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Gestão de Risco e Compliance ganham força, será mesmo?

As questões regulatórias e a suspeita ou ocorrência de fraudes externas estiveram entre os riscos mais frequentes com os quais as empresas tiveram de lidar nos últimos 12 meses. Esse é um dos principais achados de um levantamento inédito realizado entre agosto e setembro deste ano pela Thomson Reuters, provedor líder mundial de soluções e informações inteligentes para empresas e profissionais, ouvindo um grupo bastante seleto de especialistas e influenciadores do mercado de Compliance e Risco no Brasil.

Agora vem a nossa parte, acreditamos que mudaram muitas coisas sim, mas os últimos escândalos nos deixam um pouco preocupados, pois com toda regulação, auditorias e supervisão, as falhas de compliance e controles internos ainda acontecem.

E por que? As metas por resultado, os conflitos de interesse, a falta de conduta e ética, ausência de cultura de controle, e gestores que estão andando para os processos de gestão de riscos e compliance.

Temos visto muitas coisas que deixariam todos arrepiados, pois em alguns casos, parece que realmente estão respeitando as regras, basta ver o que gerou a prisão do doleiro Alberto Youssef, vejam as empresas suspeitas de evasão de divisas com a compra de serviços que não existiram, a denúncia da TOV que operou com empresas suspeitas da Operação Lava-Jato, a Petrobras que também usou os “serviços” do doleiro e os bancos que estão em cheque pelo Ministério Público Federal e agora tem que provar quer realizaram seus processos de prevenção a Lavagem de Dinheiro.

Espero do fundo de meu coração que tenham feito os processos de conheça seu cliente, elaborados os dossiês de suspeita de ilícitos e enviado as comunicações ao COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras, através do SISCOAF, é simples basta mostrar que os procedimentos de Prevenção a Lavagem de Dinheiro foram realizados.

Ainda existem algumas instituições financeiras que não possuem processos de prevenção a lavagem de dinheiro e que não sofrem impactos de conflitos de interesse entre processo e resultado; e empresas não financeiras que acreditam não possuir responsabilidades na prevenção. Vale lembrar que a lei é federal, e todos têm que respeitar e prevenir‏

Agora muitas empresas ainda sem auditoria interna, então como ficam os processos de controles internos e monitoramento? Abaixo do esperado, e acredito que muita coisa vai acontecer ainda, e esperamos que um dia a gestão de riscos e compliance realmente possa apresentar a sua verdadeira função, melhorias nos processos e prevenção a perdas e danos nas organizações.

Gestores e colaboradores das empresas devem entender que a imagem e reputação da empresa envolvida em escândalos põe a perder sua fonte de renda, será que vale a pena mesmo não cumprir as regras estabelecidas? O tempo é o melhor remédio.

* Marcos Assi é professor e consultor da MASSI Consultoria – Prêmio Anita Garibaldi 2014, Prêmio Quality 2014, Prêmio Top of Business 2014 e Comendador Acadêmico com a Cruz do Mérito Acadêmico da Câmara Brasileira de Cultura, professor de MBA na Trevisan Escola de Negócios, entre outras, autor dos livros “Controles Internos e Cultura Organizacional”, “Gestão de Riscos com Controles Internos” e “Gestão de Compliance e seus desafios” pela Saint Paul Editora. www.massiconsultoria.com.br