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Pacaembu é a solução para São Paulo

Foi anunciado hoje pela Prefeitura de São Paulo o projeto de renovação do estádio do Pacaembu, que possibilitaria o seu uso para a Copa de 2014, inclusive para a abertura do evento. O projeto prevê rebaixar o gramado, construir mais um anel de arquibancada e com isso aumentar a capacidade de 40 mil para 65 mil pessoas. A fachada, que é tombada pelo patrimônio histórico, seria obviamente preservada, assim como o Museu do Futebol.

Essa me parece ser a melhor solução para São Paulo. Estamos falando de um estádio construído na década de 40 e que claramente não atende mais às necessidades atuais de conforto e visibilidade, além de ser um estorvo financeiro para seu proprietário, no caso nós os cidadãos paulistanos. E o mais interessante do projeto, avaliado em R$ 500 milhões, é a possibilidade de readequá-lo para condições mais realistas após a Copa: a capacidade poderia ser reduzida para algo em torno de 45 mil pessoas e as estruturas exigidas pela Fifa para hospitalidade seriam montadas na própria Praça Charles Miller e desmontadas em seguida.

O projeto do Novo Pacaembu pode servir para resolver dois problemas:

  1. Ser o estádio adequado para receber jogos da Copa de 2014 em São Paulo;
  2. Modernizar o principal estádio da cidade e adequá-lo aos novos tempos.

O estádio do Pacaembu possui localização privilegiada, é um patrimônio histórico da cidade e está no coração dos paulistanos. Essa é uma possibilidade concreta de solucionar a questão da cidade-sede São Paulo e ao mesmo tempo dar vida nova ao Pacaembu, evitando que ele se torne em breve um “coliseu paulistano“, como diz um amigo meu.

2014 já começou

Terminada a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, os holofotes se voltam para o Brasil, que vai ser a sede da próxima edição do maior evento midático do planeta. Tive a oportunidade de ver in loco o potencial que a Copa tem para transformar um país. 

Depois de estar na Alemanha, sede em 2006, mudei completamente a visão sobre aquele país, que tem sim belezas históricas e naturais que merecem visita, e principalmente sobre o seu povo, tido como sisudo e fechado. Os alemães foram sempre muito solícitos e simpáticos conosco. Já na Àfrica do Sul o que se viu foi um país organizado, com um potencial turístico impressionante, e um povo alegre, festivo e receptivo. Como resultado, só com a Copa do Mundo o turismo internacional ali saltou 25% neste ano em relação à 2009.

E o Brasil? Não é apenas o fato de sediar uma Copa que os benefícios virão naturalmente ou por inércia; tudo dependerá da nossa capacidade de prover o país de mobilidade urbana, de instalações esportivas adequadas e de profissionais qualificados para o atendimento ao turista. Mas não tenho dúvida do potencial que um evento como esse tem de transformar a imagem de um país e principalmente de gerar frutos por vários anos posteriores. Tudo vai depender de dois fatores:

1.) O evento em si ser bem-sucedido: uma Copa do Mundo sem grandes problemas de transporte, segurança, informação e atendimento vai mostrar ao mundo a capacidade de organização e gestão do país.

2.) Nos anos seguintes, conservar com eficiência o capital construído: todos os investimentos em infra-estrutura e tecnologia realizados para a Copa precisam ser geridos de modo economicamente sustentável, principalmente os novos estádios (veja entrevista minha no portal Copa 2014); além disso, o país vai ter que cuidar da marca Brasil para garantir um crescimento continuado do turismo internacional.

O Brasil atrai cerca de 5 milhões de visitantes estrangeiros por ano, número que está estagnado há algum tempo. Para se ter uma idéia comparativa , o número de turistas estrangeiros anuais no México é de 21 milhões. Há um potencial imenso de expansão do nosso turismo que pode ter impacto positivo em toda a sua cadeia: hotéis, restaurantes, comércio, transporte, entre outros setores. A Copa do Mundo é o trampolim definitivo para alavancar o turismo no Brasil.