, juntamente com Raul Srour e Carlos Habib Chater.

Espero que o doleiro Youssef, que acertou acordo de delação premiada com MPF e PF, apresente maiores detalhes das práticas empregadas para burlar as normas vigentes e facilitar o fluxo financeiro da rede de doleiros.

Segundo o operador de Nelma Kodama afirmou que o esquema só teve êxito porque “o banco é conivente na movimentação financeira, porque se a mesma empresa, que não tem sede, que não tem radar, que não tem funcionários (…) movimenta no dia um valor que na verdade ela não teria condições de movimentar no mês, o banco também sabe o que está acontecendo”, e onde fica o conheça seu cliente

Agora os bancos terão que firmar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Eles têm obrigação de prevenir, evitar e comunicar a ocorrência da lavagem de dinheiro”, avaliou um dos investigadores.

Agora cabe aos bancos demostrar seus programas de compliance, e fica a dica para os outros que possuir normas, politicas, procedimentos e sistemas não bastam, devemos fazer com que todos estejam em compliance, senão muitos outros casos ocorreram, e aí já viu: “não sabia de nada”, “eu não vi nada” ou “ não tenho condições de estar em todos os processos”, e blá, blá, blá…

A matéria diz que segundo uma fonte de um dos bancos, se por um lado pode ter havido facilitação dos gerentes, por outro, as investigações se originaram de alerta dos bancos ao Coaf sobre movimentações suspeitas. Para essa fonte, o sistema bancário mais atrapalhou os fraudadores do que ajudou com a suposta omissão, devemos averiguar, todos devem apresentar seus dossiês e processos de auditoria, basta provar que realizou o compliance.

* Marcos Assi é professor e consultor da MASSI Consultoria – Prêmio Anita Garibaldi 2014, Prêmio Quality 2014, Prêmio Top of Business 2014 e Comendador Acadêmico com a Cruz do Mérito Acadêmico da Câmara Brasileira de Cultura, professor de MBA Trevisan Escola de Negócios, entre outras, autor dos livros “Controles Internos e Cultura Organizacional”, “Gestão de Riscos com Controles Internos” e “Gestão de Compliance e seus desafios” pela Saint Paul Editora. www.massiconsultoria.com.br