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Liquidação Extrajudicial do Banco Central, Risco Sistêmico, Ética e Compliance

O mês de agosto começou agitado no dia 02/08/2013 o anuncio da liquidação extrajudicial do Banco Rural, que estava no epicentro do esquema do mensalão, segundo alguns especialistas deve ter pouco impacto no sistema financeiro do país, segundo a mídia o fechamento da instituição se deve mais a questões pontuais do que sistêmicas, será?

Mas o que mais me preocupa e que a credibilidade do segmento de bancos pequenos e médios, e muitos deles familiares, já vem sendo colocada em cheque desde a crise financeira de 2008, agravada com as fraudes no PanAmericano e das liquidações do Cruzeiro do Sul e do banco BVA e também e folha de 04/08/2013, publicou que o Banco Schahin é investigado sob suspeita de ter desviado o equivalente a R$ 156 milhões que mantinha na Suíça antes de se tornar insolvente em 2011, segundo documentos sigilosos do Banco Central que fazem parte de um inquérito da Polícia Federal, obtidos pela Folha.

No mínimo curioso, mas a queda do Rural é considerada mais uma mancha para dificultar, e acreditamos que vai encarecer a captação de recursos por parte de alguns bancos menores, afinal se valíamos riscos, os últimos fatos nos levam a crer que está muito complicado.

Mas ter um banco com grande relação com o mensalão, deve levar “os clientes começam a combinar a situação decorrente do mensalão com a chegada de um período difícil para os bancos médios, de queda de rentabilidade”, explica o economista Roberto Troster, em entrevista para a Revista Veja desta semana, afirmando que mais uma liquidação complica a conjuntura para o segmento.

Acredito que mais uma vez a imagem dos bancos menores sairá chamuscada, mas o mercado saberá entender que o caso do Banco Rural é específico? A bem da verdade que a presidente está condenada no processo do mensalão, refiro me a Kátia Rabello, condenada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão.

Mas será que esta instituição não possuía controles internos e compliance? Posso apostar que sim, mas pelo jeito não eram efetivos, como venho há muito tempo falando, quando os administradores são os primeiros a fragilizar a gestão de compliance e controles internos, o que podemos fazer? A resposta é quase nada e esperar que um dia alguém efetue alguma fiscalização identifique e apresente uma nota como a do Bacen sobre a liquidação do Rural: “…comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, a existência de graves violações às normas legais e estatutárias que disciplinam sua atividade e a ocorrência de sucessivos prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores quirografários.”

Mais uma vez estaremos recebendo uma avalanche de informações que põe em cheque tudo aquilo que profissionais, órgãos reguladores, institutos nacionais e internacionais, vem apresentando em grupos de trabalhos, palestras e treinamentos, mas por mais que desejemos fazer o correto, digo estar em compliance, ainda temos muitas coisas a mudar.

Compliance, controles internos, gestão de riscos, conduta e ética, auditorias, fiscalização, supervisão entre outras, não podem ficar somente nas normas de conduta e ética e nos livros e legislações, devem ser praticados e cobrados, por todos aqueles que acreditam na honestidade e no trabalho sério e responsável. Este é meu recado para hoje, amanhã tem mais.

* Marcos Assi é consultor da MASSI Consultoria – Prêmio Excelência e Qualidade Brasil 2013 e Premio em Excelencia em Capacitação em GRC pela Camara Brasileira da Cultura 2013, professor de MBA na Trevisan Escola de Negócios, entre outras, autor dos livros “Controles Internos e Cultura Organizacional – como consolidar a confiança na gestão dos negócios” e “Gestão de Riscos com Controles Internos – Ferramentas, certificações e métodos para garantir a eficiência dos negócios”. www.massiconsultoria.com.br