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Vale a pena sediar um megaevento esportivo?

Começa hoje a 30ª edição dos Jogos Olímpicos. Para nós estudiosos do mundo dos negócios e como brasileiros atentos ao fato de sermos sedes dos próximos megaeventos esportivos, é mais uma oportunidade para pesquisarmos os impactos econômicos nas nações-sedes.

Vários estudos acadêmicos demonstram que os governos tendem a superestimar o retorno financeiro para o País e a subestimar os custos de receber um evento dessa magnitude. Pesquisa da Said Business School da Oxford University indica que em média os orçamentos para a realização dos Jogos Olímpicos ficam 179% acima da previsão inicial. De fato, os gastos para Londres 2012 já são atualmente mais que o dobro do projetado. E no lado da receita adicional que os eventos propiciam com vendas, geração de emprego e renda, aparentemente os resultados são limitados, como mostra essa pesquisa de uma universidade americana.

Ainda assim, governos e países continuam disputando com afinco a possibilidade de se tornar sede de uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo. Deixando de lado eventuais objetivos escusos que existam nos bastidores de uma candidatura, parece que os megaeventos podem sim deixar um resultado importante se atender a uma das três condições abaixo:

  • A sede já possui um mínimo de instalações esportivas em quantidade e qualidade adequadas: reduz-se o custo do evento e a necessidade de investimento (os Jogos de Los Angeles em 1984 geraram lucro para a cidade exatamente por este motivo);
  • A sede necessita de grande fluxo de investimento em infra-estrutura: o fato de receber um evento desse porte e com data marcada direciona recursos de forma intensiva para esse fim, impulsionando o seu desenvolvimento;
  • A sede tem potencial grande e não aproveitado em relação ao turismo internacional: megaeventos colocam o País em evidência para todo o mundo e funciona como um gigantesco “relações públicas”.

O Brasil claramente se enquadra nestas duas últimas situações, e portanto podemos ainda considerar estes próximos anos como uma janela importante de oportunidade para impulsionarmos o nosso desenvolvimento. E não podemos esquecer também do efeito “bem-estar” que o fato de sediar uma Olimpíada e uma Copa do Mundo pode proporcionar para a população, aspecto este que não pode ser desprezado.