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As Finanças dos Clubes de Futebol Brasileiros

 

Em entrevista ao jornal Zero Hora, de Porto Alegre, faço um resumo da situação atual das finanças dos clubes:

COMO ESTAMOS:

  • Pela primeira vez, os principais clubes brasileiros se aproximam da marca de R$ 3 bilhões em faturamento, mais do que o dobro do valor de cinco anos atrás.
  • Esse dado positivo contrasta com outros dois aspectos bastante preocupantes: o alto nível de endividamento e a dificuldade dos clubes em registrar superávits, ou seja, gastar menos do que arrecadam.
  • Há um grave problema de gestão e uma necessidade imediata de equacionamento das dívidas, com as devidas contrapartidas dos clubes.
  • O faturamento ainda está distante do patamar da Europa, o que indica haver um potencial grande de expansão, principalmente, utilizando melhor o poder de consumo do torcedor.

FATORES DE CRESCIMENTO DA RECEITA DOS CLUBES:

  • O futebol brasileiro se aproveitou de um período de crescimento econômico importante, que foi a última década para o Brasil.
  • Além de mais empresas passarem a patrocinar clubes e campeonatos, houve um forte crescimento dos valores de direitos de transmissão, que dobraram em relação a 2010 e, hoje, representam quase metade do faturamento dos clubes.
  • Os valores de patrocínio e de direitos de TV parecem estar próximos de um teto por aqui, e o trabalho dos clubes deve se voltar cada vez mais para aumentar a arrecadação diretamente com os próprios torcedores.
  • Enquanto os europeus geram 22% da sua receita total com o que seus torcedores gastam em dias de jogos, por exemplo, no Brasil, esse número é de 8%.

ALTO CUSTO DOS SALÁRIOS: 

  • O custo com o departamento de futebol é o mais relevante dentro dos clubes, podendo chegar a 70% de sua receita.
  • A gestão dessa despesa é totalmente estratégica para a sustentabilidade financeira do clube, bem como para seu resultado esportivo.
  • O papel do gestor é encontrar a melhor relação entre a qualidade do elenco e o impacto desse custo na sua lista de despesas.
  • É importante definir políticas de teto salarial e, principalmente, identificar atletas com potencial não percebido, ou seja, que podem trazer retorno esportivo sem um custo exorbitante, a partir, por exemplo, de ferramentas de análise estatística de desempenho, cada vez mais comuns no mercado.
  • O Brasil é um país de livre mercado: não acredito em iniciativas que visem pré-definir valores de salário para o mercado do futebol.
  • Por outro lado, a atuação mais firme da Receita Federal em cima dos clubes, que tem afetado diretamente seu fluxo de caixa inclusive com penhoras, e de certa forma uma conscientização maior de alguns dirigentes, parecem indicar um novo cenário de gestão de custos dentro dos clubes.
  • Pode-se imaginar um ajuste natural de mercado nos valores recebidos por alguns jogadores e treinadores.

Há um processo em marcha de profissionalização do futebol brasileiro, mas que é ainda muito recente. Logo, há muito por fazer. Pesquisa realizada com os participantes do seminário Business FC, mostraram que 53% consideram ruim ou péssima a qualidade da gestão dos clubes. Iniciativas recentes, no entanto, indicam uma tendência positiva, como: novos estádios com padrão internacional, mobilização de jogadores para melhoria do calendário, projeto de parcelamento das dívidas com punição técnica para não cumprimento. Não é a toa, também, que 91% dos pesquisados disseram ser otimistas com o futuro do futebol no Brasil.

Clique aqui para ver a entrevista na íntegra.