O Maracanã morreu!

Não é o mesmo estádio. O mesmo ambiente. O mesmo espírito. Apenas um novo estádio – estádio não, arena. Arena esta construída no mesmo lugar e, para disfarçar a radical mudança, com a mesma estrutura externa e o nome, mas… o velho Maracanã está morto e seu espírito com ele se foi.

Vivi as três fases do Maraca:

Quando, oficialmente, 200.000 pessoas se espremiam em qualquer espaço.

Testemunhei as folclóricas comemorações que Geraldinos faziam à beira do campo, e a festa dos Arquibaldos ocupando quase todo o anel.

Quando em 2005 acabaram com a geral.

Mantiveram a estrutura das arquibancadas e alguns Geraldinos tentaram se transformar em Arquibaldos. Alguns conseguiram, mas a essência dos Geraldinos havia acabado.

Quando em 2014 acabaram com a arquibancada.

É, acabaram. Porque essa estrutura, em rampa descendo até o campo com cadeiras dobráveis, não lembra nem de perto a nossa velha e querida arquibancada.

 

Nós, torcedores, ainda buscamos nosso espaço, tentando nos adaptar aos novos setores e às novas regras para torcer impostas pela PM e pela FIFA.

Alguns vão dizer que estou sendo saudosista, que isso é a evolução do futebol. Entendo. Mas…

É preciso fazer algo para que o estádio, desculpe, arena, recupere ao menos um pouco da alma do antigo Maracanã que está perdida no limbo, talvez vagando pelo Umbral. Essa alma precisa reencarnar nessa fria, insípida, incolor, inodora, inacústica arena, trazendo de volta ao menos um pouco do que havia no passado recente, do calor das festas das torcidas, da interação com os jogadores.

Voltar a torcer sem limites de bandeiras ou instrumentos musicais; atirar papel higiênico no momento que os times entrarem em campo em separado; retirar as cadeiras dos setores superiores (norte e sul), para que nós, Arquibaldos, voltemos a nos sentir como no antigo estádio; autorizar jogadores a comemorar junto da torcida subindo os degraus e abraçando a galera e claro, precisamos trazer os Geraldinos de volta, com uma espaço específico, ao qual eles teriam acesso por um valor que qualquer torcedor apaixonado, mas sem muita grana, poderia pagar.
O Estádio do Maracanã morreu! Vida longa à Arena Maracanã!

 

Autor: Fred Mourão

Coordenador do curso de MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, na unidade Rio de Janeiro

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