Vale a pena o Rio de Janeiro sediar os Jogos Olímpicos? (2)

Os Jogos Olímpicos 2016 vão se aproximando da sua metade e já é possível tirar algumas conclusões. Como era esperado, o Rio de Janeiro se tornou uma grande festa esportiva, com turistas e cariocas se misturando para assistir a suas modalidades favoritas e celebrar o evento. O transporte tem funcionado relativamente bem, mas esperava-se mais da operação dos Jogos em si, ainda mais numa cidade acostumada a realizar anualmente uma festa belíssima como o Carnaval, dentre tantos outros eventos12531030_1149516881748211_1299669614_n(1) como o festival Rock in Rio. Continua havendo muitas queixas quanto à gestão das filas, tanto no acesso às arenas quanto para a compra de alimentos e bebidas, cujas qualidade e oferta também têm sido muito criticada.

De qualquer forma, o evento está acontecendo a contento. Resta saber o que ficará de retorno direto para a cidade. Se considerarmos apenas o adicional de receita que entra na economia durante a realização dos Jogos, obviamente a conta não vai fechar. O custo total relacionado à Rio 2016 deve ficar acima de R$ 40 bilhões, enquanto que a estimativa de gastos de turistas ao longo do evento é de R$ 5,8 bilhões. Não é um número tão relevante assim: só o carnaval carioca gera cerca de R$ 3 bilhões para a economia da cidade, e acontece todo ano. Assim, para que se possa tirar algum tipo de conclusão deve-se analisar o retorno potencial de longo prazo, principalmente nestes três itens: infraestrutura urbana, turismo internacional e indústria/cultura esportiva.

Em relação à infraestrutura, a realização dos Jogos acabou por canalizar investimentos para este fim, tirando da “gaveta” uma série de projetos que a cidade já precisava há vários anos. O Rio de Janeiro finalmente passa a ter uma estrutura de transporte coletivo mais adequada ao seu tamanho: foram  construídos 117 km de linhas para VLT (Veículo Leves sobre Trilhos), BRT (Transporte Rápido por Ônibus, na sigla em inglês) e metrô. Além disso, foi feito um projeto de revitalização da zona portuária localizada no centro histórico, tornado-a um novo ponto turístico e que dificilmente teria ocorrido sem a definição da cidade como sede. Há suspeitas de superfaturamento em algumas obras e dúvidas se essas novas rotas serão suficientes para resolver o problema de mobilidade urbana da cidade, mas tudo indica que este é um legado bem tangível para a população local.

Um outro potencial benefício diz respeito ao aumento do fluxo de turistas internacionais. Espera-se que a intensa exposição da cidade possa gerar interesse de estrangeiros em visitar futuramente o país. Somando a Copa do Mundo realizada em 2014, os megaeventos terão sido responsáveis por atrair mais de 1 milhão de visitantes do exterior. Além disso, o país terá ficado na vitrine internacional por quase dez anos desde que foi definida como sede da Copa. Esta é uma área que teria muito a avançar: atualmente o Brasil atrai cerca de 6,3 milhões de turistas internacionais por ano, bem abaixo por exemplo do México, que recebe quatro vezes mais.

No fim das contas, como ocorreu após a Copa do Mundo e apesar de todos os problemas locais, o saldo de imagem do país deve ficar positivo, se nada de muito grave acontecer até o final da Rio 2016. Mas é difícil saber se isso será suficiente para impulsionar a indústria do turismo internacional. É verdade que em dez anos houve um crescimento de mais de 25% no volume de desembarques internacionais, mas é difícil dizer se há alguma relação com a realização dos megaeventos por aqui. Na verdade, o número de visitantes estrangeiros até caiu em 2015, provavelmente como efeito estatístico do grande número de turistas que vieram para a Copa do Mundo no ano anterior. A ver.

No próximo post, falaremos sobre o último item: impactos para a indústria do esporte e estímulo para uma cultura esportiva no país.

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